Novos modelos de trabalho? Covid-19 pode ser oportunidade para testá-los

O surto Covid-19 está a retirar as pessoas dos escritórios. Trabalhar remotamente pode ser um desafio para as empresas, mas também uma oportunidade para desmistificar formas diferentes de trabalhar.

O avanço da propagação do novo coronavírus SARS-COV-2, responsável pela doença Covid-19, está a obrigar as empresas a tomar medidas que previnam o contágio e protejam os trabalhadores. A 27 de fevereiro, a Direção Geral de Saúde aconselhou as instituições a definirem planos de contingência e, nesse sentido, emitiu várias recomendações específicas que vão desde medidas de higiene, áreas de isolamento profilático, até à criação de condições para o trabalho remoto.

Para Henrique Paranhos, fundador da WEBrand Agency — uma empresa portuguesa 100% remota –, a progressão do vírus e as recomendações oficiais podem ser uma oportunidade para testar novos modelos de trabalho e desmistificar o trabalho remoto.

A empresa de marketing digital tem um serviço de apoio às empresas que precisem de transitar para o remoto, através de sessões de consultoria, e a partir desta semana o serviço está mais acessível. Para isso, a WEBrand lançou um site oficial para o serviço e para as empresas que querem “adotar o modelo de trabalho remoto de forma segura e em tempo record“. Pode inscrever a sua empresa no mesmo portal.

Coronavírus traz oportunidade para o remoto

“A chegada do vírus a Portuga pode ser visto como uma oportunidade nesta área do trabalho remoto. É precisa uma adaptação, naturalmente mudar algumas práticas, mas não tem de ser visto como um bicho de sete cabeças, como algo assustador, nem as empresas têm de fechar ou deixar de produzir”, começa por dizer à Pessoas, Henrique Paranhos.

Para o responsável, é fundamental as empresas não encararem o trabalho remoto como um obstáculo à produção ou à rentabilidade, “porque a verdade é que as empresas podem continuar a laborar, principalmente as que não têm grande atendimento ao público, na área dos serviços e as que já trabalhem com recurso à internet”, exemplifica o fundador.

Este pode ser um momento de aprendizagem coletiva.

Henrique Paranhos

Fundador da WEBrand Agency

Grandes cotadas do PSI-20 apostam no remoto

Ao ECO, algumas empresas cotadas no PSI-20 confirmaram que já estão a apostar no teletrabalho, para fazer face ao coronavírus, seguindo à risca as recomendações da Direção Geral de Saúde e da Organização Mundial de Saúde. Na Galp, os trabalhadores da Galp que regressem de férias em zonas afetadas, ficarão a trabalhar através de casa. A EDP e a EDP Renováveis, todos os trabalhadores que regressem de algum país infetado ficará, no mínimo, duas semanas a trabalhar à distância, até desaparecerem os sintomas.

O mesmo acontece no retalho. No grupo Jerónimo Martins, os trabalhadores que regressem de um país considerado “de foco” são aconselhados a trabalhar a partir de casa. Na banca, o Millennium BCP confirma que está a privilegiar as reuniões por videoconferência.

Como medida de prevenção, a DGS refere ainda que as empresas devem recorrer a formas alternativas de trabalho, como o teletrabalho, reuniões por vídeo e teleconferências, assim como o acesso remoto dos clientes, para isso, as empresas devem reforçar as infraestruturas tecnológicas de comunicação e informação. A ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, já garantiu que os funcionários públicos em teletrabalho não serão prejudicados no salário.

Reforçar a cibersegurança

O trabalho à distância pode ser uma oportunidade para as empresas reverem as medidas de cibersegurança, porque o trabalho remoto vai obrigar os trabalhadores a ligarem-se a outras redes wi-fi fora da rede de trabalho, ficando mais vulneráveis a ciberataques. “O coronavírus não só já provocou o aumento do trabalho remoto, como tem suscitado o interesse dos hackers, que já ocultaram malware em ficheiros e documentos que aparentemente seriam um esclarecimento sobre a doença. Com os criminosos a aproveitarem-se desta onda de alarme, é prudente que as empresas estejam ainda mais vigilantes na proteção da sua informação”, alerta David Emm, investigador de segurança da Kaspersky.

A empresa especialista em cibersegurança Kaspersky, revela que já detetou “ficheiros maliciosos disfarçados de documentos pdf., mp4 e docx. cuja designação se relacionava de alguma forma com o coronavírus, que indicavam, por exemplo, que continham conselhos de proteção contra a doença, atualizações sobre as ameaças e procedimentos de deteção do vírus“.

Mas há formas de as empresas se protegerem, por exemplo fornecer uma VPN (rede privada virtual) para que as equipas se conectem com segurança à rede corporativa; proteger todos os dispositivos da empresa com um software de segurança adequado; executar as atualizações mais recentes dos sistemas operativos e das aplicações; restringir os direitos de acesso dos utilizadores que se conectam à rede corporativa; e formar as equipas sobre os perigos associados à resposta de mensagens que não foram solicitadas.

Comunicar, confiar e partilhar

Henrique explica que, no caso do trabalho remoto, é fundamental confiar nos colaboradores, gerir expectativas, apostar numa comunicação objetiva — escrita ou por videoconferência — e registar tudo em ficheiros do Google Drive ou na cloud. “As ferramentas gratuitas permitem que a produção continue a existir dentro das empresas”, destaca.

Mesmo numa altura que poderá ser considerada de crise, os colaboradores podem estar em sintonia com a empresa e continuar a entregar trabalho.

Henrique Paranhos

Fundador da WEBrand Agency

Para garantir a fluidez da comunicação, “há uma série de ferramentasque permitem que os colaboradores continuem a trabalhar e a entregar o seu trabalho e a colaborarem de forma gratuita”, salienta o fundador da WEBrand Agency. As ferramentas colaborativas como o Hangouts, para fazer videoconferências e reuniões pontuais, e os chats como o Slack ou o Teams, da Microsoft. Para Henrique, além de gratuitas, estas funcionalidades podem tornar as reuniões “mais práticas”.

O novo coronavírus já infetou 89.254 pessoas em todo o mundo. Esta segunda-feira, 2 de março, confirmaram-se os primeiros dois casos em Portugal.

É preciso “desbloquear mentalidades”, acredita Henrique, que defende que “este pode ser um momento de aprendizagem coletiva”. “Acima de tudo a responsabilidade é de quem gere. Vamos dar confiança, vamos aproveitar isto como uma oportunidade para as empresas ganharem confiança nos colaboradores, ter a confiança de que os colaboradores estão motivados e empenhados. Mesmo numa altura que poderá ser considerada de crise, os colaboradores podem estar em sintonia com a empresa e continuar a entregar trabalho”, remata Henrique Paranhos.

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António Costa

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