Crédito continua a crescer na Zona Euro e massa monetária volta a abrandar

As famílias e as empresas europeias estão a aproveitar os juros mais baixos para financiar habitação e realizar investimentos, enquanto a liquidez especulativa está a dar lugar à economia real.

As famílias e empresas europeias conseguiram mais facilmente empréstimos em agosto, aproveitando juros mais baixos para comprar casa e investir nos seus negócios. Ao mesmo tempo, há menos dinheiro a circular na economia sem destino produtivo -um sinal de que a política do Banco Central Europeu (BCE) está a funcionar como previsto, direcionando recursos para quem realmente precisa em vez de alimentar especulação financeira.

Os dados divulgados esta quinta-feira pelo Banco Central Europeu (BCE) revelam uma evolução divergente entre a oferta de crédito e a liquidez global, sugerindo que a transmissão da política monetária está a operar de forma mais eficaz, canalizando recursos para a economia produtiva em detrimento da acumulação de liquidez especulativa.

O setor das famílias europeias beneficiou de condições de financiamento mais favoráveis em agosto, com “a taxa de crescimento anual dos empréstimos ajustados às famílias a fixar-se em 2,5% em agosto, em comparação com 2,4% em julho”, segundo o comunicado oficial do BCE. Esta aceleração representa o ritmo mais elevado de crescimento do crédito aos particulares desde abril de 2023.

A melhoria no acesso ao financiamento das famílias reflete diretamente o impacto das sucessivas descidas das taxas diretoras do BCE. Com a taxa de depósitos situada nos 2%, após oito cortes desde junho do ano passado em 200 pontos base, os custos de financiamento bancário diminuíram substancialmente, tornando o crédito mais acessível para milhões de europeus.

Em Portugal, esta tendência é particularmente evidente no mercado imobiliário. Os dados do Banco de Portugal mostram que “o stock de empréstimos para habitação aumentou 8,1% em julho, o crescimento mais elevado desde agosto de 2008″, confirmando que o ciclo de descidas das taxas está a produzir os resultados esperados no estímulo ao investimento habitacional.

Os dados de agosto do BCE sugerem que a política monetária do BCE está a funcionar conforme esperado, com a transmissão das descidas das taxas diretoras a traduzir-se em maior financiamento à economia real.

O setor empresarial não financeiro registou uma aceleração ainda mais pronunciada no acesso ao crédito. “A taxa de crescimento anual dos empréstimos ajustados às empresas não financeiras aumentou para 3% em agosto, face aos 2,8% de julho”, representando o maior ritmo de expansão do financiamento empresarial desde junho de 2023. Esta evolução sugere que as empresas europeias estão a intensificar os seus planos de investimento, aproveitando o ambiente de taxas de juro mais baixas para financiar projetos de modernização e expansão.

Contrariando a tendência de crescimento do crédito, o agregado monetário M3 registou um abrandamento significativo em agosto. “A taxa de crescimento anual do agregado monetário amplo M3 diminuiu para 2,9% em agosto de 2025, face aos 3,3% de julho”, marcando a terceira desaceleração desde o início do ano.

Esta evolução aparentemente contraditória esconde uma dinâmica monetária saudável. O M3, que representa toda a liquidez em circulação na Zona Euro, está a crescer a um ritmo mais moderado porque os recursos estão a ser canalizados para financiar a economia real em vez de se acumularem em formas líquidas improdutivas.

“A taxa de crescimento anual do agregado monetário mais restrito M1, que inclui moeda em circulação e depósitos à vista, manteve-se em 5% em agosto, inalterada face ao mês anterior”, refere o BCE em comunicado. Esta estabilidade do M1 indica que as famílias e empresas mantêm níveis adequados de liquidez imediata, sem excessos especulativos.

Os dados de agosto do BCE sugerem que a política monetária do BCE está a funcionar conforme esperado, com a transmissão das descidas das taxas diretoras a traduzir-se em maior financiamento à economia real. No entanto, o abrandamento do M3 levanta questões sobre a necessidade de ajustes adicionais.

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