Automóveis travam economia nas empresas e nos particulares

O setor automóvel está a interferir negativamente com o crescimento da economia portuguesa na reta final do ano. No primeiro semestre o cenário era mais positivo, mas inverteu-se.

O setor automóvel está a prejudicar o crescimento da economia portuguesa, depois de uma evolução positiva no início do ano. Por um lado, os consumidores estão a adquirir menos automóveis. Por outro lado, também as empresas estão a travar o investimento no setor, tal como nos conta o destaque divulgado esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística.

A aceleração do consumo privado em bens não duradouros e serviços (alimentação, por exemplo) foi acompanhada por uma desaceleração no consumo privado de bens duradouros, após uma evolução positiva nos primeiros seis meses do ano. A variação homóloga registada no terceiro trimestre foi de 6,2%, face aos 7,9% registados no segundo trimestre. De quem é a culpa? Da “evolução da componente automóvel”, que estão incluídos na categoria de bens duradouros, indica o INE.

Taxa de variação homóloga, por trimestre, do consumo privado de bens duradouros

Fonte: INE (Valores em percentagem, taxa de variação trimestral homóloga)
Fonte: INE (Valores em percentagem, taxa de variação trimestral homóloga)

Além disso, não há melhores notícias do lado do investimento que se mantém em terreno negativo. Se até a meio do ano as empresas já estavam a travar os investimentos, essa realidade não mudou no terceiro trimestre: a variação homóloga agravou-se dos -2,3% no segundo trimestre para os -3,1% no terceiro trimestre.

As duas variáveis que compõem o são as Variações de Existências e a Formação Bruta de Capital Fixo tiveram comportamentos diferentes. A diminuição dos stocks em armazém (Variação de Existências) apresentou um contributo negativo de 0,3 pontos percentuais para a variação homóloga do PIB no terceiro trimestre, após um contributo nulo no trimestre anterior.

Já a variável da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) melhorou, beneficiada pelo componente outras máquinas e equipamentos, apesar de continuar com uma variação homóloga negativa: no segundo trimestre era -2,4% e no terceiro trimestre passou a -1,5%.

Taxa de variação homóloga, por trimestre, do FBCF de equipamentos de transporte

Fonte: INE (Valores em percentagem, taxa de variação trimestral homóloga)
Fonte: INE (Valores em percentagem, taxa de variação trimestral homóloga)

E aqui entra novamente o setor automóvel: é que a componente equipamentos de transporte da FCBF travou fortemente no terceiro trimestre passando de um crescimento homólogo de 3,7% no segundo trimestre para 0,8% no terceiro trimestre. Deve-se a quê? “Devido particularmente ao comportamento da componente automóvel”, indica o INE.

Editado por Mariana de Araújo Barbosa (mariana.barbosa@eco.pt)

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