Banco Central Europeu faz nova pausa e mantém taxas de juro inalteradas

O Banco Central Europeu fez a segunda pausa consecutiva no ciclo de cortes das taxas de juro, como era amplamente esperado pelo mercado. A taxa de juro de depósitos permanece assim nos 2%.

O Banco Central Europeu (BCE) voltou, sem surpresa, a travar qualquer avanço no ciclo de cortes das taxas de juro iniciado em 2024, impondo esta quinta-feira uma nova pausa que, para muitos, já estava escrita nas previsões dos mercados.

“O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) decidiu hoje manter as três taxas de juro diretoras do BCE inalteradas”, refere o banco central liderado por Christine Lagarde em comunicado, numa decisão unânime entre os membros do Conselho do BCE, segundo declarações da presidente do banco central, na conferência de imprensa após o anúncio da decisão.

O Conselho do BCE mantém assim inalteradas as taxas diretoras, deixando a taxa de facilidade permanente de depósito nos 2%, a taxa de juro das operações principais de refinanciamento nos 2,15% e a taxa para cedência marginal de liquidez nos 2,4%.

Esta decisão, antecipada pela esmagadora maioria dos analistas e suportada pela análise dos principais indicadores, sinaliza que Frankfurt não está disposto, para já, a abdicar do atual “bom lugar”, preferindo a estabilidade à incerteza.

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A principal justificação para a manutenção das taxas prende-se com a atual trajetória inflacionária, que o BCE considera satisfatória. Segundo o comunicado oficial, “a inflação situa-se atualmente em torno do objetivo de médio prazo de 2% e a avaliação das perspetivas de inflação efetuada pelo Conselho do BCE permanece, em geral, inalterada”.

As novas projeções elaboradas pelos especialistas do BCE, também publicadas esta quinta-feira, confirmam este cenário de estabilidade, apresentando “uma imagem da inflação idêntica à avançada nas projeções de junho”. Os números revelam que as previsões “apontam para uma inflação global de, em média, 2,1% em 2025, 1,7% em 2026 e 1,9% em 2027”, valores que se mantêm praticamente inalterados face às estimativas anteriores.

Para a inflação subjacente, que exclui os preços da energia e dos alimentos, os especialistas do BCE “indicam uma média de 2,4% em 2025, 1,9% em 2026 e 1,8% em 2027”, sinalizando uma moderação gradual das pressões internas sobre os preços.

Crescimento da economia revisto em alta para este ano

Numa nota mais otimista, o BCE ajustou ligeiramente as suas previsões de crescimento económico. “Projeta-se que a economia registe uma taxa de crescimento de 1,2% em 2025, o que representa uma revisão em alta face ao valor de 0,9% avançado em junho”, refere o banco central em comunicado.

Esta revisão em alta reflete uma maior resistência da economia europeia do que inicialmente antecipado, embora o BCE tenha ajustado em baixa as perspetivas para 2026. “A projeção para o crescimento em 2026 é agora um pouco inferior, situando-se em 1%, enquanto a projeção para 2027 se mantém inalterada em 1,3%”.

Apesar da estabilização dos indicadores principais, o BCE mantém-se vigilante face aos riscos externos que podem afetar a trajetória económica europeia. A instituição reconhece que “o Conselho do BCE não se compromete previamente com uma trajetória de taxas específica”.

A decisão desta quinta-feira insere-se numa estratégia mais ampla de gestão cautelosa da política monetária europeia. O BCE, que iniciou o seu ciclo de cortes em junho de 2024 após oito descidas que levaram as taxas de um máximo histórico de 4% para os atuais 2%, opta agora por uma segunda pausa consecutiva.

Esta postura reflete a filosofia comunicada pelo Conselho do BCE, que sublinha estar “determinado a assegurar que a inflação estabiliza no seu objetivo de 2% a médio prazo” e que “seguirá uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião para decidir a orientação apropriada da política monetária”.

Além disso, o BCE volta a destacar que as “as decisões do Conselho do BCE sobre as taxas de juro basear-se-ão na avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos em torno das mesmas — à luz dos dados económicos e financeiros que forem sendo disponibilizados –, bem como da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária”.

Cenário de incerteza mantém BCE sob alerta

Apesar da estabilização dos indicadores principais, o BCE mantém-se vigilante face aos riscos externos que podem afetar a trajetória económica europeia. A instituição reconhece que “o Conselho do BCE não se compromete previamente com uma trajetória de taxas específica”, deixando em aberto a possibilidade de ajustamentos futuros.

Relativamente às carteiras do programa de compra de ativos (asset purchase programme – APP) e do programa de compra de ativos devido a emergência pandémica (pandemic emergency purchase programme – PEPP), o BCE refere que “estão a diminuir a um ritmo comedido e previsível, dado que o Eurosistema deixou de reinvestir os pagamentos de capital de títulos vincendos.”

A declaração de que “o Conselho do BCE está preparado para ajustar todos os instrumentos ao seu dispor, no âmbito do seu mandato, com vista a assegurar que a inflação estabiliza no seu objetivo de 2% a médio prazo e a preservar o bom funcionamento da transmissão da política monetária” mantém todas as opções em cima da mesa.

Para já, Frankfurt prefere a prudência à precipitação, numa altura em que a economia europeia navega entre ventos favoráveis – como a inflação controlada – e correntes contrárias que incluem tensões geopolíticas e incertezas sobre o cenário comercial global.

A próxima reunião do Conselho do BCE, marcada para outubro, será crucial para perceber se esta pausa se prolonga ou se o banco central retoma o caminho dos cortes.

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