CTT entram no mercado de arrendamento. Vão lançar portal para senhorios gerirem imóveis
Operador dos correios prepara-se para lançar uma plataforma online para senhorios cobrarem as rendas de imóveis aos seus inquilinos. E já deu nome ao novo serviço: "Renda+". Diversifica negócio.
Os CTT estão a preparar o lançamento de um novo serviço online direcionado para o mercado de arrendamento, sabe o ECO. Em vista está a criação de um portal na internet onde os senhorios possam fazer a gestão dos seus imóveis, em mais um esforço da administração de Francisco Lacerda para diversificar o negócio da empresa.
Oficialmente, a empresa não comenta. “Os CTT estão permanentemente a desenvolver de forma inovadora e dinâmica novos produtos e serviços, tendo em conta as necessidades do mercado e dos clientes. Quando temos novidades para o mercado, divulgamos”, disse fonte oficial do operador dos correios postais.
Ainda assim, a empresa já procedeu ao registo da marca “Renda+” no Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI) com as seguintes classificações Nice, que definem o tipo de serviço em causa: 36 – Serviços financeiros, serviços de transações financeiras eletrónicas, serviços de processamento de pagamentos, aceitação de pagamento de faturas de rendas de imóveis, serviços online de pagamento de faturas, cobrança de rendas de imóveis; 42 – Fornecimento de acesso temporário a software em linha, não descarregável, para processamento de pagamentos eletrónicos, nomeadamente de rendas de imóveis.
E também o domínio www.rendamais.pt já foi adquirido pelos CTT CTT 0,23% , embora o site ainda esteja offline.
Ou seja, tudo indícios que sugerem que este projeto poderá ser divulgado em breve pelo operador postal e que se apresentará ao mercado numa altura de forte dinamismo do setor imobiliário nacional.
Por outro lado, pelo registo deste serviço no INPI percebe-se que a plataforma online que está a ser desenvolvida pelos CTT também vai permitir que os inquilinos possam utilizar o portal para efetuarem o pagamento das rendas.
Por conhecer estão os moldes do modelo de negócio a operacionalizar pelos CTT, nomeadamente como é que poderão extrair receitas deste novo serviço de cobrança e pagamento de rendas. Recorde-se que através da sua rede Payshop, integrada agora no Banco CTT, a empresa já disponibiliza um serviço de pagamento de faturas de telecomunicações e eletricidade.
Ao entrar no mercado de arrendamento com este novo serviço, abre-se a porta para que os CTT possam explorar eventuais sinergias entre os seus serviços financeiros e os novos seguros de rendas previstos na Nova Geração de Políticas de Habitação para proteção de senhorios (em caso de incumprimento do inquilino), de inquilinos (em caso de perda súbita de rendimento) e dos imóveis (em caso de dano inesperado).
Lacerda tem procurado acelerar a diversificação do negócio dos CTT, atualmente muito dependente de dois segmentos que se encontram em quebra há vários meses — a distribuição de cartas e a venda de produtos do Estado. No primeiro trimestre, os CTT registaram uma queda de 50% do lucro para os 5,4 milhões de euros.
Ainda há duas semanas, os CTT anunciaram uma joint-venture com a Sonae para a criação de uma plataforma de comércio eletrónico, num projeto que vai ter um investimento inicial entre 10 a 15 milhões de euros.
O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente
O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.
Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.
A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.
Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.
De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.
António Costa
Publisher do ECO
Comentários ({{ total }})
CTT entram no mercado de arrendamento. Vão lançar portal para senhorios gerirem imóveis
{{ noCommentsLabel }}