Depressão Kristin: “Terá de haver mais apoio a fundo perdido”

O diretor dxecutivo da Nerlei - Associação Empresarial da Região de Leiria faz o primeiro balanço do impacto da depressão Kristin nas empresas locais e quais as prioridades para a retoma de atividade.

Henrique Carvalho recebe o ECO pouco menos de uma semana depois da passagem da depressão Kristin por toda a região. O diretor executivo da Nerlei – Associação Empresarial da Região de Leiria, cujo edifício intacto está a uns 30 metros do mutilado estádio Magalhães Pessoa, tem estado a acompanhar as empresas da região, muito afetadas, bem como as medidas de apoio local e nacional que têm vindo a ver anunciadas e implementadas.

Faz um balanço muito positivo da resposta local mas mantém críticas à demora na reposição dos serviços de energia e, sobretudo, de telecomunicações. Acredita que o tecido empresarial se vai recompor com a vitalidade de antes mas que vai levar tempo. E considera que se está a subestimar o custo final dos dados causados e que as medidas públicas anunciadas são boas mas precisam de implementação rápida. E que não vão chegar, tendo de aumentar o grau de apoios a fundo perdido.

Henrique Carvalho, diretor dxecutivo da NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria, em entrevista ao ECOHugo Amaral/ECO

Que tipo de balanço já consegue fazer, em termos de estragos nas empresas da região?

Em termos do balanço que podemos fazer da situação, decorrida uma semana, é um balanço ainda muito pouco objetivo, porque a extensão do território é enorme. Houve muitas dificuldades de comunicações durante este tempo todo. Talvez desde ontem [terça-feira] as situações estejam um pouco melhores. Portanto, não temos dados concretos e objetivos. Nós logo, em articulação com as câmaras e com a comunidade intermunicipal, lançámos a normal identificação de danos, em coordenação, para não estarmos a fustigar as empresas com perguntas atrás de perguntas das diferentes entidades. Tínhamos até ontem 103 ou 104 situações identificadas que acreditamos que são poucas, muito poucas.

Face à realidade que vemos à nossa volta.

Face à realidade. E por isso dados objetivos concretos… é cedo. É cedo, do ponto de vista do número de situações.

Do ponto de vista de valor, eu diria que não sei como é que surgiu o número do governo, portanto vou-me remeter ao número oficial dos 2 mil milhões de impacto [entretanto revisto em alta para o dobro], eu diria que esse número é um número, é uma estimativa, mas eu diria que ele é muito abaixo do que realmente será o impacto efetivo. Quer do ponto de vista de impacto direto, infraestruturas e materiais; e se colocarmos impactos indiretos, seguramente está muito abaixo daquilo que será o efetivo impacto desta calamidade.

Paragem significa não faturar, significa não respeitar contratos com clientes. E depois é uma questão comercial de cada empresa conseguir gerir essas relações.

O receio não está só relacionado com a questão dos danos físicos, que são mal ou bem reparáveis, mas também é o que é que isto pode significar para algumas empresas em termos de clientes. Esses impactos podem ser também muito violentos, não é?

Exatamente. Temos o primeiro ponto que é a paragem. Seguramente estamos a falar genericamente em paragens de três, quatro dias em muitos sítios, até para uma semana ou mais. Paragem significa não faturar, significa não respeitar contratos com clientes. E depois é uma questão comercial de cada empresa conseguir gerir essas relações. Portanto, temos aí esse impacto que é indireto dos danos, mas é logo direto na conta de resultados. Esse é um primeiro efeito.

E depois temos muitas empresas muito integradas em cadeias de valor muito importantes, em que, digamos, têm aqui responsabilidades contratuais. E há um risco, identificado por terceiros, que pode levar a termos aqui problemas sérios de competitividade. Por isso é que a urgência da recuperação é fundamental.

Porque os clientes, há uma relação naturalmente, e até pode haver alguma paciência, mas os clientes também têm que pôr os seus produtos a andar, não dura para sempre essa paciência.

Sim, e acrescentava esse aspeto, que é, do ponto de vista industrial e do tipo de indústrias que nós temos na região, muito diversificadas, mesmo as hipóteses mais extremas de alguma deslocalização de equipamentos, para criar pequenas células produtivas é quase inviável. Porque são equipamentos que precisam de infraestrutura, são equipamentos que trabalham num ecossistema em conjugação com instalações técnicas complicadas.

