Os jovens não precisam de mitos. Precisam de oportunidades
Os jovens não rejeitam desafios — rejeitam a ambiguidade. Não rejeitam compromissos — rejeitam estruturas onde o mérito se perde na opacidade.
Durante demasiado tempo, repetiu-se a narrativa confortável de que os jovens chegariam ao mercado de trabalho naturalmente preparados: conscientes, motivados e prontos para transformar o mundo. Esta ideia, tão conveniente quanto irrealista, serviu para alimentar discursos inspiradores, mas pouco contribuiu para práticas de gestão eficazes. A verdade, observada de perto por quem gere equipas e acompanha a evolução das organizações, é simples: nenhuma geração nasce pronta; todas nascem possíveis.
Hoje, os jovens enfrentam desafios que os mais velhos raramente conheceram. Num mercado volátil, procuram estabilidade. Num ambiente saturado de estímulos, procuram propósito. Num contexto profissional cada vez mais competitivo, procuram reconhecimento. E, perante isto, a resposta não pode ser paternalista nem idealizada. Tem de ser concreta, honesta e orientada para resultados — porque é isso que constrói confiança e gera compromisso.
É aqui que o departamento de Recursos Humanos assume um papel decisivo. A ideia de que os jovens “devem” trazer sentido para a empresa está profundamente invertida. O sentido, a direção e o enquadramento são responsabilidades da organização. A energia, essa sim, vem dos jovens — mas sem orientação, dispersa-se. Há inquietação, há vontade, há impulso. Falta, muitas vezes, o contexto certo para que tudo isso se transforme em valor.
Quando a gestão cria condições reais de aprendizagem, responsabilidade e progressão, descobre rapidamente algo que deveria ser óbvio: os jovens respondem com maturidade, criatividade e uma ética de esforço frequentemente subestimada. Não é falta de capacidade; é falta de espaço para a desenvolver.
A liderança contemporânea exige, por isso, uma verdadeira pedagogia do trabalho. Uma pedagogia que substitua o mito da “geração pronta” pela construção intencional de competências. Os jovens não rejeitam desafios — rejeitam a ambiguidade. Não rejeitam compromissos — rejeitam estruturas onde o mérito se perde na opacidade. A clareza, hoje, é mais do que uma virtude: é um ato de gestão.
O departamento de Recursos Humanos deve funcionar como mediador ativo entre o potencial e o desempenho. Este processo exige tempo, atenção e coerência. Empresas que acolhem jovens com expectativas irreais perdem-nos rapidamente. Empresas que os recebem com exigência acompanhada de apoio constroem equipas altamente competentes e leais. A motivação não se impõe; constrói-se. E constrói-se num ambiente onde o trabalho tem significado e as relações profissionais são autênticas.
É fundamental reconhecer que nenhuma organização se renova sem juventude — mas também que nenhuma juventude floresce sem orientação. A gestão que apenas espera compromisso dificilmente o recebe. A gestão que inspira, explica e pratica torna-se magnética, capaz de atrair e reter talento.
Os jovens não precisam de mitos. Precisam de projetos que lhes permitam crescer com autenticidade e responsabilidade. Precisam de líderes que os desafiem, mas que também os acompanhem. Precisam de empresas que entendam que o futuro não se improvisa — constrói-se.
E é assim que o talento se transforma em futuro, e o futuro em valor!
A juventude não é um recurso mágico. É um recurso estratégico. E como qualquer recurso estratégico, exige investimento, acompanhamento e visão.
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