Carlos Costa: “No BES fizemos o que se podia fazer”

  • ECO
  • 8 Março 2017

Carlos Costa reconhece críticas à sua atuação mas diz que vai cumprir o seu mandato até ao fim para garantir a independência do Banco de Portugal e da sua missão na estabilização do sistema.

Carlos Costa não sente a pressão do PS para abandonar o cargo de governador do Banco de Portugal e mostra-se firme no cumprimento do seu mandato até ao fim. Só assim, garante o governador em entrevista ao Público, é capaz de garantir a independência da instituição e a missão que lhe está confiada, da estabilidade financeira. Reconhece as críticas na medida em que exerce um cargo público, mas Carlos Costa destaca a normalidade das relações com o Governo.

“Só não teria condições para exercer o meu mandato se não fosse capaz de garantir a independência do Banco de Portugal e de garantir o cumprimento da missão que lhe está confiada”, respondeu Carlos Costa em entrevista publicada esta quarta-feira no Público (acesso pago).

“Tenho um compromisso muito forte com a missão e os objetivos – e estamos a alcançá-los, nomeadamente o objetivo da estabilidade financeira –, não vejo por que razão não devo prosseguir. Pelo contrário. Não há independência de uma instituição sem compromisso forte com o cumprimento dos mandatos”, salientou o governador do banco central nacional.

A entrevista de Carlos Costa surge numa altura em que a sua atuação enquanto governador do Banco de Portugal no caso BES tem merecido duras críticas, levando os partidos mais à esquerda a apontarem para “falhas graves”. Mesmo dentro do PS há vozes que apontam responsabilidades no atraso da resposta no processo que levou à resolução do banco. Depois das reportagens emitidas pela Sic, o Banco de Portugal sentiu necessidade de justificar a sua ação no caso. E também por causa disso Carlos Costa volta ao Parlamento para dar as suas explicações sobre o tema.

“Foi mão humana”

Na mesma entrevista, Carlos Costa defende-se das críticas que sugerem que o Banco de Portugal poderia ter feito mais para impedir a derrocada no BES. “O que fizemos era o que se podia fazer”, justifica-se o governador, adiantando que só se apercebeu de que o banco poderia cair a semanas da medida de resolução aplicada em agosto de 2014. E que teve intervenção humana.

“Não foi pela via do contágio que o problema aconteceu. Foi por via de outras operações que, a seu tempo, serão clarificadas. (…) O contágio através de dívida [do Grupo Espírito Santo] não foi determinante para aquelas perdas [do BES. O que foi determinante foram as operações que se revelaram no final do segundo trimestre de 2014”, diz Costa.

“Neste momento está em segredo de justiça, mas não foi senão mão humana que fez com que o BES, de um momento para o outro e surpreendendo todos (incluindo quadros do banco), apresentasse uma perda de uma dimensão que jamais poderíamos antecipar”.

Braço-de-ferro com Governo

Todas as explicações adicionais sobre o caso BES deverão ser prestadas na nova ida de Carlos Costa ao Parlamento. Mas o governador está no epicentro de um braço-de-ferro com o Governo não só por causa desse dossier. Também as escolhas para a administração do banco central estão a criar um braço-de-ferro entre instituição e tutela, conta o Jornal de Negócios (acesso pago).

Em causa está o nome de Rui Carvalho para administrador do Banco de Portugal que Carlos Costa insiste, apesar do veto do ministro das Finanças, Mário Centeno. O governador considera que o atual diretor de mercados e gestão de reservas desempenhará um papel importante no desempenho operacional do banco central.

(Notícia atualizada às 8h12 com mais informação)

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