Por exemplo na indústria de moldes, plásticos, a questão da indústria cerâmica ou de produção de pastas, são unidades que não se podem tirar pequenas partes e rapidamente estar a produzir qualquer coisa ali ao lado. Pode haver uma ou duas situações dessas mas é pontual, nas situações mais críticas é pontual. Em síntese, prioridade completa é recuperar coberturas, tem que ser.

Tem que se começar, neste caso, pelo tecto.

Tem que começar pelo tecto e temos algumas situações dramáticas de instalações que tiveram danos muito mais significativos do que só a cobertura e essas são ainda de recuperação mais difícil.

Que tipo de pedidos ou de dúvidas é que têm chegado aqui à associação? Como é que a associação tem estado junto dos seus associados e, pelo que me contou, junto da comunidade empresarial em geral?

A prioridade das primeiras medidas foi claramente estar muito por perto e a acompanhar muito as decisões institucionais, fazer toda a pressão que nós conseguíssemos para, em conjunto com a Câmara Municipal de Leiria, muito afetada, e também com a comunidade intermunicipal da região de Leiria, fazer de tudo para que existissem respostas rápidas. E acompanhar as situações de emergência nos briefings da Proteção Civil desde a primeira hora.

E o que sentimos são duas coisas. Uma é a resposta local, a resposta de emergência local das câmaras. O nosso entendimento é que foi uma resposta muito positiva, uma resposta muito efetiva das autoridades locais, em conjunto com a Proteção Civil, unidades locais de saúde, bombeiros, as empresas de distribuição de água, etc. Houve aí uma resposta que eu acho que deve ser muito elogiada, porque foi muito positiva. Quer a Câmara de Leiria, da Batalha, Pombal, Marinha grande, umas melhores, outras com mais dificuldades. Cada uma com os seus meios e com as suas realidades e até o impacto no local. Mas a resposta municipal e local foi muito positiva.

As comunicações é realmente um tema muito crítico e, do ponto de vista das empresas, não foi possível cumprir responsabilidades, não foi possível, em alguns casos, pagar salários naqueles dias, estávamos no final do mês a processar e a pagar. Seguramente há empresas que não cumpriram com as suas responsabilidades e podem estar em situação de incumprimento de responsabilidades, mesmo perante bancos, etc., por dificuldade de comunicação, de energia.

Grandes problemas tivemos e temos ao nível das comunicações e da eletricidade e isto é um problema que de facto é uma calamidade forte. A resposta, admitimos que tecnicamente é aquela que é possível ser dada, mas pronto, o país tem que estar preparado para dar respostas melhores, porque estas não são manifestamente suficientes. E dentro dessas, eu separo claramente, a eletricidade é um assunto muito infraestrutural, nas comunicações é mais difícil perceber porque é que tivemos tanto problema de comunicações durante tanto tempo. Certamente há razões técnicas que desconhecemos, mas é possível, tem que ser possível, encontrar soluções de emergência que superem dificuldades nalguns sítios. Tivemos mesmo aqui no centro da cidade de Leiria e em zonas muito perto dos centros urbanos, um blackout completo durante dois dias ou mais. Tem que haver soluções. As comunicações é realmente um tema muito crítico e, do ponto de vista das empresas, não foi possível cumprir responsabilidades, não foi possível, em alguns casos, pagar salários naqueles dias, estávamos no final do mês a processar e a pagar. Seguramente há empresas que não cumpriram com as suas responsabilidades e podem estar em situação de incumprimento de responsabilidades, mesmo perante bancos, etc., por dificuldade de comunicação, de energia. São situações muito críticas. Portanto, a resposta local foi boa.

A resposta das utilities foi menos boa, na nossa opinião, e aquilo que nós fizemos foi estar perto das entidades e depois comunicar com as nossas empresas, dentro do que foi possível fazer, dando nota das medidas que o governo foi lançando e disponibilizando também os nossos espaços para as empresas que precisassem de utilizar as nossas instalações, porque não sofremos danos no edifício, felizmente.

Henrique Carvalho, Diretor Executivo da NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria, em entrevista ao ECO Hugo Amaral/ECO

É curioso porque estamos aqui ao lado de um estádio que é uma imagem um bocadinho terrível no que toca aos estragos.

