Presidência angolana desmente que Isabel dos Santos tenha sido exonerada da Sonangol

A Presidência angolana desmente que a empresária angolana tenha sido exonerada da petrolífera Sonangol esta sexta-feira, confirmou o ECO.

O Presidência de Angola desmente que tenha exonerado esta sexta-feira Isabel dos Santos da presidência do Conselho de Administração da petrolífera Sonangol, um ano depois de ter sido nomeada pelo pai e anterior presidente, José Eduardo dos Santos. A notícia foi avançada pela RTP, mas o ECO confirmou junto da presidência que a notícia não é verdadeira e que se trata de uma nota falsa.

Na nota alegadamente enviada à imprensa, pode ler-se que a empresária foi exonerada “a 2 de novembro” e constavam ainda mais nomes da administração que também teriam sido afastados.

A empresária Isabel dos Santos assumiu em junho de 2016 o cargo de presidente do conselho de administração do grupo Sonangol, nomeada para as funções por José Eduardo dos Santos, então chefe de Estado angolano, tendo como missão conduzir a reestruturação da petrolífera, o maior grupo empresarial de Angola.

Desde então, a empresa já procedeu a alterações de estrutura. José Eduardo dos Santos exonerou três administradores executivos da Sonangol, uma decisão que se concretizou no dia em que deixou as funções como Presidente de Angola (26 de setembro). Mas a decisão só foi conhecida a 3 de outubro, através de um comunicado da petrolífera, que justificou as alterações com a necessidade de “estabilização e fortalecimento” que “exige uma alteração da composição do seu conselho de administração e dos respetivos pelouros”. Uma nova estrutura que promovesse a “capacidade de adaptação, a agilidade e a proatividade”.

O economista português Emídio Pinheiro, que até novembro passado integrou o conselho de administração da CGD liderado por António Domingos, assumiu funções nas áreas que não são o negócio principal da Sonangol, nomeadamente a gestão da Sonangol Holdings e Indústria. Antes de sair para a CGD, Emídio Pinheiro liderou durante 11 anos o Banco Fomento Angola.

Na sua intervenção pública mais recente, Isabel dos Santos garanti que não tem ambições políticas e que o seu objetivo é continuar a ser empresária. “A minha missão e verdadeira paixão é ser empresária. Adoro construir coisas, acordar de manhã e ter a equipa certa de pessoas em meu redor para me desafiar, para me dizer se a ideia é boa ou má, reunir recursos e trabalhar em conjunto para construir coisas”, afirmou, num evento em Londres organizado pela Thomson Reuters, em meados e outubro.

A Sonangol tem atravessado um período difícil devido à quebra do preço do petróleo, que se verifica desde finais de 2014. No último relatório e contas da empresa, que passou a ser auditada pela PwC, é reconhecido que o cenário de “redução acentuada de receitas da Sonangol não foi acompanhado, quer em 2015 quer no primeiro semestre de 2016, por uma redução de custos nem por uma revisão da estratégia de investimento” da empresa. “Esta inação conduziu a uma situação difícil perante os credores internacionais, reduzindo a capacidade de obter novos financiamentos, fundamentais para a sustentabilidade das operações e para a manutenção dos níveis de produção”, lê-se no documento.

(Notícia atualizada)

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