Apagão foi “teste fantástico” e “mal que veio por bem” para testar sistema elétrico

Na medida em que permitiu testar o sistema sem danos graves, Carmona considera que o apagão foi benéfico. Diz também que muitos projetos eletrointensivos "não verão a luz do dia".

O diretor-geral da Energia e Geologia, Paulo Carmona, considera que o apagão foi “um mal que veio por bem”, na medida em que permitiu testar o sistema e as salvaguardas, num contexto de danos controlados.

Foi um bom teste, foi uma boa simulação. Felizmente não correu mal, e há males que vêm por bem, e este foi um mal que veio por bem“, considerou Paulo Carmona, em resposta a questões sobre o apagão de 28 de abril de 2025, no âmbito de uma audição requerida pelo grupo de trabalho parlamentar dedicado a este tema, na Assembleia da República.

O diretor geral entende que “foi um teste excelente” e “fantástico” ao sistema”, na medida em que não houve dano nas redes de transporte de eletricidade, não foi ciberataque nem terrorismo e não regista danos humanos, apesar de reconhecer os prejuízos financeiros.

Ainda assim, serviu para perceber “o que é que funcionou bem, o que é que funcionou menos”, e não seria possível perceber a eficácia dos sistemas de blackstart na ausência deste evento, defende. O apagão “provou que estávamos bem mas há coisas que podemos melhorar ainda”, como o enquadramento legislativo, indicou.

Relatório de março apontará culpados e indemnizações. Portugal protegido

Sobre os prejuízos, Carmona afirma que a DGEG não foi abordada por nenhuma entidade que procurasse esclarecimentos neste âmbito. Contudo, assume ter conhecimento de que muitas empresas, seguradoras nomeadamente, estão preocupadas com ressarcir, basicamente cumprir as apólices, e saber onde vão buscar esta verba.

O diretor geral afirma que “está tudo na expectativa” em relação às conclusões do relatório da Rede Europeia de Operadores de Sistemas de Transporte de Eletricidade (ENTSOE), que será divulgado em março. “Virá com um nível de responsabilidades em que possa acionar os advogados e as causas cíveis por parte das seguradoras”, prevê.

Em relação a responsabilidades, não crê que recaiam sobre Portugal. “Não é que eu fique contente com as barbas do vizinho a arder, mas eles têm um problema, porque aquilo [o apagão] foi originado em Espanha. Portugal não tem, seguramente. Nós somos relativamente inimputáveis“, entende, tendo em conta que não era possível Portugal ter evitado o acontecimento.

“Muitos” projetos “não verão a luz do dia”

Portugal está “no mapa” para a construção de centros de dados e produção de hidrogénio verde, indústrias que consomem quantidades muito elevadas de energia renovável. Para ilustrar, Carmona apontam que em Portugal registam-se cerca de 9 gigawatts de potência de consumo e produção diárias.

Por seu lado, os projetos, os pedidos de consumo, estão na casa dos 30 gigawatts, o que significa triplicar a capacidade renovável existente, para poder dar resposta. “Muitos deles não verão luz no dia”, reconheceu.

Questionado sobre o que pensa em relação à instalação de centrais nucleares no país, Carmona afirma que “é uma questão política” e não técnica. Ainda assim, “nesta altura, Portugal não tem necessidade de ter nuclear, mas é algo que não se deve descartar pela questão mais de soberania energética no futuro”, defendeu.

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