É terrível, mas talvez estarmos aqui ao lado o estádio nos tenha protegido. Felizmente ficámos com energia na sexta, já tínhamos energia, sexta e sábado as coisas começaram a recuperar e portanto colocámos-nos à disposição para receber as empresas logo na segunda-feira.

Entendemo-las como boas, numa primeira fase. Não são suficientes, claramente, não são suficientes, e, sobretudo, elas têm que ser operacionalizadas a muito curto prazo. Muito rapidamente. Nomeadamente as medidas que não sejam apenas crédito, porque a dívida é dívida.

Agora o que estamos a fazer, continuando nessa pista institucional, é acompanhar as medidas que foram anunciadas pelo Governo, onde também tivemos algum empenho através da própria CIP, que esteve, digamos, muito envolvida no desenho das medidas. Entendemo-las como boas, numa primeira fase. Não são suficientes, claramente, não são suficientes, e, sobretudo, elas têm que ser operacionalizadas a muito curto prazo. Muito rapidamente. Nomeadamente as medidas que não sejam apenas crédito, porque a dívida é dívida. E as linhas financeiras de dívida, os bancos vão operacionalizá-las e vamos acreditar que vão funcionar bem.

A outra questão são as medidas relacionadas com o layoff e com a segurança social. As medidas vão no sentido positivo, mas têm que rapidamente ser devidamente regulamentadas e devidamente implementadas para que as empresas saibam como é que vão fazer estes dias, semanas. Se há lay-off, como é que se faz, quando é que se comunica, já está, já é possível, não é possível? Porque há empresas que estão paradas, quer dizer, é um lay-off que existe. Ele factualmente já existe e, portanto, é fundamental que isto esteja operacionalizado em poucos dias.

Toco aí nesse ponto das medidas de apoio. Muito do que foi anunciado é dívida. Em empresas em situação tão complexa como estão agora, estar a dizer-lhe que para recuperar têm que meter mais dívida em cima, com toda a incerteza que têm, não é um caminho errado? Isto não tem que passar muito mais por apoios a fundo perdido?

Terá que ser muito por aí, por mais apoio a fundo perdido. Terá que ser. E na questão da dívida vamos ver se não vai haver aqui um problema de que empresas é que podem aceder a algumas situações de emergência. Nós acreditamos que esse é o instrumento primeiro de colocar dinheiro rápido nas empresas para fazer face a situações de urgência e emergência, portanto é um instrumento que todos já conhecemos, é dívida, tem garantia, o Estado pôs a garantia e é rápido. Isso vai ser rápido e está bem. A questão é, alguma dessa dívida, e isso já está previsto nas medidas, até 10% poderá ser transformada em fundo perdido.

O que achamos é que não vai ser suficiente. Não vai ser suficiente, terá que se encontrar aqui outra forma de apoiar algumas empresas que tiveram danos mais profundos, em que esse apoio tenha que ser mais expressivo em termos de mecanismos que não sejam mera dívida, porque nessas circunstâncias as empresas vão ter extrema dificuldade em voltar a operar.

Até por uma questão de ânimo, por uma questão pessoal de muitos projetos que foram criados já há algum tempo e em algumas situações é preciso uma força interior muito grande. Que eu acho que os nossos empresários têm mas é difícil.

Somos uma região empreendedora e as pessoas têm essa força, mas é extremamente importante que existam estímulos que puxem para cima.

Somos uma região empreendedora e as pessoas têm essa força, mas é extremamente importante que existam estímulos que puxem para cima e que não fiquemos numa situação de que a empresa que já está numa situação de problemas fique com mais dívida associada, que obviamente não vai resolver a sua situação.

Alguém que criou uma empresa com 30 anos ou mais, há um ponto em que a pessoa precisa quase de ter forças para nascer de novo depois disto. Se o que tiver à frente é uma montanha de obstáculos e dificuldades, é compreensível que a pessoa não tenha esse ânimo, essa força, não é?

Já o fez, já fez a empresa no que aquilo que ela é. Fazer outra vez com uma idade diferente é mais difícil. Vamos ser objetivos, há algumas situações que podem ter esse perfil. Temos que acompanhar essas de forma muito mais pormenorizada e já não é uma questão de balanços, é aquelas situações em concreto e essas teremos que encontrar e apoiar. E, de facto, aqui definir algumas linhas que possam fazer com que esses projetos empresariais possam ter futuro para as pessoas que os promoveram e para as pessoas que lá trabalham. Temos que ter isso em conta, senão temos aqui situações mais complicadas. A questão aqui é, claramente, num prazo mais médio, digamos, mas também a curto prazo, termos uma ideia se são muitas situações dessas.

