BCE reúne de urgência após subida de juros soberanos

Conselho de Governadores do BCE vai reunir de urgência menos de uma semana depois de anunciar subida das taxas de juros diretoras a partir de julho.

O Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE) vai reunir de urgência nesta manhã de quarta-feira. Em causa está a subida das taxas de juro das dividas soberanas dias depois de a autoridade do euro ter anunciado o fim da política de compra de ativos.

“O Conselho de Governadores vai reunir-se na quarta-feira para discutir as atuais condições de mercado”, referiu um porta-voz do BCE à Reuters.

O anúncio da reunião de emergência contribuiu para valorizar o euro face ao dólar, subindo 0,55%, para 1,0471 dólares. Ontem, o euro voltou a negociar perto dos mínimos em quase duas décadas, na fasquia de 1,04 dólares.

Ontem, os juros associados aos títulos da dívida portuguesa ultrapassaram a fasquia dos 3%, o que já não acontecia desde 14 de julho de 2017, há quase cinco anos.

O agravamento das taxas também sentiu-se nas obrigações de países como Alemanha (a referência para os investidores), Itália e Espanha (com quem Portugal se equipara).

A taxa das obrigações alemãs a dez anos subiu para 1,647% e a taxa italiana no mesmo prazo, tendo rompido a barreira dos 4%. Em Espanha, os juros das obrigações copiaram a tendência portuguesa ao ultrapassarem também a fasquia dos 3% esta terça-feira.

Não vamos tolerar mudanças nas condições de mercado que vão para lá de fatores fundamentais e que ameacem a fase de transição da política monetária

Isabel Schnabel

Administradora do BCE com o pelouro das operações de mercado

A reunião de urgência do BCE coincide com o encontro da Reserva Federal dos Estados Unidos (FED), que poderá subir as taxas de juro em até 75 pontos base.

Na passada quinta-feira, o BCE decidiu pôr fim ao programa de compra de ativos a 1 de julho de 2022, prevendo também uma subida dos juros em julho de 25 pontos base, bem como em setembro, num ritmo ainda por definir. Além disso, reviu em baixa as previsões de crescimento para o Eurossistema, projetando um crescimento anual real do PIB de 2,8% em 2022 e de 2,1% em 2023, atualizando também as previsões da inflação para 6,8% este ano.

A administradora do BCE para as operações de mercado adiantou ontem que a autoridade do euro estava a vigiar “de perto” a situação no mercado e mostrou disponibilidade para aplicar medidas de curto prazo.

“Não vamos tolerar mudanças nas condições de mercado que vão para lá de fatores fundamentais e que ameacem a fase de transição da política monetária“, afirmou a administradora do BCE Isabel Schnabel, citada pela Reuters.

Citando fontes próximas do banco central, a agência Bloomberg adianta que os responsáveis do BCE vão ser convidados a aprovarem o reinvestimento das obrigações adquiridas no âmbito do programa de compras de emergência pandémica (PEPP), que foi interrompido em março.

(Notícia atualizada às 9h59 com mais informação)

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