Isabel dos Santos promete ficar na Sonangol: “Não somos parte do Governo”

As eleições gerais angolanas não deverão ter influência no mandato de Isabel dos Santos à frente da Sonangol. Numa cimeira no Texas, a empresária prometeu cumpri-lo até ao fim.

Isabel dos Santos está esta terça-feira no Texas (EUA). É oradora na cimeira energética CERAWeek.Sonangol

As eleições gerais angolanas não deverão afastar Isabel dos Santos da liderança da Sonangol. A garantia é dada pela própria empresária em declarações à agência Reuters: “Não somos parte do Governo. Temos um mandato claro que foi dado à empresa e vamos cumpri-lo”, disse à margem da cimeira CERAWeek, que está a decorrer em Houston, no Texas.

A CERAWeek é considerada uma importante plataforma de discussão pelo setor energético, sendo que Isabel dos Santos deverá reunir com responsáveis de empresas como a Chevron, ExxonMobil, Total, BP e Statoil, com o objetivo de “avaliar futuras oportunidades e reforçar relações de cooperação”, lê-se num comunicado.

A garantia de Isabel dos Santos de que permanecerá no board da petrolífera estatal angolana vem contrariar a notícia avançada pelo semanário Expresso no final de fevereiro, onde se dava conta de que a presidente do conselho de administração da Sonangol estaria a ser “muito pressionada” e deveria abandonar o cargo ainda antes do sufrágio que se deverá realizar em agosto.

A CERAWeek decorre ao longo desta semana e reúne empresas de referência na indústria do gás e do petróleo. Isabel dos Santos, filha do Presidente José Eduardo dos Santos — que conduz os destinos do país há 36 anos — é oradora nesta edição, no painel “Transforming Global E&P”, que terá lugar esta terça-feira. Nele, a empresária “vai partilhar as grandes linhas de transformação que tem implementado na Sonangol com vista à otimização do desempenho financeiro e operacional da empresa”, refere a firma numa nota enviada às redações.

Angola pode vir a refinar petróleo no exterior

Esta terça-feira, soube-se ainda que o Governo angolano está a estudar a possibilidade de passar a refinar no estrangeiro algum petróleo bruto explorado no país, para consumo nacional. A notícia é avançada pela agência Lusa, que cita “um documento oficial” a que teve acesso. Em causa, um despacho assinado pelo ministro dos Petróleos, José Maria Botelho de Vasconcelos, com vista à contratação de uma empresa de consultoria que terá especificamente a missão de elaborar um “estudo de viabilidade técnico-económico de processamento de petróleo bruto angolano numa refinaria fora do país”.

Angola é o maior produtor de petróleo em África, com mais de 1,6 milhões de barris de crude por dia, mas a capacidade de refinação nacional é insuficiente, cingindo-se a atividade à refinaria de Luanda, o que obriga à importação de grande parte dos produtos refinados que consome. A solução de recorrer a uma refinaria estrangeira tem sido defendida por alguns especialistas como hipótese mais acessível, face aos custos avultados de construção e manutenção de uma refinaria de raiz em Angola.

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