Irão: Seguradoras cancelam apólices e aumentam prémios

Armadores e seguradores receiam que, se a escalada continuar, o tráfego possa ser interrompido ou redirecionado, elevando ainda mais os custos operacionais e de seguro para navios.

As principais seguradoras internacionais começaram a cancelar apólices e a reavaliar cobertura para navios que transitam pelo Golfo Pérsico e pelo Estreito de Ormuz, na sequência da intensificação dos confrontos entre forças dos Estados Unidos e Israel e o Irão. A decisão — relatada este domingo pelo site Mint — reflete o receio crescente de que o conflito se radicalize e afete diretamente as rotas marítimas estratégicas de energia.

Segundo corretores de navegação ouvidos pelo Ship&Bunker, também empresas que cobrem riscos de guerra enviaram avisos de cancelamento de apólices que cobrem navios que operam na região, como forma de permitir uma renegociação dos contratos a prémios substancialmente mais elevados. Os custos de seguro, que anteriormente representavam cerca de 0,25% do valor de reposição de um navio, podem subir até 50%, o que para um porta-contentores ou petroleiro de grande porte pode significar dezenas de milhares de dólares extra por viagem, até ser considerada uma reversão o risco em redor do Irão.

Neste momento, para um navio com um valor de casco de 100 milhões de dólares, a cobertura de risco por viagem passou de 250 mil para 375 mil dólares. Também embarcações que se dirijam a portos israelitas podem ver incrementadas em 50% a atual tarifa de 0,1% do valor do casco, devido ao risco de retaliações por parte do Irão.

A Associação de P&I norueguesa Skuld anunciou também que cancelou temporariamente a cobertura de risco de guerra para navios no Golfo pérsico e no Golfo de Omã. A medida, que entra em vigor a 5 de março, deve impactar não só o custo de cobertura como também a capacidade de assegurar com confiança rotas nessa área do comércio marítimo.

O Estreito de Ormuz é um dos pontos mais estratégicos do transporte global de energia, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, tendo como destinos principais Índia, China, Coreia do Sul e Japão. Armadores e seguradores receiam que, se a escalada continuar, o tráfego possa ser interrompido ou redirecionado, elevando ainda mais os custos operacionais e de seguro para navios que dependem desse corredor.

Além da dimensão financeira, empresas de transporte marítimo têm já ajustado as suas operações: grandes linhas como MSC e Maersk anunciaram a suspensão de travessias pelo Estreito de Ormuz como medida cautelar face à incerteza sobre a segurança das rotas e a cobertura de riscos.

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