Se até o Banco de Portugal é vulnerável, o que dizer das empresas?

Este é um alerta claro: mesmo instituições centrais, com múltiplos níveis de controlo e escrutínio constante, não estão imunes à fraude e corrupção interna.

Ficámos a saber nas últimas horas que o Banco de Portugal vai contratar uma auditoria externa para avaliar o seu sistema de compras, nomeadamente tecnológicas, que, no ano passado, foi alvo de dois processos judiciais.

Este é um alerta claro: mesmo instituições centrais, com múltiplos níveis de controlo e escrutínio constante, não estão imunes à fraude e corrupção interna. Se isso acontece numa entidade desta escala, a pergunta impõe-se: estará a sua empresa preparada?

Auditorias internas, códigos de conduta e programas de compliance são indispensáveis, mas muitas vezes insuficientes. Funções críticas como compras estratégicas, tecnologia da informação e contratação de fornecedores são complexas e, por vezes, opacas, permitindo que riscos passem despercebidos até se tornarem crises de natureza legal e reputacional.

É aqui que as investigações internas independentes conduzidas por sociedades de advogados ganham importância. A independência garante objetividade, credibilidade junto de reguladores e proteção pelo segredo profissional. Equipas especializadas, com experiência multijurisdicional, permitem respostas rápidas, consistentes e com mecanismos claros de reporte.

A eficácia destas investigações é hoje ampliada por inteligência artificial e plataformas capazes de analisar grandes volumes de emails, contratos e mensagens, identificar padrões e sinais de alerta e produzir relatórios ancorados em evidência de forma mais rápida e precisa. Mais, com a crescente natureza internacional de muitos casos, surge também o desafio adicional de gerir revisões em vários idiomas e com enquadramentos legais distintos. Algo que não está ao alcance de todos os auditores.

A prevenção eficaz exige independência, especialização e tecnologia. Um framework estruturado — onboarding e medidas urgentes; investigação preliminar; análise assistida por tecnologia; entrevistas; avaliação jurídico-penal e relatório final com recomendações — tudo ajuda a mitigar riscos, proteger a reputação e fortalecer a governação. Em suma, não se trata apenas de ter controlos, mas de ter os controlos certos, preparados para serem postos em prática com rigor e profundidade.

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