Altice Portugal vê receitas anuais superarem pré-Covid com “angariação robusta” de clientes

Grupo da Meo obteve receitas de 2.314 milhões de euros, mais 9,1% do que em 2020 e acima dos 2.110 milhões alcançados em 2019, antes da pandemia. É reflexo do esforço de angariação de clientes.

O negócio da Altice Portugal melhorou em 2021 e as receitas superaram as obtidas em 2019, antes do impacto da pandemia. Na última prestação de contas de Alexandre Fonseca como CEO, a empresa desvendou aos investidores uma melhoria nos dois principais indicadores de desempenho financeiro que, tradicionalmente, divulga ao mercado.

O grupo que detém a Meo nunca publica o resultado líquido, mas indicou esta quinta-feira, num comunicado, que o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) cresceu 2,3% face a 2020, fixando-se em 853 milhões de euros. Essa evolução está suportada no aumento das receitas, que registaram um crescimento anual de 9,1%, para 2.314 milhões de euros, acima até dos 2.110 milhões alcançados em 2019 (parte devido à aquisição da Unisono no ano passado).

Tanto o segmento de consumo como o empresarial contribuíram para o crescimento das receitas. Mas a Altice Portugal destaca alguns dos fatores mais decisivos: por um lado, a subida do EBITDA foi exacerbada por “um controlo efetivo dos custos operacionais”, além da melhoria das receitas. Por outro, a empresa diz ter levado a cabo um “robusto processo de angariação” de clientes em 2021 e aprimorou o “controlo dos desligamentos”.

Este é o último relatório anual da Altice Portugal com Alexandre Fonseca aos comandos. O presidente executivo vai ceder o lugar a Ana Figueiredo em 2 de abril, assumindo a posição de chairman e, sobretudo, a função de co-CEO da Altice Europe. Ana Figueiredo era CEO da Altice na República Dominicana.

Conferência de imprensa de apresentação da nova CEO da Altice Portugal, Ana Figueiredo - 18MAR221
Alexandre Fonseca entrega a presidência executiva da Altice Portugal a Ana Figueiredo em 2 de abrilHugo Amaral/ECO

Fibra já alcança seis milhões de casas

Em 2021, a Altice Portugal foi uma das empresas de telecomunicações a adquirir licenças para irradiar 5G, a quinta geração de rede móvel. Das três maiores operadoras portuguesas, acabaria por ser a última a disponibilizar a tecnologia aos clientes, o que fez já este ano, à meia-noite de 1 de janeiro. Todas estão a oferecer gratuitamente o 5G aos clientes até ao final deste mês.

No comunicado de resultados enviado à imprensa, não se encontra qualquer referência ao 5G (há, sim, uma menção ao 4G, a geração móvel anterior). A empresa opta por destacar as seis milhões de casas passadas com fibra ótica, marco atingido no final de 2021, ano em que alcançou mais 408 mil.

É uma tarefa que vai ganhando dificuldade à medida do tempo, dado que alguns dos territórios que ainda não estão servidos com fibra não são rentáveis para o investimento privado. No início do ano, o Governo encarregou a Anacom de promover uma consulta pública e está a desenhar um plano de investimento público em redes de comunicações eletrónicas recorrendo a fundos europeus, com base num levantamento das chamadas “zonas brancas”, as regiões sem cobertura, realizado pelo regulador.

“Neste trimestre, o segmento de consumo continuou a prosseguir a expansão do seu portefólio convergente, visando ofertas atrativas e de maior valor aportado à base de clientes, que possibilitaram uma melhor experiência”, indica a Altice Portugal na mesma nota.

As receitas deste segmento cresceram 4,3%, para 1.247,8 milhões de euros, desempenho “impulsionado pelos negócios fixo e móvel, que assistiram ao crescimento da base de clientes através do robusto processo de angariação, potenciado pelo binómio fibra/convergência, e pelo controlo dos desligamentos”, refere a empresa.

Em 2021, a Altice conseguiu aumentar a base de clientes únicos de consumo em 17,7 mil, “alavancados na manutenção do ritmo de adições brutas e da manutenção do churn [desligamentos] em patamar baixo”. No quarto trimestre, adicionou 94,6 mil clientes móveis, e 287 mil em pós-pago no conjunto de 2021. Já os serviços fixos registaram adições líquidas de 142,1 mil no ano completo.

Unisono ajuda negócio empresarial

No plano empresarial, a Altice Portugal admite que o crescimento alcançado reflete também o desempenho da Unisono, uma empresa espanhola de call centers e serviços empresariais adquirida em 2021 pela Intelcia, que também faz parte do grupo.

Nesse contexto, as receitas do segmento de serviços empresariais atingiram 1.065,9 milhões de euros no ano passado, uma subida anual de 15,2%, “refletindo também o desempenho da Unisono”. “Esta evolução é fruto do fomento da transição digital bem-sucedida, da fiabilidade e da cobertura das redes, mas também da segurança das plataformas e da qualidade de serviço”, ressalva o grupo que incorporou a antiga PT.

“Apesar da incerteza ainda presente, 2021 foi sem dúvida um período de recuperação em que a economia e a sociedade retomaram algum controlo sobre as contrariedades decorrentes da pandemia e em que se assistiu ao regresso do crescimento da atividade empresarial e do aumento da dinâmica de mercado, o que possibilitou a recuperação gradual da confiança pelo tecido empresarial, antecipando a melhoria das perspetivas económicas”, frisa a companhia.

Apesar da incerteza ainda presente, 2021 foi sem dúvida um período de recuperação em que a economia e a sociedade retomaram algum controlo sobre as contrariedades decorrentes da pandemia.

Fonte oficial da Altice Portugal

Investimento acelera no fim do ano

A Altice Portugal acelerou o investimento na reta final do ano, marcada pela conclusão do longo leilão de frequências do 5G, organizado pela Anacom, no qual a empresa se comprometeu a investir 125,229 milhões de euros na compra de licenças.

No conjunto do ano, o investimento aumentou 4,5% face a 2020, atingindo 487 milhões de euros. A evolução reflete “o compromisso da Altice Portugal com a expansão da rede de fibra”. A empresa sublinha ainda que “o investimento contínuo na rede móvel impulsionou uma penetração 4G de 99,8% no final do ano”.

“Estes indicadores refletem o sólido desempenho da Altice Portugal, na trajetória de reforço da liderança absoluta do mercado e do crescimento sustentado dos indicadores financeiros, da base de clientes, das quotas de mercado e da qualidade do serviço ao cliente”, conclui a companhia.

O ano acabou por ser positivo para o setor. No início do mês, a Nos NOS 2,22% , operadora concorrente, anunciou um aumento de 57% dos lucros anuais, para 144 milhões de euros. A Vodafone, que opera num ano fiscal diferente do ano civil, apresenta resultados do exercício do ano fiscal completo de 2022 em 17 de maio. Em novembro, com o primeiro semestre completo, as receitas da Vodafone Portugal tinham crescido 7,4%, com a empresa a destacar a “maior resiliência” do segmento móvel.

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