O crescimento da inflaçãopremium

Com a economia a ganhar velocidade, é altura de os bancos centrais tirarem o pé do acelerador e normalizarem as taxas de juro.

O regresso de forças inflacionistas vai marcar o debate macroeconómico nos próximos anos. Até recentemente, o único sinal visível de inflação que se observava consistia no crescimento dos preços dos activos financeiros. A valorização das bolsas mundiais e a apreciação dos preços das casas, um pouco por todo o mundo, estavam (e estão) largamente associadas à política monetária dos bancos centrais. Através da redução das taxas de juro para níveis próximos de zero, e das suas compras de activos financeiros, os bancos centrais criaram, por um lado, a procura de terceiros por rentabilidades não-nulas e, por outro, criaram também a oferta adicional de liquidez que antes inexistia de forma tão expressiva. Todavia, esta política monetária acomodatícia, intrinsecamente inflacionista, foi também convivendo com outras tendências macro globais que, por sua vez, iam exercendo forças desinflacionistas contrárias. A pandemia poderá, no entanto, ter alterado este equilíbrio de forças.

Nos últimos meses, para além da contínua e reiterada valorização dos mercados de capitais e dos preços imobiliários, têm emergido outros sinais de inflação. Os primeiros sinais entre estes outros surgiram na…

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  • Colunista convidado. Presidente do Conselho de Administração da AICEP, E.P.E.

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