Fundos reforçam aposta nas papeleiras com queda do euro

A Navigator e a Altri foram as cotadas nacionais em que o fundos de investimento mais reforçaram em novembro.

As papeleiras foram as cotadas nacionais em que os fundos de investimento mais reforçaram a sua aposta, no último mês. Dados divulgados esta quinta-feira pela CMVM mostram que em novembro, a indústria de fundos aumentou em torno de 10% o seu investimento nos títulos do setor. Esta aposta não será alheia à recente desvalorização do euro face ao dólar. A Navigator passou a ser a cotada preferida pelos gestores de fundos.

Os dados do regulador da bolsa nacional mostram que, no último mês, os fundos de investimento aumentaram em 9,6% o montante investido em ações da Navigator. Um reforço que fez com que a cotada liderada por Diogo da Silveira subisse para a liderança do ranking de participações dos fundos de investimento em ações nacionais. Estes passaram a deter 9,3% do total de ativos aplicados na papeleira, correspondentes a um total de 15,1 milhões de euros.

O investimento na Altri também foi reforçado, em 10,4%, com a empresa co-liderada por Paulo Fernandes a passar a ocupar a nona maior participação dos fundos. Os fundos passaram a deter 7,7 milhões de euros aplicados na empresa.

O reforço da aposta no setor das papeleiras aconteceu num mês em que o euro sofreu fortes perdas. Em novembro, a divisa desvalorizou 3,6%, pressionada pelo aumento das expectativas em torno de uma subida de juros nos EUA que se confirmou nesta quarta-feira. A perda de fôlego do euro é benéfica para o setor, já que o negócio do papel é feito em dólares. A valorização da “nota verde” é sinónimo de mais receitas para as empresas deste segmento, à semelhança do que acontece com as exportadoras. Facto que suporta que os gestores dos fundos tenham focado o investimento nesse segmento de empresas no último mês.

Uma tendência de investimento que poderá prolongar-se atendendo a que a queda do euro também se mantém. Só hoje a moeda única recuou 1,5% para mínimos de 14 anos face ao dólar.

Entre as maiores posições dos fundos de investimento continuam a figurar os CTT, apesar do grande desinvestimento de que o título foi alvo. A empresa liderada por Francisco Lacerda viu os gestores reduzirem em 21,9% a participação detida. Os Correios mantêm-se ainda assim como o segundo título preferido dos fundos de investimento, com uma posição de 8,7% das respetivas carteiras.

A Nos foi outra das cotadas que mais perdeu investimento. A cotada desceu para a quarta posição da carteira dos fundos, com 8,2% dos ativos aplicados no título, mas menos 21% face ao montante aplicado no mês precedente. Já a Sonae SGPS é a terceira cotada preferida pelos gestores dos fundos, que detêm uma posição de 8,6% na retalhista.

Novembro, foi marcado por um decréscimo dos montantes aplicados pela indústria de fundos de investimento em ações nacionais. Estes baixaram 4,6% para 162,3 milhões de euros, enquanto a posição em ações de emitentes estrangeiros cresceu 2,4%.

Também o investimento em obrigações nacionais recuou – 5,9% para 95,9 milhões de euros -, enquanto a aposta em dívida estrangeira subiu 2,3%.

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