Um em cada cinco carros novos em Portugal já está ligado à corrente

Híbridos plug-in e elétricos valeram 20% das vendas de automóveis novos de passageiros na primeira metade do ano e já têm mais peso no mercado do que as unidades a gasóleo.

Um em cada cinco carros novos de passageiros comprados em Portugal no primeiro semestre está ligado à corrente. A aposta em soluções eletrificadas está mesmo acima da compra de unidades apenas a gasóleo, assim demonstram os dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

Entre janeiro e junho de 2022, os carros híbridos plug-in (com tomada de carregamento) e os elétricos puros ficaram com uma quota de mercado total de 20% entre os automóveis ligeiros de passageiros. No mesmo período, as vendas de carros a gasóleo valeram 18,4% e têm já os automóveis puramente híbridos a aproximarem-se.

No mesmo período do ano passado, o peso dos diesel andava em torno dos 25%, enquanto os veículos eletrificados contavam com uma fatia do mercado de apenas 15%.

“Há cada vez maior oferta das marcas de carros com energias alternativas”, assinala ao ECO o secretário-geral da ACAP, Helder Pedro. Para cumprir com as cada vez mais exigentes metas de emissões, os híbridos plug-in e os elétricos são fundamentais para as fabricantes automóveis diminuírem a pegada ambiental.

Apesar da transição ecológica, os automóveis movidos a combustível ainda valem 60% do mercado. As unidades a gasolina, entre janeiro e junho, ficaram com 42,7% das matrículas.

Queda sem fim

2022 era apontado com o primeiro ano em relativa normalidade no comércio automóvel, depois de 2020 e 2021 terem ficado marcados pela pandemia de Covid-19. Mas os portugueses compraram menos 9,9% de carros ligeiros de passageiros no primeiro semestre deste ano do que em igual período de 2021: 75.449 unidades em 2022 e 81.445 em 2021.

À falta de semicondutores para a produção de carros juntaram-se os efeitos da guerra na Ucrânia, que “alteraram as cadeias logísticas e de abastecimento”. Somam-se ainda os custos da subida da taxa de inflação, que “estão a afetar a confiança dos consumidores” e são um travão ao investimento, resume Helder Pedro.

A diminuição da oferta também penaliza as empresas de aluguer de automóveis, que antes da pandemia representavam 28% das compras e agora têm um peso pouco acima dos 20%. O cenário não deverá melhorar até final do ano, antecipa o secretário-geral da ACAP.

Luxo imune à crise

Apesar de o mercado estar em travagem, as marcas de luxo têm acelerado as vendas nos últimos meses. No total, Aston Martin, Bentley, Ferrari, Maserati e Lamborghini venderam 96 unidades entre janeiro e junho, mais 30 do que no mesmo período do ano passado.

A britânica Bentley destaca-se, com 30 unidades matriculadas, o dobro dos registos do primeiro semestre de 2021. E a Maserati saltou das 10 para as 24 matrículas. Mais modestas foram as subidas na Aston Martin (das 15 para as 17 unidades) e na Ferrari (de 17 para 18). A Lamborghini foi a exceção, tendo descido das nove para as sete viaturas.

Na tabela geral do primeiro semestre, a Peugeot ocupa o primeiro lugar, com 8.713 unidades, menos 8,5% do que em 2021; segue-se a Renault, com 5.584 veículos, menos 38,2%; a japonesa Toyota cresceu 19%, para 5.434 carros, e ocupa o terceiro posto.

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