Venezuela encaixa 300 milhões com petróleo após acordo com EUA. Novo petroleiro apreendido

  • Lusa e ECO
  • 21 Janeiro 2026

Menos de duas semanas após a captura de Maduro, os EUA realizaram a sua primeira venda de crude venezuelano. EUA detêm mais um petroleiro nas Caraíbas e Corina Machado quer voltar ao país.

A presidente interina da Venezuela anunciou terça-feira um acordo de 500 milhões de dólares para a venda de crude da nação sul-americana.

“Dos 500 milhões de dólares iniciais, 300 milhões de dólares já foram recebidos”, frisou Delcy Rodríguez durante uma visita a um centro comunitário em Caracas, num evento transmitido pela emissora estatal Venezolana de Televisión (VTV).

Segundo a governante, estes recursos serão utilizados para “cobrir e financiar” o salário dos trabalhadores, bem como para “protegê-lo da inflação” e do “impacto negativo das flutuações do mercado cambial”.

A moeda oficial da Venezuela é o bolívar, mas o dólar norte-americano, e ocasionalmente o euro, são utilizados como referência para a fixação de preços de bens e serviços.

A taxa de câmbio oficial é definida pelo Banco Central da Venezuela (BCV). No entanto, existe um mercado paralelo com uma taxa de câmbio mais elevada, o que criou uma diferença entre as taxas de câmbio, o que significa que os produtos podem ter preços diferentes consoante a moeda utilizada para a compra.

Como explicou na semana passada, a presidente interina reiterou que estas receitas provenientes da venda de crude serão “utilizadas e empregues” através do mercado cambial, no sistema bancário nacional e através do BCV, “para consolidar e estabilizar o mercado”, acrescentou.

Na quinta-feira, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, destacou um acordo de 500 milhões de dólares assinado entre Washington e Caracas, segundo o qual os EUA vão comercializar até 50 milhões de barris de crude venezuelano e gerir as receitas antes de as transferirem para o país sul-americano.

Leavitt referiu na altura que a administração liderada por Delcy Rodríguez cumpriu “todos os requisitos e solicitações” da administração Donald Trump.

Rodríguez assumiu a presidência após os ataques norte-americanos em Caracas e em outros três estados, que resultaram na captura do Presidente venezuelano Nicolás Maduro e da sua mulher, a congressista Cilia Flores, que continuam detidos em Nova Iorque.

Desde então, Trump afirmou ter solicitado “acesso irrestrito” aos recursos petrolíferos venezuelanos, enquanto o seu secretário de Energia, Chris Wright, assegurou que os EUA controlarão a venda de crude venezuelano por um período indefinido.

EUA detêm mais um petroleiro nas Caraíbas perto da Venezuela

Os Estados Unidos divulgaram terça-feira a apreensão de um petroleiro no mar das Caraíbas, a sétima operação deste tipo desde que o Presidente Donald Trump impôs em dezembro um bloqueio aos navios sob sanções ligadas à Venezuela.

O Sagitta “estava a operar em desafio à quarentena imposta aos navios sob sanções pelo Presidente Trump”, explicou o Comando Sul dos EUA, acrescentando que a operação decorreu “sem incidentes”.

Segundo vários observadores de tráfego marítimo, a embarcação já tinha navegado sob as bandeiras do Panamá e da Libéria.

O comando militar norte-americano, que divulgou a operação nas redes sociais, não informou se a Guarda Costeira dos EUA assumiu o controlo do petroleiro, como ocorreu em apreensões anteriores.

“O único petróleo que sairá da Venezuela é o petróleo autorizado”, acrescentou esta força militar numa mensagem acompanhada de um vídeo que mostra o navio no mar.

Entre os sete petroleiros intercetados pelos Estados Unidos está uma embarcação ligada à Rússia, apreendida no Atlântico Norte após uma perseguição de semanas no âmbito do bloqueio americano às exportações de petróleo venezuelano.

A riqueza petrolífera da Venezuela, país que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, está no centro da intervenção dos EUA naquele país, onde o presidente Nicolás Maduro foi preso pelos norte-americanos.

María Corina Machado aponta como principal objetivo “regressar à Venezuela”

A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou na capital dos Estados Unidos que o principal objetivo imediato é “regressar à Venezuela” o mais rapidamente possível.

“O que eu quero é voltar para a Venezuela”, disse Machado aos jornalistas, na terça-feira, em Washington, no Congresso, o parlamento norte-americano, onde manteve vários contactos.

A líder da oposição reuniu-se com os congressistas cubano-americanos Mario Díaz-Balart e Carlos Giménez e, posteriormente, com membros da Comissão de Negócios Estrangeiros da Câmara dos Representantes, a câmara baixa do parlamento.

“A Venezuela será livre. E, assim que libertarmos a Venezuela, continuaremos a trabalhar e teremos uma Cuba livre e uma Nicarágua livre”, afirmou Machado, numa conferência de imprensa em que foi acompanhada por Giménez e Díaz-Balart.

A Prémio Nobel da Paz de 2025 afirmou que a Venezuela vive um momento histórico, após a captura do Presidente venezuelano Nicolás Maduro por parte dos Estados Unidos.

Em 03 de janeiro, tropas norte-americanas depuseram Maduro durante um ataque na Venezuela que resultou na captura e transferência do líder chavista e da mulher, Cilia Flores, para Nova Iorque, onde ambos enfrentam acusações de tráfico de droga.

“Não estaríamos aqui se não fosse o empenho, a resiliência, a generosidade e a coragem do povo venezuelano, mas também porque tivemos o apoio, a visão e a coragem de líderes incríveis como o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e membros do Congresso”, acrescentou Machado.

Horas antes, Trump afirmou que gostaria de envolver Corina Machado no futuro da Venezuela, em conferência de imprensa em Washington, no dia em que se assinala o primeiro ano do seu regresso à Casa Branca.

“Estamos em negociações com ela e talvez possamos envolvê-la de alguma forma. Gostava muito de poder fazê-lo”, declarou sem detalhes.

Até à data, os Estados Unidos tinham excluído María Corina Machado do processo de transição, considerando que não tem apoio interno suficiente para liderar o país.

O principal democrata na Comissão de Negócios Estrangeiros da Câmara dos Representantes, Gregory Meeks, afirmou, após a reunião com Machado, que a dirigente venezuelana prevê um calendário “diferente do do Presidente [Trump]” para a transição para a democracia na Venezuela.

Meeks afirmou que Machado, apesar de ter sido pressionada pelos membros da comissão para dar mais detalhes sobre o encontro que teve com Trump apenas quatro dias antes, na Casa Branca, “não quis dizer nada contra o Presidente dos Estados Unidos, por isso guardou as suas palavras [de Trump] para si”.

“Ela teve muito cuidado com as palavras, porque quando se diz algo de que o Presidente não gosta, há repercussões”, acrescentou Meeks.

O democrata considerou necessário o afastamento do atual Governo da Presidente interina, Delcy Rodríguez, para permitir que os milhões de venezuelanos que fugiram durante a presidência de Maduro regressassem ao país.

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