Malparado na banca afundou. Caiu 9,3 mil milhões de euros num ano

A banca continua a limpar créditos do balanço. No total do ano passado, o malparado encolheu em 9,3 mil milhões de euros, tendo registado a maior queda trimestral de sempre no final de 2017.

O malparado é um fardo pesado para a banca. Continua a sê-lo, mas o setor está a acelerar a resolução do problema, limpando-o do balanço a um ritmo mais acelerado. A redução no quarto trimestre foi a mais expressiva de sempre, numa base trimestral, sendo que no total do ano passado foram “limpos” 9,3 mil milhões de euros destes créditos tóxicos.

“O stock de empréstimos non-performing (NPL, ou malparado) continuou a diminuir no quarto trimestre de 2017. Esta queda, de 2,9 mil milhões de euros, configura a maior redução trimestral desde o início da publicação da série da European Banking Authority, a EBA (em dezembro de 2015)”, referem os dados estatístico do sistema bancário português do Banco de Portugal.

“O stock de NPL reduziu-se 9,3 mil milhões face a dezembro de 2016 e 13,5 mil milhões de euros em relação ao máximo atingido em junho de 2016″, acrescenta. Apesar do contributo favorável de todos os setores, o Banco de Portugal destaca o malparado das empresas que decresceu 5,9 mil milhões face a dezembro de 2016.

“Assim, o rácio de NPL diminuiu 1,3 pontos percentuais (p.p.) no trimestre, passando a situar-se em 13,3%, o que configura uma redução de 3,9 p.p. relativamente ao final de 2016 e de 4,6 p.p. face a junho de 2016. Por sua vez, o rácio de NPL do setor privado não financeiro diminuiu 0,6 p.p. face a setembro de 2017”.

"O stock de NPL reduziu-se 9,3 mil milhões face a dezembro de 2016 e 13,5 mil milhões de euros em relação ao máximo atingido em junho de 2016.”

Banco de Portugal

Ao mesmo tempo que o rácio de malparado cai, também a cobertura desse malparado pela banca está a aumentar. Ou seja, os bancos estão a ser mais proativos. “Em dezembro 2017, o rácio de cobertura de NPL por imparidades era de 49,3%, aumentando 2,8 p.p. face ao trimestre anterior“. “Esta evolução ficou a dever-se a um acréscimo de 3,4 p.p. do rácio de cobertura do segmento das sociedades não financeiras”, refere o Banco de Portugal.

Apesar dos prejuízos, bancos tiveram rendibilidade positiva

Assistiu-se a um acelerar do ritmo de reconhecimento de imparidades por parte da banca, com o Novo Banco a ser claramente a instituição que mais contribuiu para este feito, o que levou a instituição liderada por António Ramalho a apresentar um prejuízo recorde de 1,39 mil milhões de euros. Em 2016, tinha sido a CGD a catapultar o valor do malparado “limpo”.

Apesar de, como um todo, a banca nacional ter apresentado prejuízos, à custa do Novo Banco, o Banco de Portugal revela que a “rendibilidade do sistema bancário em 2017 foi positiva, contrastando com o valor negativo registado em 2016″. “A rendibilidade dos capitais próprios aumentou 10,8 p.p., enquanto a rendibilidade do ativo cresceu 0,9 p.p.”, salienta.

“O aumento da rendibilidade em 2017 reflete, sobretudo, uma redução expressiva do fluxo de imparidades, devido ao efeito de base que decorre do reforço significativo das imparidades para crédito no final de 2016, e ainda um aumento do produto bancário (suportado em grande medida pelo acionamento do mecanismo de capitalização contingente previsto nos contratos celebrados no âmbito da venda do Novo Banco)”, refere o relatório.

“Em 2017, o contributo da margem financeira para o ROA [rendibilidade dos ativos] aumentou ligeiramente face ao ano anterior devido não apenas a uma redução dos encargos com juros superior à verificada nos juros recebidos mas, principalmente, devido à redução do ativo face a 2016 (efeito
denominador)”, acrescenta o Banco de Portugal, notando que os custos ficaram quase inalterados. Houve um “aumento dos custos com pessoal e uma diminuição dos gastos gerais e administrativos da mesma ordem de grandeza”.

Rácios sobem, mas só com os aumentos de capital

Neste contexto de alguma melhoria do setor, o Banco de Portugal destaca os rácios de fundos próprios do sistema bancário que “aumentaram no quarto trimestre de 2017, em resultado do incremento dos capitais próprios”. O rácio de fundos próprios totais situou-se em 15,2% em dezembro de 2017, tendo aumentado 0,5 p.p. face a setembro de 2017″, diz. Face ao final do ano anterior, o aumento é mais expressivo. Estava em 12,3%.

O rácio Common Equity Tier 1 (CET 1) cifrou-se em 13,9%, o que configura um incremento de 0,4 p.p. face ao trimestre anterior”, nota o regulador, sendo que comparando com o final do ano anterior verifica-se, novamente, um aumento maior. É que este rácio estava em 11,4%. “A evolução destes rácios reflete, exclusivamente, o aumento da posição de capital“, diz o Banco de Portugal.

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