Gronelândia. Trinta eurodeputados pedem que acordo comercial seja congelado com EUA
Os eurodeputados pedem que se “congele imediatamente qualquer trâmite relativo ao acordo comercial com os EUA enquanto forem feitas reivindicações ou ameaças sobre a Gronelândia".
Um grupo de trinta eurodeputados, incluindo a portuguesa Catarina Martins, escreveu esta quarta-feira uma carta a pedir para o Parlamento Europeu congelar a aprovação do acordo comercial com os Estados Unidos devido às ameaças sobre a Gronelândia.
A carta, divulgada nas redes sociais pelo eurodeputado dinamarquês Per Clausen, é dirigida à presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, e a todos os líderes dos grupos políticos europeus, e foi subscrita por 30 eurodeputados, num total de 720.
Na missiva, os eurodeputados referem que o Parlamento Europeu “está prestes a concluir os trabalhos para aprovar (ou rejeitar) o acordo [comercial] fechado entre a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”, este verão, estando prevista uma votação em plenário em fevereiro.
“Caso avancemos e aprovemos este acordo que Trump viu como uma vitória pessoal, numa altura em que faz reivindicações sobre a Gronelândia e se recusa a excluir qualquer forma de as concretizar, isso será facilmente visto como dando-lhe uma recompensa a ele e às suas ações”, afirmam.
Para estes eurodeputados, de 13 Estados-membros da União Europeia (UE) e que pertencem aos grupos dos Socialistas e Democratas (S&D), Verdes Europeus e A Esquerda, “nem a Gronelândia, nem a Dinamarca, nem a UE sairiam beneficiadas” caso seja ratificado o acordo com os Estados Unidos no atual contexto.
Nesse sentido, este grupo de eurodeputados pede que o Parlamento Europeu “congele imediatamente qualquer trâmite relativo ao acordo comercial com os EUA enquanto forem feitas reivindicações ou ameaças sobre a Gronelândia” pela administração de Donald Trump.
Querem também que o Parlamento Europeu “comunique de forma clara e serena, tanto ao Conselho Europeu, como à Comissão Europeia e aos Estados Unidos” que a instituição não tenciona celebrar acordos com países que ameaçam a integridade territorial do bloco europeu.
Os eurodeputados instam ainda o Parlamento Europeu a “incentivar a Comissão a suspender quaisquer negociações adicionais com os Estados Unidos até deixarem de ser feitas ameaças contra a UE ou qualquer um dos seus Estados-membros”. Esta carta foi divulgada poucas horas antes de um encontro na Casa Branca entre responsáveis gronelandeses, dinamarqueses e norte-americanos sobre o futuro do território autónomo dinamarquês.
Esta reunião acontece numa altura em que Donald Trump tem reiterado que pretende anexar a Gronelândia, a bem ou a mal, por considerar que a ilha do Ártico é fundamental para a defesa dos Estados Unidos.
Este verão, a UE e os EUA atingiram um acordo político de comércio tarifário que estabelece uma tarifa de base de 15% sobre a maioria das exportações europeias para os Estados Unidos, incluindo setores como automóveis, semicondutores e produtos farmacêuticos, com esse valor a servir como teto claro para os direitos aduaneiros. Ao mesmo tempo, foi acordada a eliminação das tarifas para produtos estratégicos.
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