Elas saem de casa, casam-se e reformam-se primeiro do que os homens… E vivem mais anos

Os números são do Eurostat. As mulheres saem de casa dos pais mais cedo e comem melhor. Os homens, por outro lado, têm a mais elevada taxa de emprego e fazem mais exercício físico.

Sair de casa dos pais, estudar, casar, ter filhos e, até, entrar na reforma são acontecimentos comuns na vida da maioria dos europeus. Mas, há diferenças e a maior diz respeito ao género. De acordo com um estudo do Eurostat, ser homem ou mulher influencia cada uma destas e outras decisões ou hábitos de vida.

As mulheres ficam com os títulos de sair de casa dos pais mais cedo, de possuir mais habilitações e de comer de forma mais saudável. Os homens, por outro lado, têm a mais elevada taxa de emprego, os salários mais altos e a maior percentagem de prática de exercício físico.

As mulheres são as primeiras a fazer as malas e a “juntar os trapinhos”

Sobre os marcos mais importantes na vida dos homens e das mulheres, o estudo do Eurostat destaca o facto de serem elas que cumprem mais cedo certos passos. Por exemplo, no que toca a sair da casa dos pais, as mulheres são as primeiras a fazer as malas, aos 25 anos, dois anos antes dos homens.

Mas não é só, também são as mulheres que casam mais cedo, aliás, em todos os Estados-Membros se verificou o mesmo. Em Portugal, tal como na Irlanda e no Reino Unido, a diferença de idades entre homens e mulheres aquando do seu primeiro casamento quase não chega a dois anos; no entanto, em países como a Bulgária, a Roménia e a Grécia, a diferença ultrapassa os três anos.

Quanto a ter filhos, em 2016, as mulheres da União Europeia tiveram o primeiro filho aos 29 anos de idade, em média.

Na idade de reforma as mulheres também se adiantam, apesar de a diferença não ser muito significativa. A reforma para elas é, em média, aos 58,8 anos e para eles é aos 59,4 anos. Outro dado interessante neste estudo tem a ver com a esperança média de vida, que é mais alta para as mulheres (até aos 83,6 anos). De acordo com os resultados do Eurostat, as mulheres vivem mais 5,4 anos do que os homens. Na Letónia e na Lituânia, a diferença alcança os dez e 11 anos. Já na Dinamarca, Irlanda, Malta, Holanda, Suécia e Reino Unido, a diferença não é tão expressiva, ficando-se pelos quatro anos ou menos.

Os homens estudam menos, mas têm mais emprego e ganham mais

Vamos ao percurso escolar e profissional. Começando pela educação, só quando se olha para o ensino universitário é que as diferenças aparecem. Há mais mulheres com licenciatura, ou outro grau do ensino superior, do que homens. Na União Europeia, em média, considerando a população com idades compreendidas entre os 25 e os 64 anos, 29,5% dos homens possui ensino universitário, enquanto há 33,4% de mulheres na mesma condição.

Só há dois países que contrariam a tendência, a Suíça e a Áustria, sendo que no primeiro a diferença é mais notória. Há 47,2% de homens suíços com ensino superior, que comparam com 37,9% de mulheres. Na Áustria, a percentagem de homens nesta condição é 32,9% e a de mulheres é de 31,9%. Contudo, em todos os outros países há sempre mais mulheres com ensino superior do que homens.

Uma vez no mercado de trabalho, a taxa de emprego dos homens é superior à das mulheres, 73% em comparação com 62% (média da UE de 2017). No entanto, é de referir que a diferença entre as taxas de emprego aumenta com o número de filhos. Ou seja, quantos mais filhos têm, menor a taxa de emprego das mulheres. No caso dos homens, o número de filhos não faz diminuir essa taxa. Este padrão foi observado na grande maioria dos Estados-Membros da UE.

Olhando apenas para as mulheres que estão empregadas, de todos os gestores da UE, apenas um terço eram mulheres em 2017. Os homens ocupam, normalmente, posições mais altas. A percentagem de mulheres que assumem este cargo não ultrapassou nem os 50% em nenhum dos Estados-Membros.

Por último, quanto aos salários, as mulheres ganham, em média, menos 16% do que os homens. “A disparidade salarial entre homens e mulheres dá uma visão global das desigualdades de género em termos de pagamento por hora”, pode ler-se no estudo.

Dos ecrãs dos computadores aos talões de compras

Os hábitos de vida dos homens e das mulheres apresentam, também, diferenças significativas. Os homens consomem mais álcool, fumam mais e têm mais excesso de peso. Em contrapartida, são os que fazem mais exercício físico. As mulheres, por sua vez, comem de maneira mais saudável, incluindo mais vegetais e fruta na sua alimentação.

Quanto à vida social e cultural, não há diferenças muito expressivas entre os géneros. Na União Europeia, ir ao cinema, visitar locais turísticos, conviver com amigos, assistir a espetáculos e ler livros são atividades que se revelam muito semelhantes entre homens e mulheres. Apenas a leitura de livros apresenta algumas diferenças, com as mulheres a serem as mais adeptas da leitura (42% em comparação com 31%). Em Portugal, ainda que também não se registem diferenças muito significativas, o cenário é oposto. São os homens que têm uma maior participação neste tipo de atividades, incluindo na leitura (11,4% para 10%).

Na Internet, as utilizações são diversificadas. As mulheres ligam o Wi-Fi ou os dados móveis para, normalmente, darem uma espreitadela nas redes sociais. Já os homens preferem ler notícias online. Mas não só, tanto homens como mulheres são adeptos das compras online, ainda que comprem produtos diferentes. Em Portugal, e acontece na maior parte dos Estados-Membros, as mulheres compram principalmente roupa e os homens equipamentos eletrónicos.

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