Os cinco banqueiros centrais que gerem 8,76 biliões de euros vão reunir-se em Sintra

  • Margarida Peixoto
  • 25 Junho 2017

São só cinco, mas são os responsáveis pela gestão de 8,76 biliões de euros. Influenciam a política monetária à escala mundial e vão reunir-se em Sintra para debater o Investimento e o Crescimento.

São só cinco, mas têm a tarefa de controlar 8,76 biliões de euros — que é o mesmo que dizer que são responsáveis pela gestão de 8.760.000.000.000 euros, o equivalente a 46 vezes o PIB português. Alguns dos banqueiros centrais mais influentes do mundo estarão em Sintra para debater o “Investimento e o Crescimento”, no Fórum anual do Banco Central Europeu (BCE), que arranca esta segunda-feira. São eles Mario Draghi, Mark Carney, Haruhiko Kuroda, Karnit Flug e Stephen S. Poloz.

Esta segunda-feira, no Hotel da Penha Longa, em Sintra, estarão reunidos alguns dos mais influentes responsáveis pela política monetária, à escala mundial. O BCE prevê que na edição de 2017 do seu Fórum anual estejam presentes cerca de 150 personalidades de diferentes bancos centrais, bem como académicos e economistas. O evento será dedicado ao tema “Investimento e Crescimento nas economias desenvolvidas” e vai decorrer até quarta-feira.

Às 18h30 de quarta-feira, Karnit Flug, governador do Banco de Israel, vai moderar um painel de debate com outros quatro banqueiros centrais. O ECO fez as contas aos milhões que estão nas mãos das cinco personalidades.

1 – Mario Draghi

É o presidente do Banco Central Europeu, a organização responsável pela política monetária do conjunto de 19 países que usam o euro como moeda. De acordo com dados da Bloomberg, os ativos totais no balanço do BCE atingem os 4,2 biliões de euros. O valor tem vindo consistentemente a subir desde que o BCE iniciou o programa de compras, na primavera de 2015. Apesar da pressa de alguns em começar a retirar as medidas expansionistas, Draghi tem pedido calma.

2 – Haruhiko Kuroda

O Governador do Banco do Japão é outra presença prevista. É o responsável pela gestão do equivalente a 3,9 biliões de euros e o mercado estará atento a pistas sobre o programa de compras do banco central japonês. Os analistas esperam uma progressiva redução das compras de dívida pública no próximo ano, que deverá, contudo, ser compensada por mais emissões de dívida por parte do Estado japonês.

3 – Mark Carney

O Governador do Banco de Inglaterra também vai estar presente. É o responsável por controlar o equivalente a 458 mil milhões de euros. Os investidores estarão atentos a todas as pistas que possam surgir deste debate, uma vez que as negociações do Brexit já estão a decorrer e a forma como os dois bancos centrais se vão relacionar para a supervisão financeira a partir do momento em que o Reino Unido concretizar a sua saída da União Europeia será fundamental.

4 – Stephen S. Poloz

O governador do Banco do Canadá assume a responsabilidade pela gestão de ativos na ordem dos 107 mil milhões de euros. Nos últimos dias, a liderança do banco central tem vindo a ser pressionada por exigência de mais transparência nas suas decisões e avaliações. A Bloomberg teve acesso, através de um pedido feito ao abrigo da liberdade de informação, a um relatório que mostra que os responsáveis do Banco do Canadá falam quase o dobro das vezes em privado, quando comparado com as vezes em que prestam declarações públicas. O relatório utiliza dados de 2014 a 2016.

5 – Karnit Flug

A governadora do Banco de Israel vai moderar o debate. Nas suas funções à frente da política monetária da economia israelita responde pela gestão de ativos na ordem dos 98,6 mil milhões de euros. A acumulação de moeda estrangeira no balanço do banco central tem sido alvo de críticas internas, embora tenha sido bem recebida pelo setor empresarial, nomeadamente os exportadores, que temem uma moeda demasiado forte. Numa ação que foi entendida como uma resposta aos críticos, os investigadores do banco central publicaram um estudo que demonstra que as intervenções de Flug têm levado à moderação da apreciação do shekel.

Clique aqui se quiser ver o programa completo da conferência, no site do BCE (conteúdo em inglês).

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