CEO da EDP pede mais investimento em redes e simplificação de licenciamentos
Miguel Stilwell d’Andrade defende também que a ERSE deve permitir uma "remuneração adequada" sobre a base de ativos da EDP em Portugal, que é baixa em comparação com outros países europeus.
O CEO da EDP quer licenciamentos mais rápidos e retornos mais elevados sobre os ativos para expandir a rede elétrica da companhia, fundamental para os projetos industriais verdes. “Sem mais redes elétricas, não há transição energética. A dificuldade em aceder à rede está a criar incerteza sobre a viabilidade dos projetos [industriais verdes]”, afirmou Miguel Stilwell d’Andrade.
O apagão energético que atingiu Espanha e Portugal em 28 de abril reacendeu o debate sobre os investimentos em redes elétricas, numa altura em que cresce a procura de energia face ao desenvolvimento da inteligência artificial e de centros de dados.
É por isso que o presidente executivo da EDP defende que o Governo deve “simplificar os procedimentos e encurtar os períodos de licenciamento”, que muitas vezes podem demorar vários anos, referiu ainda, citado pela Reuters.
Além disso, continuou Stilwell d’Andrade, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) deve permitir uma “remuneração adequada” sobre a base de ativos da EDP em Portugal, que é baixa em comparação com os seus pares europeus.
A taxa de retorno sobre a sua base de ativos é agora de cerca de 5,5%, e a EDP quer que ela esteja em linha com outros países europeus, onde os investimentos são recompensados com retornos de até 7,5%.
Sem mais redes elétricas, não há transição energética. A dificuldade em aceder à rede está a criar incerteza sobre a viabilidade dos projetos [industriais verdes].
A EDP é dona da maior rede de distribuição portuguesa em alta, média e baixa tensão, com mais de 228 mil quilómetros a servir mais de seis milhões de clientes domésticos e industriais.
A elétrica planeia investir 3,1 mil milhões de euros na sua rede entre 2026 e 2030, mais 50% face aos 2 mil milhões de euros investidos entre 2021 e 2025, para responder à elevada procura de ligações elétricas por parte das indústrias verdes e das energias renováveis espalhadas por todo o país.
Miguel Stilwell d’Andrade falou aos jornalistas na apresentação do novo passo do projeto-piloto de hidrogénio na central do Ribatejo, onde também marcou presença a ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho.
No evento, a governante afirmou que o investimento nas redes elétricas é uma “alta prioridade” e que o Executivo está a trabalhar num decreto-lei para simplificar os procedimentos de ligação à rede e o licenciamento ambiental, “o que simplificará a criação de zonas de alta procura [de eletricidade]”.
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