MLGTS entre as gigantes

Venda da Naturgas pela EDP por 2.500 milhões catapultou escritórios internacionais no topo do ranking da M&A. Mas há sociedades portuguesas em destaque, como a MLGTS, a Cuatrecasas e a Uría.

O mercado de fusões e aquisições em Portugal vive momentos exuberantes por estes dias, mas Eduardo Paulino conta como ainda há um ano tudo era diferente. No final de 2016, os investidores receavam um novo resgate e “queriam ter algum tipo de salvaguarda se alguma coisa corresse mal”, lembra o sócio da Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados (MLGTS), sociedade de advogados portuguesa que brilha entre as gigantes internacionais em 2017. “Alguma alteração adversa no país e eles saltavam fora do negócio”, recorda.

Hoje em dia, quem chega aos escritórios desta sociedade de advogados na Rua Castilho, em Lisboa, assume já outra abordagem. “Não sendo incomum este tipo de cláusulas, estes mecanismos de salvaguarda já não são sequer colocados em cima da mesa”, diz Eduardo Paulino.

É o reflexo de um maior otimismo entre os investidores em relação a Portugal. Depois dos anos da crise terem provocado desconfiança lá fora e menos negócios cá dentro, a atividade de M&A (sigla inglesa para fusões e aquisições) está a dar motivos para sorrir às firmas de advogados portuguesas este ano.

Dados até outubro indicam que o mercado de M&A em Portugal vai a caminho do melhor ano desde que a PT Portugal foi comprada pela Altice e a PT SGPS entrou na brasileira Oi, em 2014.

Em outubro de 2017, as operações de M&A envolvendo Portugal ascendiam a 6,6 mil milhões de euros até outubro, um aumento de 30% face ao mesmo período do ano passado, segundo a consultora Dealogic.

Ainda que a venda do Novo Banco – assessorada pela Vieira de Almeida do lado do Banco de Portugal e pela Weil Gotshal & Manges do lado do Lone Star — tenha sido a operação mais badalada nos jornais, é a EDP quem mais tem animado a atividade de M&A ao longo do ano. A elétrica lidera o ranking dos negócios mais valiosos em 2017 com a alienação da Naturgas em Espanha por mais de 2.500 milhões. Esta operação permitiu que sociedades como a King & Wood Mallesons, Linklaters, White & Case e Latham Watkins fossem catapultadas para o topo do ranking de sociedades de advogados com maior envolvimento em operações de M&A em Portugal por volume, de acordo com a Mergermarket.

Banca portuguesa já financia

Na MLGTS, o aumento do negócio tem sido evidente. Os números não desmentem Eduardo Paulino. A firma destaca-se no ranking tanto em termos de volume (1.572 milhões de euros) como em número de operações (sete). “Felizmente, temos merecido a confiança dos nossos clientes”, diz o advogado. Não é só a relação com os investidores que justifica o fulgor do M&A nacional.

Francisco Brito e Abreu, sócio da Uría Menéndez-Proença de Carvalho, que esteve a assessorar a compra da EDP Gás pela REN (530 milhões) e está ainda envolvida na compra da TVI pela Media Capital (440 milhões), salienta que a estabilidade governativa e económica trouxe consigo um perfil de investidores mais institucionais. Isto depois de a crise ter colocado o país no radar dos fundos mais oportunistas. “Temos hoje em dia estes e os outros investidores a coabitar no mesmo mercado, dando maior expressão à atividade de M&A”, frisa o sócio da Uría Menéndez.

O ambiente favorável aos negócios está inclusivamente a chamar a atenção dos bancos nacionais, eles que estiveram arredados destas operações de fusões e aquisições nos últimos anos, nota o advogado. “Finalmente a própria banca portuguesa mostra disponibilidade para financiar e emprestar, coisa rara até há bem pouco tempo.”

Um bom Ano Novo

2017 ainda não terminou e na Cuatrecasas aponta-se para um último trimestre bastante ativo em termos de M&A. Pelas mãos da equipa liderada por Diogo Horta Osório passaram oito negócios até ao momento (incluindo a venda da Lesternergia à Saeta Yield por 186 milhões). Mas até ao soar das 12 badaladas deverão passar mais operações pelos escritórios da firma, o que permitirá cimentar a liderança no ranking de número de operações.

“O último trimestre é sempre mais expressivo e mais importante para a atividade de M&A”, vaticina Horta Osório.
Sinal de um bom ano novo? “Estou particularmente otimista para 2018”, diz o partner da Cuatrecasas. Lembra que há setores mais quentes do que outros: “Imobiliário e ativos turísticos são claramente targets para operações de M&A.”


Estas expectativas positivas são partilhadas pela MLGTS e Uría Menéndez. “Vemos algum pipeline de transações importantes”, confidencia Eduardo Paulino. “Tem sido um bom ano em termos de M&A e a perspetiva continue animado em 2018”, antevê Francisco Brito e Abreu.

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