Debaixo de fogo, Facebook recruta antigo vice-primeiro-ministro do Reino Unido

Numa altura em que o Facebook está sob intenso escrutínio político e das autoridades, Mark Zuckerberg recrutou Nick Clegg, ex-vice-primeiro-ministro britânico. Fica com a pasta dos assuntos globais.

Nick Clegg foi vice-primeiro-ministro do Reino Unido entre 2010 e 2015.swiss-image.ch/Moritz Hager/WEF

O Facebook contratou Nick Clegg, ex-vice-primeiro-ministro do Reino Unido, para o cargo de líder para os assuntos globais e responsável máximo da equipa de comunicação. A notícia foi avançada pelo Financial Times (acesso pago), que sublinha que este foi o nome escolhido para substituir Elliot Schrage, que deixou recentemente o Facebook depois de ter passado uma década a trabalhar na empresa.

A contratação de um político como Nick Clegg surge numa altura em que a maior rede social do mundo está sob forte escrutínio político e das autoridades nos Estados Unidos e na Europa, depois de uma sucessão de escândalos que minaram a credibilidade da empresa aos olhos de milhares de milhões de utilizadores. O Congresso norte-americano está a ponderar avançar com medidas regulatórias que poderão limitar a forma como empresas como o Facebook fazem negócio com recurso aos dados pessoais dos cidadãos.

Nick Clegg tem 51 anos e foi vice-primeiro-ministro do Reino Unido entre 2010 e 2015 e presidiu o partido dos Democratas Liberais entre 2007 e 2015. Perdeu o lugar no Parlamento nas eleições gerais de 2017. Também já foi eurodeputado e jornalista do Financial Times.

Segundo o jornal britânico, a ida de Nick Clegg para o Facebook foi o resultado de meses de negociações com Mark Zuckerberg, que lhe prometeu um papel de liderança na construção da estratégia da empresa. O recrutamento de um político de peso para uma empresa como o Facebook está a ser recebido com surpresa por parte da classe política norte-americana e europeia. Nick Clegg deverá mudar-se para Silicon Valley em janeiro.

Certo é que o Facebook já teve melhores dias. Em março deste ano, a imprensa internacional revelou que a consultora Cambridge Analytica terá conseguido recolher dados pessoais de 87 milhões de utilizadores para desenvolver campanhas altamente direcionadas para ajudar a eleger políticos. Donald Trump, atual Presidente dos Estados Unidos, terá sido um dos beneficiários da tecnologia desenvolvida por aquela empresa privada.

Mais recentemente, em setembro, o Facebook anunciou ter descoberto que foi alvo de um ataque informático que pôs em risco os dados pessoais de 50 milhões de contas. Contudo, na semana passada, reviu o número em baixa para 29 milhões de contas potencialmente afetadas pela invasão.

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