Direto Partidos pressionam Montenegro a escolher entre Seguro e Ventura na segunda volta das presidenciais
Debate quinzenal decorreu três dias depois do candidato apoiado pelo Governo nas presidenciais ter saído derrotado. Chega desafia Montenegro a escolher Ventura, mas primeiro-ministro não cede.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, esteve esta quarta-feira no Parlamento, pela primeira vez desde a primeira volta das eleições presidenciais, na qual Luís Marques Mendes, o candidato apoiado por PSD e CDS, ficou em quinto lugar com 11,30% dos votos. No rescaldo da derrota, Montenegro esclareceu que o PSD não vai apoiar nenhum dos candidatos que vão à segunda volta – o líder do Chega, André Ventura, e o ex-secretário-geral do PS, António José Seguro.
Durante o debate quinzenal, os partidos pressionaram o primeiro-ministro a escolher um dos dois candidatos apurados para a segunda volta. Mas Luís Montenegro não cedeu.
O Chega desfiou o chefe do Executivo a indicar Ventura: “Vai votar ao lado do socialismo ou ao lado de quem combate o socialismo?”, atirou o líder parlamentar, Pedro Pinto. “Passaram à segunda volta um candidato socialista e um candidato que combate o socialismo, por isso escolha. É a oportunidade única de derrotar o socialismo em Portugal”, afirmou.
Também à esquerda, o PCP e o Livre quiseram saber qual o posicionamento de Montenegro, mas o primeiro-ministro não arredou pé: “Temos três grandes espaços políticos sem menosprezo cada partido nesta casa, um espaço à direita, à esquerda e um espaço central”. Mas, nesta altura, “temos uma campanha em que o nosso espaço não está representado”.
Em contrapartida, Montenegro acusou PS e Chega de fazerem “pontes”. À persistência de Pedro Pinto sobre a escolha do primeiro-ministro entre Ventura e Seguro, o chefe do Executivo ripostou: “Em matéria de pontes, o Chega fez 82 pontes com o PS no último Orçamento do Estado”.
Saúde e habitação também marcaram o debate quinzenal desta quarta-feira, com Luís Montenegro a recusar a existência de um “caos no SNS”. “Existem constrangimentos”, argumentou. Mas Fabien Figueiredo acusou o Governo de “navegar à margem da realidade” e criticou o “erro de perceção” do Executivo na área da saúde.
O PSD elogiou as políticas na área da habitação com Hugo Soares a aproveitar para ler uma carta de uma cidadã que pela primeira vez, aos 33 anos, conseguiu comprar casa graças a medidas como a isenção do IMT e IS e garantia bancária pública. Mas Mariana Leitão rejeitou tal otimismo, criticando o Governo de “viver no mundo das maravilhas”, sem noção da “realidade e dos problemas”.
O pacote laboral passou de soslaio no debate quinzenal. O deputado do BE, Fabien Figueiredo, confrontou Montenegro com as palavras da ministra do Trabalho que disse que avançava mesmo sem acordo em concertação social. “Vai impor o pacote laboral?”, perguntou. Mas o primeiro-ministro já não teve tempo para responder.
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