Inflação “tem impacto nos investimentos que fazemos”, diz CFO da Galp

"Naquilo que depende de nós, estamos em boa forma financeira para enfrentar esta conjuntura", garante Filipe Crisóstomo Silva, administrador financeiro da Galp.

Filipe Crisóstomo Silva, da Galp EnergiaGalp Energia

Filipe Crisóstomo Silva, administrador financeiro da Galp, é um dos nomeados na categoria de melhor CFO na relação com os investidores da 34ª edição dos Investor Relations and Governance Awards (IRGAwards), uma iniciativa da consultora Deloitte. Em resposta a questões do ECO garante que a empresa “está em boa forma financeira para enfrentar esta conjuntura” marcada pela subida das taxas de juro. O contexto de subida de preços tem, no entanto, impacto nos investimentos, por exemplo na compra dos painéis fotovoltaicos.

O gestor financeiro, formado na Catholic University of America (cidade de Washington), trabalhou vários anos no Deutsche Bank Portugal, de que foi CEO, antes de entrar para o conselho de administração da Galp, em 2012. É importante “agarrar as oportunidades que nascem nos momentos de rotura”, defende.

Que desafios é que a aceleração da inflação está a criar para o negócio e de que forma é que a Galp está a responder a eles?

A inflação afeta todos os nossos negócios, desde logo, e muito diretamente, o custo das matérias-primas que importamos e processamos, e que se reflete inevitavelmente no preço dos produtos que comercializamos. Mas também tem impacto nos investimentos que fazemos, pelo agravamento das taxas de juro e do preço dos equipamentos que adquirimos, como é, por exemplo, o caso dos painéis fotovoltaicos. A resposta imediata a esta conjuntura passa pelo reforço da disciplina de custos e por iniciativas concretas que permitam mitigar o impacto, não só junto dos nossos clientes, como das nossas equipas de colaboradores.

A inflação trouxe também um novo ciclo de aumento das taxas de juro. Qual será a resposta da Galp a este novo enquadramento?

A Galp tem o compromisso de manter o rácio da sua dívida sobre o Ebitda abaixo de 1 vez, o que é um nível de endividamento relativamente conservador. Além disso, cerca de metade da nossa dívida encontra-se contratada a taxa fixa. Em resumo, naquilo que depende de nós, estamos em boa forma financeira para enfrentar esta conjuntura. Obviamente, as medidas à disposição dos bancos centrais para combaterem surtos inflacionistas são conhecidas e passam pela retirada de liquidez da economia, com impacto direto no rendimento disponível, logo no consumo e na nossa atividade, como vimos.

“Shaping human lives through sustainability and technology” foi o tema escolhido para a edição deste ano dos IRGAwards, num convite à reflexão sobre a maneira como funcionamos enquanto sociedade e o legado que deixaremos às gerações futuras. O que é urgente mudar para deixarmos às próximas gerações um legado melhor?

O maior desafio desta geração em termos de sustentabilidade é a redução de emissões para travar as alterações climáticas. Isso coloca o setor energético, e empresas como a Galp, no centro deste desafio. Toda a estratégia atual da Galp encontra-se centrada na forma de disponibilizar fontes e formas de energia limpa a toda a sociedade, assegurando em simultâneo as suas necessidades energéticas atuais de forma competitiva. Isso reflete-se, por exemplo, no facto de termos agregado a Estratégia e Sustentabilidade numa mesma direção. Ou no nosso propósito, Let’s Regenerate the Future Together.

Da sua experiência como gestor, que lição considera mais valiosa para enfrentar o momento atual?

Num mundo cada vez mais volátil e imprevisível, é essencial termos muito claro qual é o nosso rumo, ou seja, a estratégia de longo prazo. É igualmente imprescindível fazer uma gestão financeira muito rigorosa, mantendo a solidez do balanço. Ao longo do caminho, é necessário manter a flexibilidade para contornar os obstáculos que possam surgir, mas também para agarrar as oportunidades que nascem nos momentos de rotura.

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