O edifico da NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria, junto do estádio Dr. Magalhães PessoaHugo Amaral/ECO

Algumas empresas com quem falei na StartupLeiria, com seis ou sete empresas, falavam desse risco de empresas que em casos muito específicos possam não voltar a abrir. Mas toda a gente, quando eu fiz a pergunta de coletivamente, se tinham alguma dúvida que depois disto que esta região poderia voltar a ser o motor que foi nas últimas largas décadas, ninguém tem dúvidas que vai voltar a ser. Também partilha dessa visão ou está mais pessimista?

Pode levar tempo, vai levar algum tempo, estas medidas têm um efeito objetivo e claro, mas também têm de ter um sinal de que queremos ou não queremos. E aqui as entidades públicas têm de decidir se querem ou não querem, que exista uma aposta, digamos, de aproveitar este grande problema, esta calamidade, para de facto transformar em algumas oportunidades. E eu também sou muito focado nessa hipótese de que a partir daqui nós podemos fazer coisas também muito interessantes. As nossas empresas, as nossas pessoas, aquilo que somos em termos de região, acho que temos condições para superar com força. Acredito muito nisso. Agora, é preciso que também haja uns estímulos, como sempre, na vida das pessoas e das empresas, que haja uns estímulos certos para que isso possa acontecer. Isso coloca-se ao nível das medidas, repito, da natureza delas, com alguns afinamentos, mas também no sentido de urgência na operacionalização.

Já vimos estes problemas com incêndios, mas eram zonas limitadas quando foi o problema dos incêndios e foi grave, obviamente, extremamente grave. Aqui estamos a falar de uma extensão territorial muito grande, e no centro de muitas empresas de ótima tecnologia, de elevada tecnologia e que temos que apoiar a que elas possam continuar a laborar.

A Comissão de Coordenação da Região Centro, nos incêndios de Pedrógão de 2017, os investimentos públicos por essa via foram de 20 milhões de euros de apoios. Ora, temos empresas que já estão a reportar sozinhas mais do que isso em danos.

É que este fenómeno destruiu muitas árvores, mas destruiu também muita casa e muita empresa.

Muita casa e muita empresa. Eu gosto de ser objetivo: a Comissão de Coordenação da Região Centro, nos incêndios de Pedrógão de 2017, os investimentos públicos por essa via foram de 20 milhões de euros de apoios. Ora, temos empresas que já estão a reportar sozinhas mais do que isso em danos. É completamente diferente, porque em vez de estarmos a atingir algumas poucas empresas, embora a extensão fosse grande, aqui estamos numa extensão muito grande e a atingir muitas empresas e muitas empresas com muito valor de tecnologia e de equipamentos.

Neste apoio de emergência que prestaram à comunidade, quantas empresas é que vieram provisoriamente instalar-se aqui junto de vocês para continuar a laborar?

Nós articulámos com os colegas da Startup Leiria e fomos fazendo aqui trabalho de equipa. Nós aqui tivemos 12 empresas e cerca de 60 pessoas, de associados e de não associados, abrimos as portas a todos.

Muito nesta ótica de ter comunicações de base para poderem fazer qualquer coisa.

Sim, é verdade que duas ou três das empresas estiveram na segunda-feira, ontem já não estiveram e ainda bem, conforme as situações também se vão resolvendo, pelo menos terem os escritórios em mínimas condições para conseguir superar esta fase.

Henrique Carvalho, Diretor Executivo da NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria, em entrevista ao ECO Hugo Amaral/ECO

Há pouco falou ao de leve nisto, mas como é que isto se pode transformar nessa tal oportunidade para fazer melhor daqui para a frente? É que para já a questão ainda é de ter o básico, energia, comunicações, coberturas reparadas. Isto joga-se também no muito curto prazo.

