Visita de Macron em Portugal vai explorar cooperação na defesa, energia e inovação

A visita do presidente francês, esta quinta e sexta-feira, será uma oportunidade para reforçar as relações comerciais entre os dois países e estabelecer acordos de cooperação em áreas chave.

Emmanuel Macron inicia, esta quinta-feira, a primeira visita oficial de um presidente francês a Portugal em 26 anos. Será uma oportunidade para Portugal estreitar as suas relações económicas e comerciais com aquele que é um dos principais parceiros comerciais e investidores do país. A passagem de Macron por Portugal será marcada pela assinatura de vários acordos, que visam reforçar a cooperação em áreas chave como a defesa, energia, tecnologia e transportes.

Chegado diretamente de Washington, o presidente francês inicia, esta quinta-feira, a sua visita em Portugal, em Lisboa, onde passará pela Assembleia da República e pelo Mosteiro dos Jerónimos. Durante a tarde, está marcado um evento na Unicorn Factory, onde vai estar também o presidente da câmara de Lisboa, Carlos Moedas. Já na sexta, Macron parte para o Porto, numa agenda que volta a colocar em ênfase as relações comerciais entre os dois países, com a assinatura de um tratado de amizade e cooperação.

Entre os temas que os dois países definiram como prioritários, destaca-se a assinatura de uma declaração de intenção para a cooperação na área do armamento, com o objetivo de investir e estimular a indústria de defesa europeia.

Este documento “confirma uma intenção e um acordo já anunciado para a aquisição de até 36 [sistemas de artilharia] Caesar pelos portugueses” e também a “formalização da cooperação noutras sub-cooperações industriais, nomeadamente em matéria de drones”, afirmou o Eliseu em audioconferência.

A área da defesa tem atraído grande interesse por parte dos investidores franceses. Portugal já acolhe hoje grandes empresas do setor da aeronáutica, como a francesa Airbus, que tem vindo a reforçar a sua produção de partes de aeronaves a partir da sua fábrica de Santo Tirso, onde produz 17 diferentes painéis para os aviões da Airbus — 16 para a família A320 e um para o A350, as chamadas “bochechas” do avião.

A fábrica localizada no Norte do país tornou-se estratégica para a fabricante de aviões, cujas encomendas estão em máximos históricos, adiantou recentemente ao ECO Eric Belloc, diretor-geral da Airbus Atlantic Portugal.

“Graças à contribuição da Airbus, Portugal está a reforçar a sua posição como player mundial no setor aeroespacial, num mercado cada vez mais dinâmico e em evolução”, defendeu Belloc na mesma ocasião.

Empresas francesas “querem investir”

França é um dos principais parceiros comerciais de Portugal, sendo atualmente o segundo maior destino de exportações do país, logo a seguir à Espanha, e o terceiro maior fornecedor de Portugal. Os gauleses são ainda um dos maiores investidores diretos do país, ainda que o investimento francês tenha esmorecido no ano passado, num período marcado pela crise política, o que poderá ter levado algumas empresas a atrasar novos projetos.

Segundo os dados do investimento direto estrangeiro (IDE) em 2024, divulgados esta quarta-feira, França, que costumava ser o segundo maior investidor de Portugal, ocupa agora a terceira posição no ranking dos maiores investidores, com investimentos superiores a 16,4 mil milhões de euros, um valor que fica abaixo dos mais de 17 mil milhões registados nos últimos anos.

Apesar desta descida, as empresas francesas continuam a olhar para Portugal como um destino de investimento. “Os franceses ainda querem investir em Portugal“, adiantou ao ECO Laurent Marionnet, diretor-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa (CCILF). O especialista realça que “há muitas empresas da indústria que querem construir parcerias com empresas portuguesas“.

Laurent Marionnet nota ainda grande interesse no setor da aeronáutica, “que está em grande desenvolvimento”.

“Há a Airbus, mas há outras empresas que estão a começar a investir”, detalha, referindo ainda “setores na metalomecânica e no setor automóvel“.

O setor automóvel (PSA+Renault), do comércio e distribuição (Auchan, Leroy Merlin, Décathlon, E.Leclerc), financeiro (BNP Paribas, Euronext, Natixis), hoteleiro (Accor/Ibis/Mercure, B&B Hôtels) e dos serviços de consultoria (Aubay, Capgemini, Alten) são os setores que têm atualmente maior representação no país, segundo o Groupe Actual.

Apesar de Portugal continuar a apresentar-se como um destino atrativo de investimento para as empresas gaulesas, o diretor-geral da câmara francesa assume que “há muito menos investidores [portugueses] a ir para França”.

Empresas assinam acordos de cooperação

Integrado na visita de Macron, decorre, amanhã, o Fórum Económico Luso-Francês, organizado pela CIP – Confederação Empresarial de Portugal e pela sua congénere francesa, MEDEF – Mouvement das Entreprises de France, com uma agenda focada na economia azul, a mobilidade inteligente, as energias renováveis, o ecossistema de inovação e a indústria da defesa e segurança.

No evento, que conta com representantes da EDP, Grupo Brisa, TEKEVER, Grupo Sousa, Transavia, Alstom, VINCI, Transdev, Stellantis, Renault, Faurecia, Air France, Air Liquide, ENGIE, EDF, REN, Floene, Trivalor, Sanofi, Sonae, Petrogal, Galp, Dourogas, ou HyChem, vão ainda ser assinados protocolos entre empresas portuguesas e francesas.

Segundo a CIP, “sobre a mesa vão estar acordos que reforçam a colaboração em áreas-chave, tais como Energia, Defesa, Inovação e Mobilidade, domínios fundamentais para enfrentar desafios comuns e responder à necessidade de criar um quadro regulamentar favorável de modo a que as empresas possam tornar-se mais competitivas”.

“É fundamental consolidarmos as relações económicas entre Portugal e França neste momento particular, em que temos pela frente enormes, abrangentes e complexos desafios globais. O Fórum Económico Luso-Francês é, por este motivo, uma plataforma vital para promover o diálogo entre os protagonistas do universo económico dos dois países”, defende Rafael Alves Rocha.

O diretor-geral da CIP argumenta que, “estimulando soluções colaborativas, fomentando parcerias estratégicas e garantindo que, juntas, as empresas se tornam mais fortes para enfrentar os desafios económicos, mais capazes de gerar riqueza e habilitadas a construir um futuro ainda mais sustentável e próspero.”

A CIP irá ainda assinar um acordo com o MEDEF, no qual ambas as organizações se comprometem “a trabalhar em conjunto para salvaguardar que, tendo presente o princípio da neutralidade tecnológica, todas as tecnologias com baixo teor de carbono recebem um apoio igual e justo e a avançar com infraestruturas transfronteiriças, incluindo ligações de eletricidade e gás, para garantir cadeias de abastecimento seguras, para promover a integração do mercado e para assegurar a soberania energética a longo prazo da Europa”.

Na lista de acordos a assinar há ainda outros dois protocolos, com a CCILF (Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa) de promoção da cooperação bilateral, e outro com a CIAN — Conseil Francais des Investisseurs en Afrique, a Fundação Prospetiva e Inovação e o Grémio Literário para uma cooperação reforçada entre França e Portugal centrada em África.

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