João Vasconcelos
O João era a pessoa que batia à porta de nossa casa com duas garrafas de moscatel caseiro, que nos convidava para um churrasco em sua casa ou que nos ligava às 11 da noite com uma excelente ideia.
Quando cheguei a Portugal há quatro anos, para me juntar a um fundo de investimento em startups, criado pouco tempo antes, houve um nome que ouvi repetidamente desde o primeiro dia: João Vasconcelos.
No panorama das startups, o João estava por todo o lado e a sua energia transcendia a cidade. Ele tanto era próximo de quem estava à frente dos destinos do País, como também tirava um dia da sua agenda ocupada para mostrar a cidade, com todo o orgulho que se possa imaginar.
O João era a pessoa que batia à porta de nossa casa com duas garrafas de moscatel caseiro, que nos convidava para um churrasco em sua casa ou que nos ligava às 11 da noite com uma excelente ideia para um negócio. O João era a pessoa que agarra sempre no próximo projeto como se fosse o último.
Assim, quando começámos a Flash, ficou claro que queríamos o João connosco. Ele entendeu logo qual era a nossa visão e fez, imediatamente, as ligações entre o ecossistema da inovação, novas formas de mobilidade e a abrangente questão da mudança climática.
Raramente conheci alguém com este tipo de entusiasmo sincero. Um entusiasmo pela missão que tinha, um entusiasmo por Portugal, um entusiasmo por reunir as pessoas certas, um entusiasmo para levar as coisas adiante.
O João era inspirador, não por truques retóricos, mas porque o que ele dizia vinha de uma paixão interior contagiante e com humor cativante. Ele era uma pessoa conhecida, mas não da forma narcisista que vemos tanto hoje em dia. Ele era genuíno na sua energia e nos seus sorrisos.
Na segunda-feira passei quatro horas no carro com o João, a caminho de Coimbra e no regresso a Lisboa. Durante essas horas ele falou sem parar, de ideias de marketing, de micro-mobilidade, da Flash e como tornar as cidades portuguesas mais habitáveis para os seus cidadãos.
Apesar do forte entusiasmo pelos diferentes e inúmeros projectos profissionais, tocou-me durante a viagem a forma apaixonada como falou da sua família. O futuro e a inovação começavam dentro da sua própria casa. Tinha um projecto de vida pela frente. Tudo o que o João fazia, fazia pela sua família.
Ele colocou a família em primeiro lugar, a missão em segundo lugar e ele em último. Eu gostava que ele tivesse ficado cá, por muito mais tempo.
Felix Petersen e toda a equipa da Flash, que teve a honra de trabalhar com ele.
Nota: O autor escreve de acordo com a antiga ortografia
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
João Vasconcelos
{{ noCommentsLabel }}