A chave para sobreviver à transformação digital
A ideia de que “a minha formação acabou quando saí da faculdade” já não serve no “novo normal”.
Vivemos na era da transformação digital, num tempo em que a rapidez das mudanças tecnológicas – desde a adoção de Inteligência Artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT) até à crescente automatização de processos – torna obsoletos, num curto espaço de tempo, conhecimentos que até ontem eram diferenciadores e inovadores. Este contexto exige, mais do que nunca, que todos os profissionais, em particular os das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), se mantenham em permanente atualização de competências para preservarem a sua relevância profissional.
A necessidade de aprender ao longo da vida, o lifelong learning, ganha assim centralidade e afirma-se como condição essencial de empregabilidade, como já confirmado no relatório do Fórum Económico Mundial, publicado este ano. É neste enquadramento que os conceitos de reskilling (requalificação para uma nova função profissional) e upskilling (aperfeiçoar e ampliar competências dentro da mesma área profissional) assumem importância decisiva. Ambos integram uma mentalidade de aprendizagem contínua que ultrapassa a formação formal e abraçam o autodesenvolvimento, a experimentação e a adaptação ao mercado. Porquê?
Primeiro, respondem à escassez de talento. O setor das TIC está em crescimento em Portugal e estima-se uma subida entre 8% e 12% até ao final deste ano, com valorização salarial correspondente. Uma publicação da KPMG confirma esta escassez, reforçando a oportunidade para quem esteja disposto a fazer o percurso de aprendizagem. Para que as empresas encontrem perfis aptos, os profissionais precisam de adaptar-se mais depressa do que no passado.
Segundo, pela rápida transformação digital. Muitas empresas adotam modelos cloud, DevOps ou IA nativa e os profissionais que não acompanham estas tecnologias correm o risco de ficar estagnados e de ver o seu perfil tornar-se irrelevante.
Terceiro, porque o lifelong learning é já uma estratégia individual. A ideia de que “a minha formação acabou quando saí da faculdade” já não serve no “novo normal”. O compromisso com a aprendizagem contínua tornou-se o único caminho para manter a empregabilidade, a evolução e a literacia tecnológica.
Quarto, e não menos importante, porque se traduz num benefício competitivo para as organizações. As empresas que promovem o reskilling eupskilling revelam mais adaptabilidade, retenção de talentos e produtividade.
Embora não haja casos amplamente documentados, existem sinais claros de que a reconversão profissional para TIC funciona no mercado nacional. Em Portugal, várias empresas tecnológicas recrutam programadores que passam por reconversão profissional para TI para suprir necessidades crescentes do mercado.
Desta forma, percebemos que não se trata apenas de discurso: os profissionais podem efetivamente mudar de carreira ou crescer dentro da área TIC, desde que invistam na atualização e adaptação.
Há, contudo, desafios para incorporar estes conceitos e boas práticas. A principal barreira continua a ser a mentalidade, aceitar que a aprendizagem não termina com o primeiro diploma e que é necessário investigar, experimentar, falhar e voltar a tentar. Importa igualmente escolher formações alinhadas com as tendências do mercado e validar se as competências adquiridas são valorizadas em contexto real.
O networking e o envolvimento em projetos reais são outro fator diferencial: envolver-se em eventos ou projetos hands-on permite consolidar aprendizagem e criar evidência para o mercado. A empresa, por seu lado, precisa de estruturar percursos de aprendizagem (learning paths) e requalificação interna, como se observa em grandes players de serviço em Portugal.
Para todos os que estão a pensar dar o passo, seja para entrar no universo das TIC ou evoluir dentro dele, fica a mensagem de que é possível. O mercado português está a crescer, há escassez de talento e há cada vez mais vias de acesso para o desenvolvimento ou reinvenção profissional.
Para todos os que estão a pensar dar o passo, seja para entrar no universo das TIC ou evoluir dentro dele, fica a mensagem de que é possível. O mercado português está a crescer, há escassez de talento e há cada vez mais vias de acesso para o desenvolvimento ou reinvenção profissional. A chave está em adotar uma mentalidade de aprendizagem permanente, manter-se ativo e adaptável e escolher formações e experiências que construam valor real.
Longe de uma panaceia, esta orientação exige esforço, consistência e visão, mas recompensa-se: quem concede ao lifelong learning o seu espaço posiciona-se não como vítima das mudanças, mas como protagonista da sua carreira. E isso, em TIC, faz toda a diferença.
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