Maior acionista da Sonae transforma-se em sociedade anónima europeia

Holding da família Azevedo altera estatuto legal para dar “estabilidade” a negócios e investimentos no estrangeiro. Fonte oficial garante ao ECO que “não tem qualquer implicação ou benefício fiscal”.

A Efanor Investimentos SGPS, a holding da família Azevedo que é a maior acionista do grupo Sonae, vai ser transformada em Sociedade Anónima Europeia, apurou o ECO. O projeto foi proposto em fevereiro pelo conselho de administração e a operação deverá estar concluída até ao final do primeiro semestre.

Além de deter ativos relevantes em Portugal, a empresa administrada por Maria Margarida Azevedo (viúva de Belmiro), os filhos Paulo e Cláudia Azevedo, Ângelo Paupério ou Carlos Moreira da Silva participa também em negócios e investimentos noutros países da União Europeia. E frisa que “o estatuto da sociedade europeia foi criado justamente para este tipo de entidades, com o propósito de lhes atribuir um quadro regulatório comum”.

“O objetivo desta alteração é o de atribuir à Efanor um estatuto legal supranacional, com vocação comunitária, que lhe permita ter uma estabilidade e uniformidade normativa nos vários Estados-membros e alargar as possibilidades de organização e de cooperação a nível europeu, potenciando o desenvolvimento das suas atividades”, aponta fonte oficial.

A transformação em Sociedade Europeia não implica qualquer alteração no plano operacional ou organizativo, e não tem também qualquer implicação ou benefício fiscal. A Efanor continuará a estar sujeita à lei portuguesa e a apurar e pagar os seus impostos em Portugal.

Fonte oficial da Efanor

Questionada pelo ECO sobre as implicações em termos práticos que terá esta transformação da Efanor, que tem um capital social de quase 83 milhões de euros, em Sociedade Anónima Europeia, a mesma fonte responde que “não implica qualquer alteração no plano operacional ou organizativo, e não tem também qualquer implicação ou benefício fiscal” associado.

“Aliás, após a transformação, continuará a estar sujeita à lei portuguesa e a apurar e pagar os seus impostos em Portugal, ou seja, não haverá qualquer modificação face ao que acontece atualmente, existindo sim uma perspetiva de continuidade. (…) Pretende-se apenas garantir que, sempre que a Efanor operar noutros Estados-Membros, o poderá fazer ao abrigo de um quadro regulatório comum”, completa.

De acordo com os dados que constam do documento em que o conselho de administração propõe aos acionistas a transformação em Sociedade Anónima Europeia, no exercício acabado a 31 de outubro de 2021 obteve um resultado líquido de 25,8 milhões de euros. O passivo ascendia a 162 milhões de euros, com a Efanor a apresentar capitais próprios positivos de 1.046 milhões de euros.

O projeto de pacto social desta holding sediada no Porto estabelece que “além das participações de que seja titular na data da morte do fundador que faleça por último, a sociedade não poderá deter outras participações senão nas sociedades Sonae, Sonae Indústria e Sonae Capital, e em sociedades que possam resultar de cisões” destas últimas.

Sonae presente em mais de 60 países

Com um portefólio diversificado nas áreas de retalho, serviços financeiros, tecnologia, imobiliário e telecomunicações, a Sonae registou vendas consolidadas recorde em 2021, superando os sete mil milhões de euros, com os lucros a subirem 45,6% face ao ano anterior. O grupo liderado por Cláudia Azevedo está presente em mais de 60 países, o que inclui operações, prestação de serviços a terceiros, escritórios de representação, acordos de franchising e parcerias.

A Zeitreel — designação adotada para o negócio da moda depois da recente reformulação da imagem corporativaé uma das mais internacionalizadas nas operações de retalho, através das marcas Salsa, MO, Zippy e Losan. A Sierra, que não vê “oportunidades” para novos shoppings em Portugal, detém e gere vários centros comerciais um pouco por todo o mundo. E a Worten, apesar de ter vendido 17 lojas em Espanha (onde está desde 2009) à MediaMarkt, mantém uma unidade comercial em Madrid e 15 nas ilhas Canárias, além do canal de vendas online.

A lista de participações em empresas que somou e de que se desfez em 2021, sobretudo no espaço europeu, mostram a crescente exposição internacional do grupo controlado pela Efanor. Entre outros, vendeu 25% do capital da MC (retalho alimentar) a um fundo da gigante mundial CVC, comprou a britânica Gosh! Food (alimentação de base vegetal), vendeu a participação de 50% na Maxmat à neerlandesa BME e a percentagem igual que tinha na seguradora MDS ao londrino The Ardonagh Group.

Cláudia Azevedo (CEO), João Günther Amaral (CDO) e João Dolores (CFO) durante a apresentação de resultados da Sonae, na MaiaDR Sonae 17 Março, 2022

No segmento desportivo, a ISRG (Iberian Sports Retail Group), joint-venture da Sonae com a JD Sports, adquiriu 80% da Deporvillage, retalhista online de equipamento de desporto, e expandiu para uma nova geografia com a compra da Sports Unlimited Retail, que opera nos Países Baixos com as marcas Perry Sport e Aktiesport. E ainda passou a ter uma posição de controlo (50,1%) na Bodytone International Sport, produtora de origem espanhol e distribuidora internacional de equipamentos de fitness.

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