Os três conselhos do Governo para as empresas que querem adotar IA
O secretário de Estado para a Digitalização, Bernardo Correia, deixou dicas para as empresas sobre a adoção de IA, apelando à coragem: “Temos de ser curiosos, temos de não ter medo de correr riscos."

O secretário de Estado para a Digitalização, Bernardo Correia, deixou esta quarta-feira três orientações às empresas portuguesas que pretendam aplicar inteligência artificial (IA) nos respetivos processos e negócio.
“Aos empresários, deixo apenas três conselhos. Uma vez que a inteligência artificial é uma transformação muito diferente daquelas a que temos assistido até nas nossas vidas, acho que há três coisas fundamentais que as empresas têm de fazer”, afirmou o secretário de Estado.
Os conselhos foram dados durante uma intervenção na 1.ª Talk .IA, organizada no âmbito da Comunidade .IA, uma iniciativa editorial do ECO dedicada a debater e promover o uso da IA pelas empresas. Conheça as três dicas do governante.
Apoiar a inovação e investir em I&D
O primeiro conselho de Bernardo Correia é “apoiar a inovação e investir em investigação e desenvolvimento da inteligência Artificial”. Bernardo Correia destacou a importância da colaboração entre empresas, universidades e centros de competências técnicas.
O secretário de Estado para a Digitalização sublinhou também a necessidade de curiosidade, criatividade e coragem para assumir riscos calculados: “Temos de ser curiosos, temos de não ter medo de correr alguns riscos, obviamente ponderando os desafios e ponderando toda a parte ética, mas temos de usar a nossa criatividade, que é aquilo que em Portugal fazemos melhor, para moldar um futuro melhor para o país.”
Construção de capital humano
O segundo ponto centra-se na formação e capacitação do capital humano. Segundo o secretário de Estado, as empresas devem investir numa força de trabalho preparada para trabalhar com IA, promovendo a adoção da tecnologia de forma transversal a todos os colaboradores.
Bernardo Correia defendeu que as empresas devem investir “numa força de trabalho capacitada para a inteligência artificial e já agora promover a adoção generalizada e o acesso universal à tecnologia transversalmente a todos os colaboradores”.
Investir em infraestrutura de IA e poder computacional
O terceiro conselho é mais técnico, mas considerado pelo secretário de Estado como “absolutamente essencial”: investir em infraestrutura e poder computacional. Bernardo Correia comparou esta necessidade ao fornecimento de eletricidade numa empresa: “Não fazer isto é como dizer que a eletricidade vai ser muito importante para a minha empresa e depois não ter um gerador ou não ter ligação à rede elétrica.”
Bernardo Correia defendeu que, sem infraestrutura adequada, não se consegue implementar qualquer solução de IA. “Portanto, também é absolutamente essencial que as empresas entendam que é preciso investir nessa infraestrutura e nessa capacidade computacional, porque senão não se consegue fazer nada disto”.
É absolutamente essencial que as empresas entendam que é preciso investir nessa infraestrutura e nessa capacidade computacional, porque senão não se consegue fazer nada disto”.
“A máquina pública é um labirinto”, diz o secretário de Estado da Digitalização
Na sua intervenção nesta conferência dedicada às barreiras à adoção de IA pelas empresas, Bernardo Correia salientou que “a máquina pública é um labirinto”. “As pessoas perdem a paciência, perdem a esperança. Mesmo os mais resilientes de nós arrancamos muitos cabelos a lidar com a máquina pública”, defendeu. Foi desta forma que o secretário de Estado da Digitalização descreveu a realidade da Administração Pública, sublinhando a urgência de introduzir mais inovação e tecnologia no setor.
O governante explicou que foi precisamente esse desafio que o levou a aceitar integrar a equipa do Ministério da Reforma do Estado: “É um bocadinho para tentar ajudar, a tentar resolver isso, que eu aceitei o desafio também de me juntar à equipa e ao Ministério da Reforma do Estado.”
Segundo Bernardo Correia, a Administração Pública precisa de libertar recursos e tornar-se mais produtiva, e é aqui que a transformação digital e a inteligência artificial assumem um papel central. “Nós temos de saber libertar recursos da administração pública para fazer mais e melhor e tornar as pessoas que estão na administração pública mais produtivas. E é aqui que entra a questão da inteligência artificial e a questão da transformação digital.”
Apesar de Portugal ocupar atualmente o 8.º lugar no ranking europeu da transformação digital, o secretário considerou que essa posição não é suficiente: “Não chega estar no oitavo lugar. Nós temos de estar no pódio, temos de estar pelo menos no pódio, senão no primeiro lugar, e temos de saber ser líderes.”
Nesse caminho, Bernardo Correia defendeu a importância de observar as práticas de outros países e adotar rapidamente as melhores soluções já testadas. “É importante nós fazermos o nosso benchmarking e sabermos que outros países é que estão a fazer bem o quê, para roubar as melhores ideias — com orgulho de tirar as melhores ideias. Não temos de estar a reinventar a roda em Portugal a toda a hora. Temos de ir buscar as melhores ideias a todo o lado, implementar rapidamente essas boas ideias e depois criar, sim, melhores ideias em cima dessas.”
Veja aqui a intervenção do secretário de Estado para a Digitalização na íntegra:
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