Custo de carregamento de veículos elétricos pode aumentar para proteger investimentos

  • Lusa
  • 14:56

Líder da APOCME diz ainda que o novo quadro regulamentar vai levar a um verticalização do setor, o que fará com que "players no mercado com menor capacidade tenham mais dificuldade em manter-se".

O presidente da associação de operadores e comercializadores de mobilidade elétrica admitiu um possível aumento dos custos nos carregamentos de veículos elétricos, registando que o novo regime não protegeu o investimento dos operadores no mercado.

“O decreto-lei não protege os investimentos feitos por quem esteve no mercado até agora e que não podem ser postos de lado. É importante perceber que foram feitos investimentos de muitos milhões de euros por investidores privados”, referiu o presidente da Associação Portuguesa de Operadores e Comercializadores de Mobilidade Elétrica (APOCME), Carlos Ferraz, no parlamento.

Aos deputados da Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, o responsável da associação disse que este investimento dos operadores foi feito para alcançar os padrões de um paradigma que existia “e está a ser radicalmente alterado”.

Nesse sentido, registou que caso esses investimentos não sejam protegidos, “vai haver, garantidamente, alguma forma de ter de passar, eventualmente, os custos para o utilizador final”. De igual forma, também em zonas com menos utilização deverá haver custos mais altos.

“O decreto-lei não refere, por exemplo, aquilo que são os custos fixos de operação em locais com menos utilização, não há uma diferenciação positiva para esses locais, portanto, automaticamente, aí também os custos poderão ser mais altos”, afirmou Carlos Ferraz.

O presidente da APOCME disse ainda que o novo quadro regulamentar vai levar a uma verticalização do setor, o que pode fazer com que players no mercado com menor capacidade tenham mais dificuldade em manter-se”.

“Parece-nos que haverá aqui um afunilamento daquilo que serão as ofertas em termos de empresas que possam dar suporte à mobilidade elétrica em Portugal”, constatou.

O dirigente da associação pediu alterações ao prazo para o período de transição, que termina no final deste ano, para que os operadores se possam ajustar “àquilo que são as necessidades do sistema”.

Carlos Ferraz assinalou que o novo regulamento pode permitir a entrada de operadoras estrangeiras, mas, por outro lado, dificultar a atividade de operadores que já estejam no mercado atual.

“Posso dizer que há uma entidade em Portugal, que trabalha na área do retalho, que tem supermercados que trabalham de forma isolada. Cada um destes supermercados é um operador registado em Portugal e é um operador que opera um posto de carregamento ou dois postos de carregamento. Este novo modelo, garantidamente, não vai facilitar a esses operadores subsistirem no mercado”, advertiu.

Carlos Ferraz disse ainda que a APOCME não tem problemas com a coexistência do novo modelo e do modelo antigo, em que a Mobi.E atua como entidade gestora da rede, mas pediu equidade na qualidade de serviço e cumprimento dos regulamentos.

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