Abel Mascarenhas vai liderar gestora dos fundos imobiliários do Banco de Fomento

Gestor passa da Vanguard Signature para o Fomento Fundos. Um dos desafios será alargar o número de empresas apoiadas pelos fundos, reduzir os imóveis devolutos e aumentar a taxa de cobrança de rendas.

Abel Mascarenhas, chief investment officer (CIO) da Vanguard Signature, grupo que inclui a Vanguard Properties, vai liderar a gestora dos fundos imobiliários do Banco de Fomento, a Fomento, apurou o ECO junto de várias fontes.

O gestor também foi presidente da estrutura de gestão do IFRRU 2020, o instrumento financeiro de 1,4 mil milhões de euros criado com verbas dos programas operacionais regionais do continente e das regiões autónomas do Portugal 2020, mas também do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR) para revitalizar as cidades, apoiar a revitalização física do espaço dedicado a comunidades desfavorecidas e apoiar a eficiência energética na habitação. Abel Mascarenhas tinha a função de coordenar a implementação deste programa.

Abel Mascarenhas tem um doutoramento em Administração Pública na área dos fundos europeus e instrumentos financeiros, pelo ISCSP/UL, e diversas pós-graduações em áreas como regulação e concorrência, banca, seguros e mercados financeiros, gestão e avaliação imobiliária, assim como programas de gestão para executivos, quer de empresas quer na Administração Pública, além de uma licenciatura e um mestrado em Engenharia Informática pela UNL-FCT.

Um currículo que justificou a opção do CEO da Vanguard, José Cardoso Botelho, em levá-lo para o grupo imobiliário de luxo em 2024 e agora do presidente do Banco de Fomento. Gonçalo Regalado escusou-se a confirmar ao ECO a sua escolha, remetendo as alterações na Fomento – Fundos de Investimento Imobiliário para o outono. “Estamos a trabalhar nas várias equipas de liderança do grupo e queremos ter esses processos fechados em outubro”, disse Gonçalo Regalado.

A Fomento foi fundada em 1995, resultante de uma parceria entre o Turismo de Portugal, a Caixa Geral de Depósitos e o Novobanco e, desde novembro de 2020, integra o grupo do Banco de Fomento, que detém 53,2% do seu capital social.

A Fomento gere cinco fundos de investimento imobiliário, sendo o mais recente o Revive Natureza. A lógica de funcionamento é comprar imóveis integrados no património das empresas como forma de dotação de recursos financeiros imediatos às mesmas para subsequente arrendamento. Uma vulgar operação de sale and leasebck. Mas, habitualmente a compra é acompanhada da opção, ou obrigação, de recompra desses mesmos imóveis.

O valor líquido global dos fundos alcançou, no final de 2024, “o valor histórico mais alto, ultrapassando os 400 milhões de euros, correspondendo a um crescimento de 3,8%”, revela o relatório e contas da sociedade. Por outro lado, “o valor global de novos investimentos foi o segundo maior registado desde 2010, apenas ultrapassado em 2017”.

Já no final de 2024, foi garantida “a liquidez mínima necessária ao reembolso dos participantes dos Fundos de Investimento Imobiliário Fechado Turístico I e II, que não aprovaram a sua prorrogação, e que ocorrerá em novembro de 2025”, lê-se no mesmo relatório. Em causa estão 41,1 milhões de euros.

De acordo com o plano de atividades aprovado na assembleia-geral de 21 de março deste ano, Abel Mascarenhas vai ter vários desafios, desde logo alargar o número de empresas apoiadas pelos fundos. Promover a rotação da carteira através do incentivo ao desinvestimento decorrente do exercício da opção de compra pelos arrendatários, na respetiva data ou antecipadamente; promover a afetação da liquidez disponível a novas operações que se enquadrem na política de investimento dos respetivos fundos e a colocação no mercado dos imóveis devolutos (15 imóveis) através do arrendamento são algumas das orientações estratégicas definidas para o triénio de 2025/2027.

Orientações que tiveram em conta os constrangimentos e oportunidades internos e externos. Falta capital para corresponder ao volume de propostas de novas operações recebidas, por isso, a contratualização de novas operações está dependente sobretudo da concretização de operações de desinvestimento por parte dos respetivos inquilinos e/ou da alienação de imóveis devolutos.

O número de opções de compra a vencer este ano e nos dois seguintes é “elevado” e isso consiste numa oportunidade tal como a procura crescente do setor industrial por operações de venda e arrendamento. Contudo, a “taxa de cobrança das rendas tem vindo a sofrer alguma degradação (83% no primeiro semestre 2024)”. Para 2026, a meta é chegar aos 90%, mais dois pontos percentuais face ao objetivo traçado para este ano, mas será necessário reforçar a equipa da sociedade gestora.

Abel Mascarenhas vai entrar com a meta de obter um resultado líquido de 1,18 milhões de euros em 2026, um objetivo menos ambicioso face aos 1,47 milhões fixados para este ano.

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