Tesla na falência? Musk prega partida do dia das mentiras no Twitter

  • Juliana Nogueira Santos
  • 2 Abril 2018

Depois de um mês de más notícias, o anúncio de falência parecia óbvio. Mas Musk enganou milhões através do Twitter. No dia das mentiras vale tudo.

O alerta foi lançado entre suspense. “Notícias importantes daqui a umas horas…”, escreveu Elon Musk no seu Twitter. Depois de um mês de más notícias para a sua marca de automóveis elétricos, o anúncio parecia muito óbvio.

Horas depois, chega um texto em formato de comunicado. “Tesla abre falência – Palo Alto, Califórnia, 1 de abril”, lê-se noutro tweet do fundador da Tesla e da Space X. “Apesar dos esforços intensos por angariar financiamento, incluindo um lançamento massivo de uma venda de Easter Eggs, é com tristeza que anunciamos que a Tesla entrou completamente e totalmente em falência. Está tão falida que nem dá para acreditar.

Na impossibilidade de escrever todo o comunicado numa publicação, visto que cada tweet só comporta 240 carateres, seguiu-se uma sequência ainda mais surpreendente. “Há vários capítulos de falência a apresentar e, tal como os críticos destacaram corretamente, a Tesla apresentou-os todos, incluindo o capítulo 14 e meio (o pior)”, continuou Musk, referindo-se a um documento que não existe.

Depois do texto, a fotografia da desgraça. Acompanhado por uma fotografia que mostra o empresário sentado no chão, de olhos fechados, encostado a um dos seus carros, envergando um cartaz a dizer “Bankwupt!”, aparecia o texto: “Elon foi encontrado desmaiado contra um Tesla Model 3, rodeado de garrafas de “Tesquilla”, com sinais de lágrimas secas ainda visíveis nas suas bochechas“.

Despedindo-se com um “feliz mês novo”, Musk denunciou a sua partida do dia das mentiras, celebrado por todo o mundo no dia 1 de abril. Serviu-se do Twitter, a sua rede social favorita, na qual também já tinha anunciado — mas de verdade — o encerramento das páginas de Facebook das suas empresas.

No mês passado, as ações da Tesla caíram mais de 22%, a maior queda mensal desde dezembro de 2010, altura em que a empresa entrou em bolsa. Os receios de as metas de produção não serem alcançadas a tempo e o último acidente com um carro autónomo, que causou um morto, tem levado muitos a criticar o plano de negócio de Musk e a duvidar da sustentabilidade das suas empresas.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Tesla na falência? Musk prega partida do dia das mentiras no Twitter

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião