De que cor é o seu banco? Bancos Verdes ganham cada vez mais terreno

Num contexto de recuperação económica, os Bancos Verdes poderão ter um papel fundamental no curto e médio prazo.

Existem várias organizações a nível internacional que estão a desenvolver trabalho para que os Bancos Verdes sejam mais frequentes, mais regionais e mais nacionais. Num contexto de recuperação económica, estes Bancos Verdes poderão ter um papel fundamental no curto e médio prazo.

O que são Bancos Verdes?

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico – OCDE define um Banco Verde como uma entidade pública, quase-pública ou sem fins lucrativos, criada especificamente para promover e canalizar o investimento privado em infraestruturas doméstica de baixo carbono e resilientes ao clima. Um Banco Verde é capaz de criar instrumentos financeiros inovadores, usando várias técnicas de redução de risco, com conhecimento local e de mercado.

Eles canalizam investimentos privados para projetos de baixo carbono, englobando investimento em áreas associadas à melhoria da eficiência energética comercial e residencial, à implementação de sistemas fotovoltaicos solares no telhado e iluminação pública com eficiência energética, bem como para outros setores verdes, como gestão de água e resíduos. Têm normalmente uma forte aposta na dinâmica municipal.

Um Banco Verde:

  • É uma instituição financeira dedicada a aumentar e acelerar o investimento em bens e serviços de energia limpa.
  • A sua missão é usar ferramentas de financiamento para mitigar as mudanças climáticas.
  • Diferentemente dos “bancos” típicos, não recebe depósitos e as suas operações podem ser financiadas por governos ou contribuições de caridade ou ambos.
  • Pode obter capital de fontes públicas ou privadas, investir por conta própria ou em conjunto com investidores do setor privado.

Qual a necessidade que estes bancos vêm colmatar?

Investir e emprestar dinheiro a atividades económicas que tenha por base o capital natural, ou que promovam uma eficiência energética a médio prazo, ou que reduzam o impacte ambiental da empresa, é algo que a banca tradicional tem dificuldade em fazer. Isto acontece em todo o mundo. Tal prende-se com a forma como as análises de risco são feitas, com o facto de se dar muita relevância aos cash flows, e não o impacte que as poupanças podem gerar numa empresa.

Como estes projetos são “novos”, os bancos ainda não têm histórico e conhecimento, e como tal atribuem-lhe um elevado risco. Assim, o início de um processo de transição para uma economia neutra em carbono, circular e verde poderá necessitar de uma estrutura financeira específica que ajude o setor bancário nacional privado a compreender melhor os projetos, a entrarem gradualmente neles até se sentirem mais seguros e confiantes. É por isto que têm surgido os Bancos Verdes.

Que Bancos Verdes já existem?

Existem já vários Bancos Verdes espalhados pelo mundo, tendo encontrado diferentes formas na sua génese e no foco.

Alguns Bancos Verdes foram estabelecidos a nível nacional:

Alguns foram estabelecidos a nível de estadual (nos EStados Unidos):

Alguns forma estabelecidos a nível de Condado:

Como se pode compreender, os chamados Bancos Verdes podem assumir formas diferentes. Poderão assumir a forma de um fundo, como no caso Suíço, ou podem assumir a forma de um banco como são os casos nos EUA, sendo de realçar que o Banco Verde mais recente é o Washington DC Green Bank, cujo Conselho de Administração foi nomeado este ano.

Independentemente da forma, como um Banco Verde é criado, num país ou numa região, o seu mandato é muito claro: focalizar a mobilização de capital público e privado para investimentos em projetos que promovam uma diminuição das emissões de CO2, que promovam o uso eficiente dos recursos e que reduzam os impactes ambientais.

De acordo com a Green Bank Network, uma vez que os Governos têm um conhecimento detalhado da realidade do seu país, tendem a desenhar Bancos Verdes para que estes consigam satisfazer um conjunto de necessidades específicas e que estão, normalmente, alinhadas com as políticas públicas. É por isso que os objetivos destes bancos, bem como as suas métricas, são diferentes da banca normal.

Um Banco Verde tem de reportar as emissões de CO2 evitadas com o seu financiamento, a criação de empregos verdes que os seus empréstimos originaram, o montante de investimento privado que conseguiu levantar para ampliar o seu impacte, e, em alguns casos, também uma taxa de retorno financeira.

Vale a pena recordar o caso do Reino Unido, em que o Governo criou em 2012 o Green Investment Bank (GIB). Entre 2012 e 2017 GIB ajudou a financiar mais de 12 mil milhões de libras em projetos verdes no Reino Unido. Em 2017 o GIB foi vendido ao banco Australiano Macquarie Group Limited por 3 mil milhões de euros. Hoje, o Macquarie é um dos principais investidores “verdes” em várias partes do mundo.

Existe também o movimento do Green Bank Design Plafform que tem vindo a desenvolver conhecimento e redes de contacto entre investidores e países, e que pretende promover a implementação de Bancos Verdes por várias regiões do mundo. Esta plataforma pretende apoiar os países na criação de Bancos Verdes, quer em termos estruturais quer na ligação entre as necessidades de financiamento e financiadores, criar conhecimento e ser a voz ativa no reforço da importância dos Bancos Verdes para a promoção de uma economia verde e inclusiva, capaz de respeitar o ambiente e criar postos de trabalho.

Alguns links sobre Bancos Verdes:
https://greenbankdesign.org/platform
https://greenbanknetwork.org
https://www.oecd.org/environment/green-investment-banks.htm

  • Economista especializada em sustainable and climate finance

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