Subida das exportações e investimento explicam PIB de 2,8% no primeiro trimestre

O INE confirmou que a economia portuguesa cresceu 2,8% nos primeiros três meses deste ano. Exportações e investimento deram o maior contributo para o crescimento mais elevado da década.

No primeiro trimestre deste ano, a economia cresceu 2,8% em termos homólogos. Depois da estimativa rápida revelada a 15 de maio, o Instituto Nacional de Estatística divulgou esta quarta-feira as Contas Nacionais Trimestrais onde confirma que o Produto Interno Bruto subiu 2,8% nos primeiros três meses do ano. A evolução das exportações e do investimento, em comparação com o primeiro trimestre de 2016, justificam esta subida.

Por detrás deste resultado está a evolução das exportações de bens e serviços, superior à das importações de bens e serviços. A taxa de variação homóloga das exportações fixou-se nos 9,7%, o maior crescimento desde o quarto trimestre de 2013. Os serviços aumentaram 10,9% e os bens 9,2%. Já as importações subiram 8%, também com um maior crescimento nos serviços (10,4%) e menor nos bens (7,7%). Além disso, o INE refere que “o 1º trimestre de 2017, acentuou-se significativamente a perda nos termos de troca verificada no trimestre anterior”. Já o saldo comercial piorou de 1,5% do PIB nos primeiros três meses de 2016 para 1,2% do PIB no primeiro trimestre de 2017.

Este registo levou a que a procura externa líquida passasse de um contributo negativo (-0,6 pontos percentuais) para um contributo positivo de 0,5 pontos percentuais na variação homóloga do PIB. “A aceleração do PIB no 1º trimestre de 2017 resultou do aumento do contributo da procura externa líquida, uma vez que a procura interna apresentou um contributo inferior ao do trimestre precedente”, explica o destaque revelado pelo INE esta quarta-feira.

Em sentido contrário, o contributo da procura interna baixou face ao quarto trimestre. “A desaceleração da procura interna resultou do comportamento do consumo privado“, assinala o INE. Já o consumo público teve um contributo negativo na taxa de variação homóloga da procura interna. Em contrapartida, verificou-se uma aceleração do investimento que passou de um crescimento de 3,6% no 4º trimestre para 5,5% no primeiro trimestre. Desde o quarto trimestre de 1998 que a Formação Bruta de Capital Fixo não crescia tanto: 8,9% neste trimestre.

Esta aceleração do investimento está ancorada na construção e outras máquinas e equipamentos. “A FBCF em Construção foi a componente que mais contribuiu para o crescimento da FBCF no 1º trimestre, registando um aumento homólogo de 8,5% em termos reais (1,5% no trimestre anterior)”, explica o INE. Já o contributo da “Variação de Existências para a variação homóloga do PIB se manteve negativo (-0,5 p.p. no 1º trimestre)”.

A taxa de variação em cadeia foi de 1%, tal como o INE tinha revelado na primeira estimativa. Nesta ótica, o contributo da procura interna diminuiu “de forma expressiva”, fruto da descida do investimento do 4º trimestre de 2016 para o 1º trimestre de 2017. “Comparando com a Estimativa Rápida para o 1º trimestre, a nova informação de base incorporada não implicou revisões nas taxas de variação homóloga e em cadeia do PIB”, refere o INE.

Fonte: INE

Relativamente ao mercado de trabalho, o emprego aumentou 3,2% no primeiro trimestre deste ano, um dado corrigido de sazonalidade. Esta variação foi superior à taxa observada no quarto trimestre (2,4%). “O emprego remunerado (igualmente corrigido de sazonalidade) também aumentou 3,2% no 1º trimestre, em termos homólogos, acelerando em relação ao trimestre anterior (2,5%)”, acrescenta o Instituto Nacional de Estatística.

O crescimento de 2,8%, no primeiro trimestre, o melhor registo desde o quarto trimestre de 2007, já levou o ministro das Finanças dizer, em entrevista à Reuters, que está confiante que a economia avance mais de 3% no segundo trimestre deste ano, culminando num crescimento anual de mais de 2%.

No último trimestre de 2016, a economia portuguesa já tinha crescido 2% em termos homólogos. A expectativa dos analistas para o PIB do primeiro trimestre era de um aumento entre 2,4% e 2,7%.

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