Trump questiona utilidade das Nações Unidas e critica reconhecimento da Palestina

  • Lusa e ECO
  • 23 Setembro 2025

Presidente norte-americano diz que reconhecimento unilateral do Estado da Palestina por vários países, incluindo Portugal, é uma recompensa às ações terroristas do Hamas.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas.EPA/LESZEK SZYMANSKI POLAND OUT

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou esta terça-feira a utilidade das Nações Unidas, acusando a organização de não o ter ajudado nos esforços para resolver os conflitos no mundo, e criticou o reconhecimento da Palestina.

Trump está a intervir no debate de alto-nível da 80.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU, que hoje arrancou em Nova Iorque.

Trump — que gastou parte substancial do início do seu discurso para elogiar a sua ação na presidência dos Estados Unidos — acusou a ONU de não o ter sequer ajudado a resolver vários conflitos militares no mundo.

O Presidente norte-americano disse ainda que o reconhecimento unilateral do Estado da Palestina por vários países, concretizado no domingo e na segunda-feira, é uma recompensa às ações terroristas do movimento islamita palestiniano Hamas, incluindo os ataques de 07 de outubro de 2023, que desencadearam o conflito na Faixa de Gaza.

É o quinto discurso do Presidente Donald Trump no debate de alto nível e o primeiro desde que regressou à liderança da Casa Branca, em janeiro passado. E acusou a Índia e a China de serem os “principais financiadores da máquina de guerra russa” através da compra contínua de petróleo.

No discurso, Trump reiterou que o conflito na Ucrânia “nunca teria começado” se ele estivesse na Casa Branca em fevereiro de 2022. “Era uma guerra que deveria ter durado três dias, mas já leva três anos e meio, com milhares de mortos semanalmente”, afirmou o Presidente norte-americano.

Na intervenção, Trump sublinhou que Pequim e Nova Deli são “os pilares financeiros” de Moscovo e também apontou críticas aos aliados europeus. “Estão a alimentar a guerra. E até países da NATO continuam a comprar energia russa. Estão a financiar o inimigo contra si próprios. Quem já ouviu falar em algo tão absurdo?”, questionou. “Europa, parem já com as compras. Caso contrário, estamos todos a perder tempo”, insistiu Trump.

Numa questão que divide a Europa e os EUA, Trump apenas ameaçou impor tarifas de grande escala à Rússia caso o Kremlin (presidência russa) não aceite negociar a paz. “Serão tarifas devastadoras. E, se os aliados europeus não se juntarem, de nada servirá. São vocês que estão ao lado de Moscovo, não nós”, frisou Trump.

O Presidente acrescentou que o seu Governo está pronto para liderar uma coligação internacional de sanções comerciais, mas que o sucesso depende do envolvimento europeu. Sobre o risco de novos conflitos armados, Trump apelou a um esforço global para travar o desenvolvimento de armas biológicas. “Depois da pandemia, não podemos tolerar mais riscos. Vamos liderar um sistema de verificação com Inteligência Artificial, e espero que a ONU, pela primeira vez, consiga desempenhar um papel útil”, anunciou o Presidente norte-americano, reforçando as críticas à ONU.

Israel fecha fronteira entre Cisjordânia e Jordânia

Também esta terça-feora, a Autoridade Palestina e a Jordânia denunciaram que Israel vai fechar a partir de quarta-feira, “até nova ordem”, a principal passagem de fronteira entre a Cisjordânia ocupada e território jordano, por onde a ajuda humanitária entra em Gaza.

“O lado israelita informou-nos sobre o encerramento da passagem de al-Karameh a partir de amanhã, quarta-feira… e até novo aviso, em ambas as direções”, afirmou a Autoridade Palestina para Travessias e Fronteiras num comunicado, citando a sua presidente, Nazmi Muhanna.

As autoridades jordanas confirmaram igualmente o encerramento do posto, também conhecido como ponte do rei Hussein, sublinhando que foi fechado “do outro lado ao tráfego de passageiros e mercadorias, até nova ordem”.

O Governo de Israel não confirmou, para já, a decisão.

No entanto, a Autoridade de Aeroportos de Israel, responsável pela gestão das passagens fronteiriças, afirmou que a decisão resulta de uma ordem do Governo, sem que tenham ainda sido avançados os motivos, segundo noticiou o jornal israelita The Times of Israel.

Localizada no vale do Jordão, esta é a única passagem que permite aos palestinianos da Cisjordânia sair do território sem terem de atravessar Israel, que ocupa a área desde 1967.

A passagem tinha já sido encerrada na quinta-feira passada depois de um camionista jordano, que transportava ajuda humanitária para Gaza, ter aberto fogo junto ao lado controlado por Israel na ponte Allenby, matando dois soldados israelitas.

O exército israelita, que abateu depois o alegado atacante, pediu então a Amã que suspendesse a passagem de ajuda com destino à Faixa de Gaza, devastada por quase dois anos de guerra. As autoridades jordanas condenaram o sucedido e abriram a sua própria investigação ao caso.

Peritos da ONU querem que FIFA e UEFA excluam Israel por “genocídio” na Palestina

Entretanto, oito peritos da ONU, incluindo a relatora para a Palestina, Francesca Albanese, exortaram a FIFA e a UEFA a suspender a seleção de futebol de Israel das competições internacionais “como resposta ao genocídio em curso no território palestiniano ocupado”.

“As entidades desportivas não devem virar a cara a graves violações dos direitos humanos, especialmente quando as suas plataformas são utilizadas para normalizar injustiças”, justifica o grupo, num comunicado conjunto no qual defendem que “o desporto deve rejeitar a perceção de que tudo continua como de costume”.

Recordam que a Comissão de Inquérito da ONU sobre o Território Palestiniano Ocupado concluiu, num relatório publicado na semana passada, que Israel “está a cometer genocídio em Gaza”.

De igual modo, frisam que o Tribunal Internacional de Justiça sublinhou, numa decisão de 2024, que todos os países têm obrigação legal de agir contra este crime grave. “As seleções nacionais que representam Estados que cometem violações massivas dos direitos humanos podem e devem ser suspensas, como aconteceu no passado”, sublinham.

Os peritos acrescentaram que os Estados onde têm sede as organizações internacionais, os que acolhem competições e os que participam em eventos desportivos com Israel “devem ter em conta as suas próprias obrigações de não permanecer neutros perante o genocídio”.

No documento é referido que o boicote “deve dirigir-se ao Estado de Israel e não aos jogadores individualmente”, uma vez que entendem que estes não podem suportar as consequências das decisões do seu governo, pelo que não deve haver discriminação nem sanções contra desportistas pela sua origem ou nacionalidade.

Juntamente com Francesca Albanese, reconhecida crítica da atuação de Israel em Gaza nos últimos dois anos, assinam o comunicado os relatores da ONU para os direitos culturais (Alexandra Xanthaki), racismo e xenofobia (K.P. Ashwini), e os quatro membros do Grupo de Trabalho sobre empresas e direitos humanos.

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