Navigator perdeu 650 milhões em menos de duas horas. Batalha comercial nos EUA custa 20% dos lucros

Batalha comercial nos EUA custa 20% dos lucros. Os analistas estão divididos sobre o impacto nas ações da Navigator.

Os investidores estão aos papéis com a Navigator NVG 3,68% . As ações da papeleira portuguesa estiveram a negociar sob um frenesim vendedor durante a manhã em Lisboa, depois de ter sido aplicada uma taxa sobre as vendas de papel no mercado norte-americano. A decisão vai ter um impacto bastante negativo nos resultados, já disse a empresa. Feitas as contas, a batalha comercial deverá custar mais de 20% dos lucros da cotada portuguesa em 2018. Mas os analistas estão divididos sobre o impacto nas ações.

Foi na sexta-feira à noite que a Navigator anunciou a má notícia. Desde fevereiro de 2015 que corre um processo com as autoridades norte-americanas sobre qual a taxa a pagar pelas vendas de papel nos EUA. Em abril deste ano, foi determinada uma taxa de 0% para as vendas realizadas entre agosto de 2015 e fevereiro de 2017, mas Navigator foi agora notificada pelo Departamento do Comércio que a taxa final será de 37,34%.

“A Navigator está convencida que vai conseguir demonstrar (…) que a taxa (…) é totalmente injustificada e, consequentemente, fazer com que o Departamento do Comércio reverta esta medida administrativa, que tem um impacto estimado de 66 milhões no EBITDA e de 45 milhões nos lucros líquidos do ano em curso“, sublinhou a empresa no comunicado enviado ao mercado.

Tendo em conta as estimativas dos analistas sondados pela Reuters, a Navigator deveria terminar 2018 com lucros a rondar os 246 milhões de euros. Ou seja, o conflito comercial nos EUA deverá custar mais de 18% do resultado líquido da empresa liderada por Diogo da Silveira.

Mas ainda há muitas dúvidas sobre o que pode realmente acontecer dado que o caso vai agora para tribunal, razão pela qual os analistas consultados pelo ECO estão divididos quanto ao impacto que este novo enquadramento comercial poderá ter naquilo que é o valor da empresa.

Numa primeira reação, as ações estiveram a afundar mais de 18%, limpando mais de 650 milhões de euros ao valor de mercado da Navigator em menos de duas horas. Mas as perdas foram aliviando ao final da manhã e os títulos já só perdiam 10% cerca das 11h30, conferindo uma avaliação de mercado de 3,1 mil milhões de euros à cotada. Também a Semapa, que controla 70% da Navigator, via as ações recuarem 6,59% para 18,44 euros.

Navigator vai ao fundo

“Enquanto não há maior visibilidade, optamos por não alterar o modelo”, diz a equipa de research do BiG ao ECO. “Ainda assim, o impacto para este ano, apesar de significativo, tem a ver com a retroatividade da taxa. As vendas da Navigator nos EUA rondam os 10% e há a possibilidade de subirem preços aos clientes de modo a aliviar em parte este impacto da taxa. Portanto, no longo prazo, não vemos um impacto significativo na avaliação da empresa que justifique as quedas de preço que assistimos hoje“, explicou o banco.

Por seu turno, Carla Maia Santos, da XTB Portugal, destaca que a incerteza poderá continuar a afugentar os investidores de uma das cotadas que mais brilhava na bolsa de Lisboa em 2018.

“Apesar da empresa portuguesa avançar com reclamação aos EUA, enquanto não houver um fecho do tema, podemos continuar a assistir à fuga dos investidores da empresa”, disse aquela especialista.

Certo é que, apesar da providência cautelar interposta pela Navigator nos tribunais americanos, a nova taxa vai começar já a ser aplicada sobre todas as vendas da empresa após a data de publicação da decisão do Departamento do Comércio, o que deverá acontecer até final desta semana

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