Rangel alerta para a “desvantagem” europeia de “regular em demasia”
Na Web Summit, o ministro defendeu ainda ser necessário “reinventar a democracia, para uma espécie de democracia digital".
O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, alertou esta terça-feira para as desvantagens associadas à “tendência cultural” europeia de “regular em demasia”, defendendo maior “equilíbrio” entre desenvolvimento tecnológico e a defesa democracia e direitos humanos.
“A Europa tem uma tendência cultural para regular em demasia e isso é naturalmente uma desvantagem. Penso que precisamos de equilíbrio, é sempre uma questão de equilíbrio e precisamos de acomodar ambos [desenvolvimento tecnológico e valores democráticos e direitos humanos]” disse numa sessão durante a cimeira tecnológica Web Summit 2024, que arrancou segunda-feira em Lisboa.
Durante a sessão intitulada “Equilibrar tecnologia, confiança e os valores democráticos”, na qual esteve também o vice-primeiro-ministro de Luxemburgo, Xavier Bettel, o ministro português sublinhou ainda a clivagem entre as instituições democráticas e as necessidades da população, associadas ao desenvolvimento tecnológico.
“Existe uma clivagem entre as instituições democráticas e as necessidades da população e a única forma de proteger os direitos fundamentais é através de alguma regulamentação e de instituições que sejam capazes de defender a liberdade de expressão, a privacidade e os monopólios no setor tecnológico”, afirmou.
Rangel alertou ainda para um dos “grandes desafios da democracia”, que descreveu como um fenómeno “territorial” e “baseado no mundo físico”, defendendo ser necessário “reinventar a democracia, para uma espécie de democracia digital, para que possamos acomodar o território e o mundo digital”.
A Web Summit arrancou esta segunda-feira, 11 de novembro, e decorre até 14 de novembro, no Parque das Nações, em Lisboa, numa das mais importantes cimeiras de tecnologia, onde se discutem temas como o desenvolvimento tecnológico e o seu impacto na sociedade, na economia, na política, entre outros.
Este ano, a cimeira bateu o seu recorde, com 71.528 participantes, entre CEOs, start-ups, investidores, delegações comerciais e comunicação social, dos quais 953 são oradores, mais de mil investidores e mais de 3.000 empresas que pretendem apresentar as suas ideias durante o evento, segundo a organização.
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