Zurich: “Há danos elevados em indústrias, hotéis e pequenos negócios”
Rosário Lima, responsável pelos sinistros na Zurich Portugal, esteve nas zonas mais afetadas pela Kristin. De regresso a Lisboa explica o que viu e como a seguradora decidiu reagir caso a caso.

A Chief Claims Officer, ou seja, a responsável máxima pela área de sinistros da seguradora Zurich Portugal, Rosário Lima, não ficou a coordenar desde Lisboa as muitas participações que se avizinhavam desde a fatídica madrugada de 27 de janeiro que destruiu o centro do país. A companhia tem uma longa herança de segurados, está em Portugal desde 1918, e é uma das maiores companhias nos ramos multiriscos habitação, comercial e industrial e em automóvel. De regresso da área devastada, foi entrevistada por ECOseguros.
Qual o tipo de dificuldades que o trabalho de avaliação de danos e de peritagem estão a atravessar?
O principal desafio que enfrentamos atualmente é o elevado volume de sinistros que nos chegam diariamente. Este cenário é agravado pela dificuldade de acesso a muitos locais, a deslocalização de pessoas para casas de familiares – dada a impossibilidade de permanecerem nas suas residências – e pelas comunicações, que ainda não estão totalmente restabelecidas em algumas áreas que dificulta a realização das peritagens, orçamentação e avaliação de danos com a celeridade que é requerida. Desde o início da tempestade, as nossas equipas e os parceiros de peritagem têm estado permanentemente no terreno, com prioridade para as zonas mais afetadas.
Quantas participações de sinistros registou a Zurich e quantas estão solucionadas?
Já foram participadas dezenas de milhares de sinistros e existe a expectativa de aumento à medida que as necessidades básicas estejam supridas, assim como as comunicações restabelecidas. O volume de sinistros relacionado com a tempestade Kristin é mais de quatro vezes superior ao habitual na Zurich.
Há muito subseguro? E ausência de seguros?
Eventos como a tempestade Kristin evidenciam a necessidade de investir na prevenção, educação e acesso à proteção do seguro. Porque, precisamente, este tipo de evento extremo tem impactos transversais nas comunidades, na nossa economia e no país como um todo. Isto é tão mais importante quando sabemos que Portugal está entre os países europeus mais expostos ao risco climático. Além da proteção que cada pessoa, cada família, cada empresa possa adquirir para garantir os seus bens e a sua atividade, acreditamos que são estes casos que justificariam a criação de um fundo nacional de catástrofe, que consideramos urgente para garantir capacidade de resposta coletiva.
Vão aplicar a regra proporcional aos subseguros?
A Zurich, como sempre, está a acompanhar de perto todas as situações decorrentes deste momento verdadeiramente excecional. Estamos a adotar medidas específicas, ajustando a nossa atuação conforme as necessidades de cada caso. Não existem regras uniformemente aplicáveis – cada situação será analisada com cuidado, tendo em conta a dimensão dos danos e a situação pessoal de cada cliente. O nosso compromisso é garantir uma abordagem personalizada e sensível às circunstâncias únicas de cada sinistro e de cada cliente.
Os dias seguintes ao Kristin também estão causar danos. São maiores, piores?
As condições climatéricas adversas que se têm seguido à tempestade Kristin podem agravar danos já existentes e causar novas ocorrências.
Os danos são em multiriscos habitação e automóvel? Outros danos?
Os danos são transversais a todos os ramos, essencialmente em multirriscos habitação e automóvel. Mas observamos também um crescimento no número de acidentes de trabalho, resultado das reparações em telhados e outros consertos que muitas pessoas têm realizado por conta própria em suas casas.
Os segurados comércio e indústria também estão com elevados danos? A interrupção de negócios também está a acontecer?
Sim. Temos conhecimento de danos elevados em empresas, indústrias, hotéis e pequenos negócios que tiveram de encerrar temporariamente as suas atividades pelo impacto da tempestade Kristin.
Quando pensa poder terminar este capítulo?
Os sinistros mais simples já estão a ser pagos. Os casos mais complexos podem exigir mais tempo devido à remoção de destroços e à documentação que é necessário produzir no âmbito das peritagens, mas estamos a fazer um esforço para agilizar o que está ao nosso alcance para que a vida das pessoas possa regressar, dentro do possível, ao normal.
Vão indemnizar provisoriamente?
Em determinadas situações o pagamento de indemnizações provisórias pode contribuir para agilizar as reparações, sobretudo face à escassez de mão de obra e materiais de construção. O nosso compromisso é garantir a indemnização integral dos danos materiais sofridos. No entanto, sempre que as circunstâncias o justifiquem, recorreremos a esta abordagem para apoiar os nossos clientes de forma célere e eficiente.
Tem uma estimativa geral dos prejuízos ou específica da Zurich que possa adiantar?
É prematuro avançar com uma estimativa global, até porque ainda estamos em período de crise. Contudo, pela dimensão dos danos, prevê-se que o montante de indemnizações a serem pagas alcance níveis inéditos no nosso país e que excedam, em larga escala, os incêndios de 2017 e tempestade Leslie em 2018 – que totalizaram 350 milhões de euros.
Como tem sido o papel desempenhado pelos agentes de seguros? Têm acompanhado os clientes ou deixam para a seguradora?
Os nossos Agentes e parceiros têm sido absolutamente fundamentais neste processo. Atuam em grande proximidade com os clientes e em total coordenação com as equipas da Zurich para acelerar todos os processos de participação de sinistros. Sabemos que estamos a lidar com situações complexas e num quadro de comunicações muito condicionado. Daí que a nossa prioridade é estar no terreno, o mais perto possível das pessoas.
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