A normalização da desordem

Atos de intimidação em nome da defesa do clima não são ativismo, servem para os movimentos radicais imporem uma agenda anti-capitalista e contra o modelo de sociedade que temos hoje.

Três jovens desordeiras e ignorantes decoraram umas frases feitas sobre o aquecimento global e atacaram o ministro do Ambiente Duarte Cordeiro com umas bolas de tinta verde. Não são ativistas, são apenas arruaceiras, anti-capitalistas, prejudicam uma discussão sobre um tema central da nossa sociedade, e os seus atos não podem ser desculpados, normalizados ou sequer relativizados.

Sem futuro não há paz! Sem futuro não há paz!”, gritaram as três desordeiras, portanto, com um discurso radical e que mistura ideologia, ignorância e populismo barato. Minutos depois daquela ação violenta na conferência da CNN Portugal — foi disso que se tratou, um ato de intimidação especialmente grave do ponto de vista judicial por se tratar de um representante do Estado, um crime público –, saiu um comunicado a justificar o que se passara. E diz tudo: Vão promover novas ações violentas “pelo fim ao fóssil a partir de 13 de novembro, com ocupações nas escolas e ‘perturbação do normal funcionamento das instituições’”.

O que esteve aqui em causa foi um ato de vandalismo, e isto não é ativismo. Greta Thunberg é ativista, contribuiu para pôr a urgência climática na discussão política, as queixas em tribunal contra Estados que não estão a decidir com a devida celeridade as mudanças necessárias são iniciativas ativistas. Ataques violentos e intimidações contra terceiros são outra coisa. Mas este grupo quer mais do que isto, é ideológico, quer acabar com o modelo económico que temos, aquele que tirou milhões da pobreza, o único que tem condições para nos tirar desta crise climática. Tem uma agenda ideológica radical, e a bandeira do ambiente é um pretexto para outro coisa, mais funda.

As exigências que divulgaram revelam bem ao que veem: Este grupo pseudo-climático garante que “não [vai] dar paz ao governo até que se comprometa a que este inverno seja o último em que é usado gás metano para produzir eletricidade”, para atingir “eletricidade 100% renovável e acessível até 2025 e o fim aos combustíveis fósseis até 2030”. Como se faz, isso, não explicam. Com esta agenda, só mesmo mudando o nosso modelo de desenvolvimento. Teríamos de regressar ao tempo das trevas, e à pobreza que isso traria. Mas estas vândalas não percebem, nem querem perceber, que só o mercado terá as soluções para acelerar a mudança sem pôr em causa o nosso modo de vida, democrático e liberal.

A transição climática é demasiada lenta para as necessidades, dizem-nos os cientistas — António Guterres lamentou há dias o que chama de “colapso climático” e alertou para uma situação de implosão “mais depressa do que conseguimos aguentar” –, desde logo porque custa muito dinheiro. E se há espaço onde esse esforço está a ser feito é mesmo na União Europeia, mesmo com todas as críticas que podem e devem ser feitas… em países que estão longe desta realidade, como a China ou a Rússia, estas três jovens acabariam na prisão de forma sumária.

É o mercado, e empresas como a EDP e a Galp, que têm as condições para forçar a mudança. Sem elas, tudo vai demorar muito mais tempo, sem a sua capacidade de investimento, inovação e risco, a transição climática não se fará. Especialmente com agendas radicais, centralistas e dirigistas, como se pode ler aqui — Dos Insetos e dos Humanos. O Ambiente e o Mercado, de Pedro Almeida Jorge — neste livro que deveria ser oferecido àquelas desordeiras e ao grupo que integram.

A EDP já investiu milhares de milhões de euros na transição energética, tem um plano para produzir apenas eletricidade a partir de fontes renováveis e, por trágica coincidência, pôs em funcionamento a primeira fase da maior central solar do país, que terá um total de 200MW, no dia deste ataque. A Galp, uma petrolífera, anunciou formalmente ao mercado esta semana um investimento de 650 milhões de euros num projeto de hidrogénio verde, está a investir no solar e a mudar a natureza do seu negócio.

As políticas públicas, essas têm de criar os incentivos certos para a resposta do mercados, dos agentes económicos, das famílias e empresas. Com previsibilidade e transparência, coisa que, diga-se, não abunda.

Duarte Cordeiro respondeu nos termos certos, nem mais nem menos. Com a capacidade de e encaixe que um líder político tem de ter, sem cortar pontes com os verdadeiros ativistas.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

A normalização da desordem

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião