“After all… tomorrow is another day”
Apesar dos acontecimentos recentes, é indiscutível a necessidade de acelerar a transição energética, a fim de cumprir o objetivo mundialmente estabelecido de atingir as zero emissões de carbono.
O futuro leilão para a energia eólica offshore, que conta já com 50 manifestações de interesse, será o primeiro concurso do género em Portugal e as metas são incomensuráveis: até 2030 lançar procedimentos para uma capacidade de 10 GW e assegurar a instalação de 2 GW.
Hoje Portugal tem um único projeto, o WindFoat Atlantic, que satisfaz 0,2% do consumo com esta tecnologia; a Dinamarca pontua com 24%. Trata-se de uma mudança significativa de paradigma e o desafio é imenso.
Portugal tem um fortíssimo compromisso com a transição energética: tem sido consistente na estabilidade regulatória e apto na atração de investimento estrangeiro. Portugal implementou uma série de medidas para promover o desenvolvimento de energias renováveis, que incluíam a concessão de apoios financeiros a projetos desta natureza, a simplificação dos processos de licenciamento e a promoção da integração das energias renováveis na rede elétrica. A verdade é que há décadas que Portugal conta com profissionais de excelência neste setor, que pensa a regulação e lhe dá vida, e conta com inúmeras empresas portuguesas e estrangeiras que renovam a escolha de aqui investir.
Na perspetiva da regulação e do enquadramento jurídico destas atividades, Portugal não é apenas uma interessante sandbox; é um ator experiente que testemunha uma aposta no futuro.
É, pois, com expectativa que tantos, dentro e fora de portas, olham para Portugal e aguardam o desfecho desta ambiciosa empreitada de lançarmos a energia do mar, mais ainda neste momento. Onde me encontro testemunho quotidianamente esse interesse por parte de promotores, financiadores e tantos colegas.
Para lá dos desafios geopolíticos, a verdade é que na Europa a energia eólica offshore tem enfrentado diversos desafios que variam entre constrangimentos nas cadeias de abastecimento, passando pelos impactos da inflação ou preço do dinheiro, até à falta de mão de obra qualificada. Tudo sem fugir à magna preocupação: apoio regulatório e legislativo em diversos países, determinante para reunir investimento suficiente para o desenvolvimento destes projetos.
Mais que nunca, esta área e estes projetos pedem a dose certa de flexibilidade e previsibilidade! E pedem ainda um esforço verdadeiramente coletivo – são esperados grandes investimentos tanto por parte do setor privado como do setor público. É esperado que o investidor tenha robustez financeira e técnica suficiente para fazer face ao custo inicial do projeto e aos custos adicionais que a flexibilidade exige, que esteja preparado para que o retorno do seu investimento não seja imediato e possa, ainda, variar em função da flutuação dos preços da energia nacional. Já do lado da decisão política, exige-se a capacidade de desenhar políticas claras, transparentes e estáveis que incentivem o investimento no país e nas novas gerações que irão implementá-lo; exige-se que assegure que os projetos estão em linha com os planos nacionais e europeus para o setor energético, considerando sempre os impactos ambientais, locais e transgeracionais.
Apesar dos acontecimentos recentes, é indiscutível a necessidade de acelerar a transição energética, a fim de cumprir o objetivo mundialmente estabelecido de atingir as zero emissões de carbono (o chamado “net zero”). A energia eólica tem um potencial imenso para desempenhar o papel que o país precisa.
A prova disso é o interesse demonstrado por diversos atores que responderam à chamada; Viana do Castelo, Leixões e Figueira da Foz estão no mapa para os primeiros projetos e não faltam interessados.
Em tempos conturbados impõe-se dar fôlego ao futuro: “After all… tomorrow is another day”.
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