Galaxy Note 7: A culpada da crise na Samsung? É a Apple

Ok, não diretamente. Mas terão sido os rumores sobre a pouca novidade no iPhone 7 que levaram a Samsung a acelerar a produção do Galaxy Note 7. A investigação foi publicada pela Bloomberg.

É uma história com contornos de telenovela. No início deste mês, a marca sul-coreana Samsung viu-se obrigada a recolher 2,5 milhões de telemóveis Galaxy Note 7 por risco de incêndio e explosão das baterias. Agora, uma investigação da agência Bloomberg vem avançar com uma possível origem do problema: a Apple. Ou melhor, a ânsia de tentar destronar a rival norte-americana.

Comecemos pelo princípio. Quer a Samsung quer a Apple estão entre as principais empresas a vender telemóveis neste momento. E o que significa isso? Uma concorrência muito forte, onde qualquer oportunidade de ganhar vantagem sobre o adversário é bem-vinda.

Ora, de acordo com a Bloomberg, foi precisamente o que aconteceu. No princípio deste ano, rumores de que o iPhone 7 não ia ter muitas novidades terão chegado aos ouvidos de alguns gestores da multinacional coreana. Além disso, falava-se de que o telemóvel da Apple iria ter um visual bastante semelhante ao do antecessor iPhone 6S — o que, de facto, se veio a verificar. À Samsung, esta terá parecido uma oportunidade de ouro para atacar o mercado com força, apresentando um Note 7 carregado de funcionalidades inovadoras: entre elas, desbloqueio através do reconhecimento da íris, ecrã de alta definição curvado nas extremidades e uma bateria de carregamento rápido com capacidade superior.

A caneta stylus foi melhorada e vem incluída no Galaxy Note 7. Permite tirar notas ou fazer desenhosFlávio Nunes/ECO

Mas a janela de oportunidade era curta e, por isso, alguns altos cargos da Samsung terão decidido apressar o desenvolvimento do telemóvel, conta a Bloomberg, citando “uma pessoa familiarizada com o assunto”. Outra fonte contou à agência como a marca terá ainda pressionado os fornecedores a cumprirem prazos mais apertados. O objetivo? Alegadamente, antecipar o lançamento do telemóvel e apresentá-lo antes do iPhone 7 (lançado a 7 de setembro), calando de vez aqueles que acusavam a marca de copiar a Apple nos seus produtos.

O desenvolvimento do novo telemóvel prosseguiu a todo o vapor, com muitas mudanças de última hora e esforço por parte das equipas, refere a Bloomberg. A data oficial de lançamento acabou por ser aprovada dez dias antes do que acontecera no ano anterior. Aliás, o próprio lançamento foi a 3 de agosto, enquanto, em 2015, o modelo antecessor foi apresentado no dia 13 desse mês, recorda a agência.

Foi um plano que saiu furado. No início de setembro, muitos clientes já tinham o telemóvel nas mãos, e foi então que o problema se começou a revelar. Nas redes sociais surgiam dezenas de imagens e queixas de utilizadores que contavam como o Note 7 tinha pura e simplesmente irrompido em chamas. Ou, pior, explodido.

Só mais tarde se soube que o problema estava no sobreaquecimento da bateria, parte essencial de qualquer dispositivo que se diga “móvel” e, talvez, um dos componentes que menos acompanhou o evoluir da tecnologia em geral — já aqui falámos brevemente do assunto. Isso não impede que se queiram baterias com cada vez maior capacidade e que carreguem cada vez mais rápido, como o público certamente quer.

Logo, a Samsung, como qualquer empresa que fabrique telemóveis, quis corresponder às expectativas e, segundo a Bloomberg, optou por dar ao Note 7 uma bateria de 3500 mAh (miliamperes hora), mais 500 mAh do que a do Note 6 — para comparação, a do iPhone 7 Plus tem 2900 mAh. De acordo com outra fonte “familiarizada com o assunto”, a fornecedora foi a Samsung SDI Co., uma empresa do conglomerado Samsung que, surpresa, também fornece baterias a outras marcas, incluindo a Apple.

Por isso, de acordo com a agência, a Samsung SDI foi a primeira a levar com as culpas pelo problema nos Note 7, que acabou por dar uma machadada na reputação da empresa. Começaria então o pingue-pongue, com o departamento responsável pelo telemóvel a apontar o dedo ao fornecedor e este, por sua vez, a alegadamente sugerir que o problema poderia estar no desenho do telemóvel, por exemplo.

Ao mesmo tempo, a empresa entrava em gestão de crise, debatendo o que fazer a seguir: recolher todos os Note 7, ou lançar um programa de substituição das baterias. Qualquer que fosse a decisão, teria de ser tomada o quanto antes. Era uma luta contra o tempo, que resultou ainda noutro problema: a falta de informação aos clientes. Enquanto, por um lado, era pedido que os utilizadores parassem imediatamente de usar o telemóvel, por outro lado, a Samsung sul-coreana lançava um atualização de software que prevenia o sobreaquecimento do telemóvel.

Segundo a Bloomberg, a 1 de setembro a companhia decidiu-se, por fim, a recolher todos os Note 7 — especificamente 2,5 milhões, mais coisa menos coisa. No dia seguinte, D. J. Koh, mobile chief da Samsung e um veterano da empresa, anunciava publicamente o programa de recolha dos Note 7 — programa esse que, em Portugal, começa esta segunda-feira.

O resto da história já é conhecido. As vendas do Note 7 foram completamente suspensas e os títulos da Samsung na bolsa sul-coreana chegaram a cair 10%, estando agora a recuperar. Os dados apontam já para 92 casos registados de problemas com o Galaxy Note 7, incluindo 55 casos de danos em propriedade e 26 casos de queimaduras.

No máximo, até 21 de setembro as substituições serão feitas, garante a empresa. Não se sabe, porém, quando é que as vendas serão retomadas a nível global. De qualquer forma, o mal está feito: estima-se que o custo da recolha possa chegar a 1,8 mil milhões de euros, ou dois mil milhões de dólares. E as vendas do iPhone 7 nem estão a correr assim tão mal: quando abriram as pré-encomendas, o aparelho esgotou.

Por fim, falta explicar o que tem causado a explosão das baterias. Embora ainda não haja uma conclusão oficial da investigação que está a ser feita, a informação que estará a ser prestada às autoridades norte-americanas e sul-coreanas é esta: terá havido um erro de produção que resultou em demasiada pressão sobre a bateria do telemóvel. Isso levou ao contacto entre os polos elétricos positivo e negativo em alguns dos telemóveis. E não é preciso ser especialista em eletricidade para saber no que isso dá. Basta olhar para o que aconteceu a muitos Note 7: sobreaquecimento, incêndio, explosão.

Vista lateral do Note 7, com oito milímetros de espessura
Vista lateral do Note 7, com oito milímetros de espessuraFlávio Nunes/ECO

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