36,8 mil eleitores arriscam não poder votar nas eleições presidenciais
Caso não haja condições para ir às urnas no dia 15, nas freguesias onde as eleições foram adiadas devido ao mau tempo, o apuramento definitivo é feito sem ter em conta a votação em falta.
Cerca de 36,8 mil eleitores arriscam não poder votar nas eleições presidenciais. A votação foi adiada por sete dias para 15 de fevereiro, próximo domingo, devido ao mau tempo, mas caso não seja possível exercer o direito de voto nesse dia, o apuramento definitivo é feito sem ter em conta essa votação, segundo a lei eleitoral para o Presidente da República. Ou seja, “não há a hipótese de novo adiamento das eleições”, explicou ao ECO o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), André Wemans.
Os concelhos de Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã e sete freguesias dos municípios de Santarém, Rio Maior, Leiria, Cartaxo e Salvaterra de Magos adiaram as eleições presidenciais, que se realizaram a 8 de fevereiro, devido às tempestades que assolaram os territórios. A lei eleitoral para o Presidente da República, no seu artigo 81.º, prevê que, “ocorrendo alguma calamidade no primeiro sufrágio ou em qualquer das circunstâncias impeditivas da votação, tratando-se de segundo sufrágio, será a eleição efetuada no sétimo dia posterior”.
Os 36.852 eleitores das 20 freguesias, onde a idas às urnas foi prorrogada por sete dias, se não puderem exercer o direito de voto no dia 15 ficam impedidos de votar, uma vez que a lei não prevê novo adiamento das eleições.

“Se se tiver revelado impossível a repetição da votação […] proceder-se-á à realização do apuramento definitivo sem ter em conta a votação em falta“, de acordo com o respetivo diploma.
“O apuramento dos votos será feito sem ter em conta essa votação, uma vez que não dá para adiar novamente as eleições”, segundo o porta-voz da CNE.
A segunda volta das eleições presidenciais, que opôs António José Seguro a André Ventura, foi adiada por sete dias em três concelhos e em sete freguesias de outros cinco municípios, em situação de calamidade, devido ao temporal que fustigou o país.
Apesar de ainda não terem sido contabilizados os votos dessas 20 freguesias, o resultado das eleições já é conhecido. O candidato apoiado pelo PS ganhou as presidenciais com 66,83% dos votos, ficando o candidato apoiado pelo Chega com 33,17%.

António José Seguro tornou-se o candidato presidencial e o político em Portugal a conseguir mais votos em democracia, superando a reeleição de Mário Soares em 1991 e a segunda maioria absoluta de Cavaco Silva.
Com 99,41% dos resultados apurados, Seguro tem 3.484.695 votos, acima dos 3.459.521 votos averbados por Mário Soares na reeleição em 1991, quando concorreu contra Basílio Horta, apoiado pelo CDS, Carlos Carvalhas, o candidato do PCP, e Carlos Marques, da UDP.
O registo de Seguro supera também a melhor votação em legislativas, conseguida por Cavaco Silva em 1991, com 2.902.351 votos e 50,6% dos votos.
Em percentagem de votos, Soares continua a ter o melhor resultado: 70,35% (na sua reeleição, em 1991), contra 66,83% de Seguro, que neste critério já garantiu a segunda melhor votação.
Seguro já tinha superado a votação de Ramalho Eanes, que na reeleição em 1980 teve 3.262.520 votos e 56,44%. A segunda melhor percentagem, 61,59%, pertencia também a Eanes, conseguida nas primeiras presidenciais após o 25 de abril.
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