Portugueses já enchem o depósito. “É da ansiedade”

O ECO passou por alguns postos de combustível no centro de Lisboa. A afluência tem vindo a aumentar desde segunda-feira e já começaram as filas para atestar o depósito.

O mês de agosto normalmente é calmo por Lisboa, com muitos dos habitantes fora da cidade em férias. Mas a perspetiva de uma nova greve, semelhante àquela que parou o país na Páscoa, já começou a causar “ansiedade” aos portugueses. Nas bombas da capital começam a formar-se filas, compostas por pessoas que querem garantir um depósito cheio.

Muitos não quiseram perder pela demora. Já na semana passada se notou um aumento de 30% na venda de combustíveis, face a períodos comparáveis, uma tendência que poderá ser também sentida nesta. Na terça-feira, a Brisa informava o Governo de que houve ruturas de combustível em postos da autoestrada que liga Lisboa ao Porto.

A ideia não partiu apenas da cabeça dos portugueses, já que até o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, aconselhou os cidadãos a abastecerem as viaturas antes da greve, no final de julho. O ECO foi ver em vários postos espalhados pela capital se os portugueses decidiram mesmo seguir o conselho.

Perto da Basílica da Estrela, num posto da BP, um funcionário ocupava-se a gerir o tráfego dos automóveis que chegavam para abastecer. “Já se nota muito mais afluência desde ontem [terça-feira] “, disse ao ECO, notando que é mesmo na semana que antecede a greve, com início marcado para 12 de agosto, que se começa a sentir a “ansiedade” das pessoas.

Fila na BP perto da basílica da EstrelaHugo Amaral/ECO

“Já esgotámos os jerricãs hoje e mandámos vir mais. É da ansiedade”, reiterou, entre sorrisos. Algumas empresas que vendem os recipientes apelidados de jerricãs notaram ainda na semana passada uma procura crescente pelos contentores, nomeadamente por aqueles de de 20, 25 e 30 litros.

"As pessoas já não metem nem dez nem 20 euros. É tudo para atestar”

Continuando o percurso, subindo algumas centenas de metros para Campo de Ourique, o cenário era semelhante. Um funcionário do posto da Galp acabava de encher três garrafões de 20 litros de gasóleo. “Isto tem sido uma loucura hoje”, diz. A meio da tarde o posto tinha uma fila de automóveis anormal à espera para abastecer.

Cinco litros para abastecer uma scooter.Hugo Amaral/ECO

Ainda existe a possibilidade de esta greve ser desconvocada, mas mesmo assim a prevenção parece ser o lema. A semana em que começa, para além do período de férias, apanha também o feriado de 15 de agosto, que pode ser aproveitado para um fim de semana prolongado. O Governo já definiu a rede de emergência, que terá 374 postos, bem como serviços mínimos entre 50% e 75%.

Mais preparados do que na última vez, alguns dos trabalhadores não denotam muita preocupação. Na Galp do Campo Pequeno, o funcionário do posto garantia que o combustível não esgota, pelo menos até ao final do dia. Podem vir à vontade que a gasolina não vai acabar hoje“, prometeu. Mesmo assim, pediu que viessem “com calma”, já que quase ia havendo luta “por causa da fila”.

Poucos quilómetros mais à frente, na zona de Alvalade, mais do mesmo. No posto de combustível da Prio, viam-se filas para abastecer, e não apenas as quantidades normais para o dia-a-dia. “As pessoas já não metem nem dez nem 20 euros. É tudo para atestar”, contou a funcionária.

Fila para abastecer na Prio a meio da tarde de quarta-feiraHugo Amaral/ECO

O posto de combustível low-cost da Rede Energia no Campo Grande também não fugia à regra. Disseram-nos que desde domingo que se nota mais afluência e que não é normal nesta altura em agosto. “Os chineses já não têm jerricãs. Estão a mandar vir às toneladas”, brincaram os dois funcionários, enquanto enchiam os depósitos dos automóveis à frente de uma fila com quase duas dezenas de veículos.

Este era o cenário, a meio da tarde de quarta-feira, nos postos no centro de Lisboa. Ao fim do dia, o Governo deu uma conferência de imprensa onde decretou os serviços mínimos. Os sindicatos dos motoristas não reagiram bem, com alguns a indicar mesmo que iriam impugnar judicialmente os serviços mínimos, fazendo adivinhar que as filas não deverão acalmar.

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