É preciso encontrar aqui soluções e cada pessoa seguramente está a encontrar, os portugueses são fantásticos em encontrar soluções imaginativos para os seus problemas, mas não vamos ser aqui ligeiros nisto. É essencial haver recuperação das casas das pessoas e da cobertura de algumas empresas. E temos que começar pelas pessoas, as casas. Nós temos colaboradores na Nerlei que ficaram sem telhado na casa e estamos a pedir-lhes para irem acompanhar uma feira internacional a partir de hoje e amanhã em Frankfurt. É muito duro. E as pessoas vão. Tenho que reconhecer isso. E acontece isto em muitas empresas. As pessoas estão a limpar os escombros da empresa e têm um problema em casa.

Portanto há muitas empresas daqui que, mesmo com tudo isto, estão a caminho de Frankfurt?

É a principal feira mundial na área do tableware e de artigos para a casa, que se chama Feira Ambiente, onde estarão este ano mais de 90 empresas portuguesas, das quais 65 estão representadas através da Nerlei, estão integradas no projeto International Business que a Nerlei promove. Essas empresas têm um apoio para a participação na feira, no espaço, os stands e a participação das suas pessoas, das suas equipas. E, digamos, é a Nerlei que promove esse projeto e essa representação. O nosso trabalho é de enquadramento, é de apoio, de suporte. Teremos lá uma ação no sábado de manhã, dia 7. Teremos uma ação em conjunto com a AICEP, divulgando também a nossa presença e de networking entre as empresas que lá estão. Este ano não teremos uma representação tão robusta em termos de conjunto das empresas, mas estamos a acompanhar toda a missão das empresas lá, dando todo o suporte logístico e operacional administrativo à participação destas empresas.

A melhor garantia de futuro é continuar a fazer negócios, continuar a falar com os clientes, continuar a recolher encomendas e amanhã estaremos de volta à produção. Isso eu acho que deve ser muito destacado. É bastante sintomático do espírito das empresas e das pessoas que nelas trabalham.

E não tiveram muitas desistências de última hora?

Ontem mesmo houve sinalização de duas ou três empresas com dificuldades em ir, em fazer transferências a tempo e horas para garantir a presença lá. Nós ajudámos, estamos hoje a resolver situações com a ajuda também da Feira de Frankfurt, que apesar do seu rigor alemão percebeu que há aqui coisas excecionais. Somos também um agente importante há muitos anos junto da Feira de Frankfurt e, portanto, deram-nos aqui a hipótese de acudir a duas ou três urgências para poder fazer com que essas empresas lá estejam. Portanto, em concreto, sinalização de intenção de não estar tivemos, mas eu penso, pelo menos até agora, as duas situações mais críticas podemos conseguir resolver para que as empresas, mais uma vez, se alinhem com a conversa que estávamos a fazer antes, de que não paramos. As nossas pessoas, as nossas empresas estão lá e algumas das empresas tiveram problemas e seguramente têm, mas a melhor garantia de futuro é continuar a fazer negócios, continuar a falar com os clientes, continuar a recolher encomendas e amanhã estaremos de volta à produção. Isso eu acho que deve ser muito destacado. É bastante sintomático do espírito das empresas e das pessoas que nelas trabalham.

Voltanto ao tema do curto e do médio prazo, agora ainda estamos a resolver emergências.

É importante encontrar aqui soluções de mão-de-obra. Estava a falar com os colegas há um bocadinho da Associação de Construção e com as câmaras e com a estrutura de missão e o que é preciso é ainda mais simples: é colocar mão-de-obra disponível, o que tiver, para ajudar nas coberturas. Tem que ser, porque ainda por cima só hoje é que parou de chover um bocadinho, isto não tem parado. É haver aqui soluções e mecanismos rápidos de entreajuda, empresas locais que possam ajudar nas várias situações que é preciso meter telhados nas casas com urgência mesmo, senão não há condições para pensar sequer. E sinto que dia a dia, hora a hora, estamos a melhorar um bocadinho. Tem que ser assim, pronto. Mas era bom haver aqui alguma disponibilidade também de mais empresas de construção que possam realocar aqui mais pessoas para ajudar nesta missão especial de curto prazo.

Isso é uma parte, e é a primeirazinha mesmo básica. A segunda é a de oportunidades para tornarmos a região economicamente mais forte. Eu considero que é possível ter alguma capacidade de o fazer. Temos de pensar como nos posicionamos para isso, com um horizonte mais de médio prazo, depois disto, mas com ideias e medidas a tomar rapidamente, para depois terem efeito mais tarde.

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