Portuguesa Sword compra rival alemã Kaia por 285 milhões de dólares
A startup adquiriu a concorrente alemã naquele que é o seu maior negócio até à data, expandindo a presença nos EUA e marcando a sua entrada na Alemanha.
A Sword Health vai adquirir a concorrente alemã Kaia Health por 285 milhões de dólares (cerca de 237 milhões de euros), anunciou o seu fundador e CEO, numa entrevista à Bloomberg TV. É o maior negócio até à data da startup portuguesa liderada por Virgílio Bento, que reforça assim a sua presença nos EUA e entra por esta via no mercado alemão. O “unicórnio” quer ainda este trimestre levantar cerca 500 milhões no mercado para alavancar futuras aquisições e expansão.
“Em 2026, vamos estar muito ativos em aquisições. Esta é a primeira“, afirmou Virgílio Bento no programa “Opening Trade” da Bloomberg TV, apontando a mira a novos anúncios ao longo do primeiro semestre: “Esperamos anunciar mais algumas na primeira metade do ano. Estamos a ser mais expansionistas.”
Com esta aquisição, a Sword Health vai substituir a solução músculo-esquelética da Kaia nos Estados Unidos, com os membros desta a passarem a ter acesso à plataforma de AI Care do unicórnio português, segundo revela em comunicado entretanto enviado às redações.
Além disso, a empresa sediada em Nova Iorque ganha acesso ao sistema de reembolso de saúde digital da Alemanha, que cobre mais de 70 milhões de clientes, de acordo com Virgílio Bento.
A Kaia Health, com sede em Nova Iorque e Munique, na Alemanha, é apoiada por investidores como a Optum Ventures, a Balderton Capital e a Eurazeo, tendo angariado cerca de 125 milhões de dólares numa série de rondas de financiamento até 2021. Esta empresa alemã fornece soluções digitais avançadas para o tratamento de dores crónicas e musculoesqueléticas, através do programa MSK que utiliza tecnologia de rastreamento de movimentos baseada em inteligência artificial para fornecer feedback em tempo real sobre os exercícios, garantindo que os utilizadores realizem os movimentos de forma correta e segura — tudo a partir da conveniência do seu dispositivo móvel.
Ao mesmo tempo, a startup portuguesa pretende angariar cerca de 500 milhões de dólares no primeiro trimestre, tendo em vista financiar a sua expansão e potenciais futuras aquisições — um valor que equivale, aproximadamente, ao que a Sword angariou em rondas de financiamento até à data.
“Há um interesse latente no mercado para que façamos uma nova ronda de financiamento. Tivemos um fluxo de caixa positivo em 2025, enquanto crescemos muito rapidamente. Trata-se realmente da estratégia de fusões e aquisições e da opção para negócios futuros”, explicou o CEO da Sword na entrevista ao canal.
Citado no comunicado, Virgílio Bento destaca que esta aquisição reforça a missão da Sword de “democratizar, através da inteligência artificial, o acesso a cuidados de alta qualidade em todo o mundo”.
A operação anunciada esta quarta-feira surge depois de, em novembro passado, a Sword Health ter assinado um acordo para a gestão tecnológica da linha do sistema de saúde da Grécia, que inclui a triagem telefónica nacional alicerçada em inteligência artificial (IA), supervisionada por equipas clínicas.
Virgílio Bento afastou, na altura, qualquer intenção de dispersar capital da empresa em bolsa. Em entrevista à Bloomberg, o CEO da startup portuguesa considerou que gerir uma cotada é “terrivelmente aborrecido”, dando prioridade a escalar o negócio com recurso a capital privado.
Fundada há cerca de uma década no Porto, e atualmente sediada em Nova Iorque, a Sword Health foi avaliada em 4 mil milhões de dólares na última ronda de financiamento de 2025 e tem como investidores fundos norte-americanos, entre os quais a Founders Fund (que investiu em empresas como SpaceX e Palantir), a Khosla Ventures e o General Catalyst.
(Notícia atualizada pela última vez às 11h06)
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