“A minha ideia é ter o mínimo envolvimento possível, mas estarei sempre por cá para o necessário”, diz Pedro Raposopremium

Pedro Raposo assumiu um novo desafio na PRA, o de chairman, abandonando o cargo de managing partner. À Advocatus fez um balanço e perspetivou o futuro da firma.

A PRA-Raposo, Sá Miranda & Associados procedeu a uma reestruturação interna e o até então managing partner, Pedro Raposo, assumiu um novo cargo, o de chairman do escritório. Para Pedro Raposo, uma das maiores dificuldades da gestão é ter sempre de decidir, "mal ou bem".

À Advocatus, confessou que a sua ideia é ter o "mínimo envolvimento possível", mas admite que estará sempre disponível aquilo que o escritório considere necessário. Sobre o futuro, revelou que foi o "inconformismo" que levou ao crescimento da PRA e àquilo que a firma é hoje e que existem em curso vários projetos, desde internos e externos até à abertura de novas unidades económicas e novos escritórios.

Após 20 anos, assume a posição de chairman da PRA. Que motivou esta alteração na estrutura da firma?

Eu tinha decidido, há cerca de cinco anos, que nos 20 anos da PRA pretendia deixar as funções executivas. Entenderam os sócios que este seria o momento para ajustar a estrutura de governação. Mantivemos o conselho de administração, com funções de representação e eventual fiscalização e criámos uma comissão executiva para a gestão - é um modelo mais atual, mais conforme com a dimensão que a sociedade hoje tem e que permite agregar mais massa critica à gestão e envolver mais sócios nesta tarefa.

Em que vai consistir a sua nova posição?

Os meus sócios acharam que deveria ter uma posição de representação e de mediação sempre que tal seja considerado útil, confesso que a minha ideia é ter o mínimo envolvimento possível, mas estarei sempre por cá para aquilo que considerem necessário.

Pedro Raposo, chairman da PRAHugo Amaral/ECO

De que forma a sua experiência pode ajudar para este novo desafio na sua carreira?

Com o passar do tempo perdemos um pouco da agressividade, ficamos mais contemporizadores, somos levados a procurar o consenso e isso torna-se ainda mais fácil se não tivermos a responsabilidade de decidir. Uma das maiores dificuldades da gestão é ter sempre de decidir, mal ou bem, os temas não podem deixar de ser tratados e de se fazer opções. A sociedade tem hoje muitos sócios, vários escritórios, muitos colaboradores, alguém que esteja de fora, que teve a sua história e que conhece bem os cantos à casa, pode ser, em determinados momentos, uma ferramenta importante para quem gere.

O sócio Miguel Miranda assumirá o cargo de managing partner. Qual a razão para esta mudança?

O imperativo da mudança, não podemos deixar sempre tudo na mesma e a institucionalização das organizações passa necessariamente pela substituição daqueles que estiveram associados à sua fundação. O Miguel está muito bem preparado, melhor do que eu alguma vez estive, é muito respeitado pelos sócios e demais colaboradores, a sua escolha é natural.

Miguel Miranda, managing partner da PRA

Também recentemente criaram uma nova função na sociedade, o compliance officer. Como está a correr este novo cargo?

Esta a correr bastante bem, é óbvio que a mudança traz novas regras, novos procedimentos, mas na PRA gerimos bem os novos desafios.

Esta foi a resposta que quiseram dar ao mercado?

Não tem a ver com o mercado, tem a ver com responsabilidade. Com todas as alterações que têm ocorrido nos últimos anos é nossa opinião que, numa estrutura com a dimensão da PRA, esta figura se tornou imprescindível

Estas mudanças refletem alguma mudança que a PRA pretenda fazer tanto a nível interno como externo? Se sim, quais?

Temos uma linha de continuidade, mas como é evidente, à imagem do que aconteceu nos últimos anos, vamos sempre continuar a fazer coisas novas, a aceitar novos desafios. Foi este inconformismo que levou ao crescimento da PRA e aquilo que ela é hoje, e se há algo que não mudou com estas alterações, foi o inconformismo, o desejo de fazer mais e melhor, de crescer e acrescentar valor aos nossos colaboradores e clientes. Existem em curso vários projetos, desde os internos, aos externos, desde a abertura de novas unidades económicas aos novos escritórios, podemos até avançar com a internacionalização, mas será o Miguel e não eu, que de tudo isto vos vai dar nota à medida que as coisas forem acontecendo.

Escritório da PRA-Raposo Sá Miranda & Associados, em LisboaHugo Amaral/ECO

Quais são as perspetivas para este ano para a PRA?

São bastante boas, vamos crescer a dois dígitos, provavelmente iremos integrar mais um ou dois escritórios e abrir uma nova unidade económica.

Qual o principal desafio que a advocacia enfrenta atualmente?

Temos de ser mais inclusivos e solidários. Todos falamos da massificação da profissão. A verdade é que se por um lado o mercado cresceu muito nos últimos vinte anos por outro o número de advogados inscritos também e isso gera desequilíbrios profundos que não podemos ignorar. Por outro lado a par dos advogados em prática individual, dos advogados de empresa e dos sócios das sociedades de advogados, existe hoje um número muito grande de advogados associados, que nem sequer querem ser sócios das estruturas onde estão integrados, e cuja regulamentação da atividade urge implementar.

A crise pandémica abalou o setor? Se sim, em que aspetos?

Eu diria que tornou mais evidente a desproteção de que a profissão sempre sofreu, a qual é muito difícil de compreender no estado social em que vivemos. Por outro lado trouxe mudanças profundas na forma como trabalhamos, como nos relacionamos com os clientes, como organizamos o nosso dia-a-dia e isso não me parece que seja necessariamente mau.

Pedro Raposo, chairman da PRAHugo Amaral/ECO

Quais as áreas da PRA que tiveram um papel fundamental durante a pandemia?

Os departamentos de laboral, contratação pública e contratos foram fundamentais para ajudar os nossos clientes a manterem-se em funcionamento, foi um esforço enorme conseguir em tempo útil interpretar, dar a conhecer e aconselhar os clientes acerca das inúmeras alterações legislativas que, muitas vezes de aplicação quase imediata, surgiam logo após uma qualquer conferência de imprensa – um verdadeiro estado de emergência.

E as que acabaram por sair mais “prejudicadas”?

Temos um princípio de entreajuda e solidariedade muito grande na PRA. Houve áreas que tiveram menos solicitações, nomeadamente contencioso nas fases dos confinamentos, mas a flexibilidade que temos, a predisposição de todos para ajudar, permitiu alocar pessoas das equipas que tinham menos trabalho às que tinham mais necessidade, o que garantiu respostas em tempo útil, e nos levou, não só a não prescindir de qualquer colaborador mas inclusivamente, a aumentar o número das pessoas que trabalham connosco.

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