SNS é “presa fácil para interesses instalados”, critica Gouveia e Melo
Candidato presidencial critica "irracionalidade administrativa” na gestão do Serviço Nacional de Saúde. Diploma dos médicos tarefeiros não foi, afinal, ao Conselho de Ministros desta quarta-feira.
Henrique Gouveia e Melo, candidato às eleições presidenciais do próximo ano, defende a necessidade de “promover uma reforma profunda na saúde”. “Nos últimos dez anos duplicámos o investimento nessa área e não duplicámos a qualidade dos serviços de saúde, nem de perto nem de longe”, realça, em entrevista ao Diário de Notícias (acesso pago) a propósito do livro “Gouveia e Melo – As razões”.
Quando contactou com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) para coordenar a campanha de vacinação contra a Covid-19, encontrou “uma coisa super horizontalizada, sem estrutura verdadeiramente coordenadora”. “Havia demasiados príncipes e principados, e nem os sistemas informáticos falavam entre si (…). Aquilo era um pandemónio”, critica, apontando que “um único sistema seria mais racional e economicamente melhor”.
Essa incapacidade, no entender de Gouveia e Melo, é “multifatorial”: “Vem da negligência dos administradores, de uma estrutura que privilegia esse tipo de coisas, da legislação que facilita um tal funcionamento; por fim, tudo isso gera negócios e interesses laterais, que tolhem as decisões mais racionais”. “Esta irracionalidade administrativa cria um sistema que é presa fácil de interesses instalados, corporativos e individuais, que tornam a gestão do SNS como um todo muito ineficiente e, simultaneamente, com custos muito mais elevados para o contribuinte“, acrescenta.
A entrevista ao ex-coordenador da task force da vacinação contra a Covid-19 é publicada no mesmo dia em que o Diário de Notícias (acesso pago) revela que a suposta versão final do diploma que regula a atividade dos médicos tarefeiros, que deveria ter sido finalizado em setembro e ido ontem a Conselho de Ministros, foi, afinal, “suspensa”, mesmo após ter sido aprovada, sob reserva, uma primeira versão no Conselho de Ministros de 22 de outubro.
Segundo fontes do setor, esta suspensão terá acontecido para “evitar mais uma crise na saúde”, depois de mais de mil médicos tarefeiros, num grupo criado recentemente no WhatsApp, terem anunciado uma paralisação geral das urgências do Serviço Nacional de Saúde (SNS) de pelo menos três dias quando o diploma entrasse em vigor. O gabinete do primeiro-ministro, porém, diz que “o diploma nunca esteve na agenda oficial” da reunião desta quarta-feira.
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